Aumento do preço do petróleo leva os indonésios a avançarem no biodiesel
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Por Heru Asprihanto e Johan Purnomo
JACARTA, 9 Jul (Reuters) - Os motoristas na Indonésia estão modificando seus carros para funcionarem com biodiesel subsidiado em meio aos altos preços globais do petróleo, enquanto Jacarta aumenta o teor de óleo de palma no combustível, em um esforço para reduzir a dependência do país em relação às importações de energia.
A Indonésia, maior produtora e exportadora mundial de óleo de palma, acelerou os testes com o combustível sob sua exigência do B50 — uma mistura de 50% de diesel à base de óleo de palma e 50% de diesel convencional —, depois que a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciada em fevereiro, provocou uma alta nos preços do petróleo.
Jacarta começou a implementar a mistura de biocombustível B50 em 1º de julho.
Os altos preços globais elevaram o preço do diesel convencional — que não é subsidiado na Indonésia — em até 46% este ano. No início de julho, o diesel custava 21.150 rúpias (US$1,17) por litro, mais de três vezes o preço do biodiesel subsidiado, que era de 6.800 rúpias por litro.
Arnoldus Yusuf, um aposentado de 58 anos, disse que não tinha mais condições de comprar combustível não subsidiado.
“Achei o preço exorbitante, já que triplicou, e como sou aposentado, não tinha como arcar com isso. Por isso, estamos tentando mudar para o biodiesel agora”, disse Yusuf à Reuters enquanto esperava que os mecânicos fizessem ajustes em seu Toyota Fortuner 2018.
Por 4 milhões de rupias, a oficina injetou um fluido aditivo para proteger o sistema de combustível do carro contra corrosão e evitar o entupimento dos filtros, instalou um separador de água e reprogramou o computador do carro para que a luz de verificação do motor não acendesse quando o veículo estivesse rodando com biodiesel.
As coisas podem estar difíceis para Yusuf, mas o programa B50 tem sido uma bênção para Aong Ulinnuha, de 51 anos, dono da oficina em Tangerang, nos arredores de Jacarta.
Ele diz que tem observado um aumento significativo no número de clientes, pois seus serviços de adaptação de veículos são raros.
“Porque os carros que usam esse combustível voltam com frequência à oficina”, disse ele, explicando que os carros precisariam de trocas mais frequentes nos filtros de combustível, já que o biodiesel deixa mais sedimentos do que o combustível convencional.
O programa também enfrenta desafios de viabilidade, já que os esforços para chegar a um acordo de paz no Irã fizeram com que os preços do petróleo recuassem. Os preços do óleo de palma, que normalmente é comercializado com um ágio em relação ao diesel, também têm estado altos, aumentando a conta de subsídios do governo.
Ainda assim, o governo considera o B50 uma vitória. Em um lançamento oficial nesta quinta-feira, o presidente Prabowo Subianto disse que a mistura 50-50 foi “uma conquista extraordinária para a nação”.
“Vamos continuar. Não vamos parar no B50. Talvez possamos chegar ao B60”, disse Prabowo.
(Reportagem de Heru Asprihanto e Johan Purnomo; Redação de Ananda Teresia)
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