EUA evitam garantir pagamento ao Brasil no caso do algodão

Publicado em 15/07/2011 15:26 669 exibições
Em discussões concluídas hoje no Rio de Janeiro, os Estados Unidos não deram nenhuma garantia ao Brasil sobre quando vão cumprir plenamente o acordo bilateral envolvendo o contencioso do algodão, o que inclui reduzir "significativamente" subsídios e abrir o mercado para a exportação da carne bovina brasileira.

O governo americano tem que prestar contas ao Brasil a cada três meses sobre como está reduzindo os subsídios ilegais aos seus cotonicultores, conforme o acordo pelo qual Brasília não impôs retaliação de centenas de milhões de dólares contra produtos americanos.

No Rio de Janeiro, a delegação brasileira, chefiada pelo embaixador junto a Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevedo, cobrou esclarecimentos sobre as ameaças no Congresso, de interrupção da compensação de US$ 147 milhões anuais para cotonicultores brasileiros.

A delegação americana, chefiada pelo principal negociador agrícola do USTR, a representação comercial americana, Isi Siddiqui, disse que o governo Obama vai continuar gestões no Congresso para manter o pagamento. Mas avisou que se trata de um processo do qual que a administração não tem absoluto controle. Os negociadores “esperam” que na votação do orçamento não seja retirado o pagamento ao Brasil, mas não têm como se comprometer com isso.

O embaixador Azevedo deixou claro que, do ponto de vista do governo brasileiro, interrupção do pagamento significaria descumprir o acordo e a consequência seria o Brasil retaliar produtos americanos, como tem direito pela decisão de juízes da OMC.

Carne

Outra questão complicada é na área sanitária. Pelo acordo bilateral, os EUA prometeram colocar em consulta publica até 30 de janeiro deste ano analise de risco sobre exportações de carne bovina maturada da região livre de febre aftosa com vacinação, processo necessário para liberar a entrada do produto no mercado americano. Até agora, os brasileiros continuam esperando.

Azevedo reclamou que “a duração do processo americano é excessivo e escapa a qualquer noção de razoabilidade”. A delegação americana argumentou que o processo já saiu do Departamento de Agricultura, uma vez feita a avaliação sanitária. Mas, que agora foi para o Escritório de Gestão e Orçamento do governo para uma avaliação também do impacto econômico da abertura do mercado para a carne brasileira. Em português claro, trata-se de empurrar a decisão sempre para mais tarde.

“As conversas, por motivos óbvios, são sempre muito difíceis, mas há um esforço das duas partes para encontrar soluções que permitem manter o acordo bilateral”, resumiu o embaixador brasileiro ao final do encontro hoje no Rio de Janeiro.

Em outubro, desta vez em Washington, se o acordo ainda estiver em vigor, dependendo do que o Congresso fizer sobre o pagamento dos US$ 147 milhões, será feita uma “revisão operacional” das garantias de crédito dos EUA a exportações agrícolas. É que Washington precisa fazer até o fim de 2012 um ajuste gradual nos prêmios de garantia a exportação agrícola. No entanto, o Brasil constata que os americanos estão deixando tudo para mais tarde.

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Valor Online

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