Tião Viana, do PT, usa balas de borracha, gás de pimenta e bombas democráticas de efeito moral para conter reacionários

Publicado em 22/02/2012 10:13 e atualizado em 14/08/2013 16:44 1503 exibições
por Augusto Nunes e Reinaldo Azevedo, em veja.com.br

Tião Viana, do PT, usa balas de borracha, gás de pimenta e bombas democráticas de efeito moral para conter reacionários disfarçados de pobres no Acre. Desde Canudos, a gente sabe que miserável precisa aprender a ser progressista

Já que a Dilma Rousseff, a Maria do Rosário, o José Eduardo Cardozo e o Gilberto Carvalho — aquele que lida com os “movimentos sociais” — não vão mesmo dar a menor pelota para o que se passa no Acre, resta a mim tirar a notícia do âmbito apenas regional. Tivesse acontecido a coisa num estado administrado por algum adversário do PT, é claro que estaria na chamada “mídia nacional”, né? Qualquer provocação de um bando de maconheiros do miolo mole em São Paulo merece mais destaque nos noticiosos nacionais do que balas de borracha nos pobres do Acre.

Faz sentido. Raciossimeiem comigo… Ah, em tempo: o verbo “raciossimear” deriva do substantivo “raciossímio”, que consiste em pensar com o apuro e a delicadeza de um macaco — progressista é lógico. Fica a um percentual mínimo de um pensamento humano, se é que me entendem. A diferença entre um macaco e um petralha está apenas na inabilidade de um deles para subir em árvores.

Raciossimeemos, pois, com eles, os petralhas. Se um estado é governado por um partido reacionário, conservador, de direita, porco e capitalista, então é claro que todo confronto com a polícia será protagonizado por revolucionários, progressistas, de esquerda, decentes e socialistas. Assim, estando o PT no poder, é evidente que toda revolta de pobre é, antes de mais nada, expressão da reação. Caramba! Não é assim desde Antônio Conselheiro? Ou vocês não sabem que aqueles analfabetos de Canudos eram monarquistas sabotando os progressistas da República???

Quem governa o Acre? É o companheiro Tião Viana, do PT, com o apoio da companheira ex-verde (hoje “nova política”) Marina Silva. No dia 14 de julho do ano passado, para comemorar os 221 anos da Queda da Bastilha, marco oficial da Revolução Francesa e do fim do despotismo, a polícia do Acre desceu o porrete em alguns invasores de terra, numa operação de reintegração de posse. Um índio ficou cego de um olho, atingido por um bala de borracha. Dilma, Maria do Rosário, José Eduardo Cardozo e Gilberto Carvalho não quiseram nem saber. Contei o caso aqui.

Pobre reacionário tem mais é de tomar chicote no lombo e bala de borracha no olho para aprender a distinguir a história de um trocadilho. Os “petês” só saem gritando “Fogo na floresta!”, como no filme Bambi, quando é a polícia de São Paulo a restabelecer a ordem, geralmente conturbada por ação da companheirada.

Pois bem. Reproduzo abaixo um post de hoje do site Acre 24 Horas. Mais uma vez, fica claro que pobre reacionário não se cria com Tião Viana, não! Ele manda é descer a borracha. E nada de Dilma, Maria do Rosáro, José Eduardo Cardozo e Gilberto Carvalho… Leiam. Volto em seguida:

Por ordem de Tião Viana, Policia Militar dispersa manifestação de desabrigados que fechou a quarta ponte na base da bala, gás de pimenta e bombas de efeito moral

Por Ray Melo:
Desabrigados do Bairro Seis de Agosto, que fecharam a quarta ponte na noite desta terça-feira, 21, em protesto pelo corte no fornecimento de energia em áreas atingida pela água do Rio Acre, foram dispersados pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) em uma operação que deixou mulheres e crianças feridas pelos disparos de balas de borracha.

Os manifestantes fecharam o acesso à ponte que liga a Avenida Amadeo Barbosa ao bairro Habitasa. Um assessor do Governo do Estado esteve no local para negociar com os manifestantes, afirmando que o fornecimento de energia seria restabelecido na quarta-feira, 22, após as 12h, mas os desabrigados não aceitaram a proposta e mantiveram o bloqueio.

Os militares do BOPE chegaram ao local e iniciaram as negociações, que terminou com disparos de balas de borracha, gás de pimenta e bombas de efeito moral. Os manifestantes fizeram um cordão de isolamento com crianças e mulheres, mas não foi suficiente para conter os militares que dispersaram a multidão com o uso da força.

Segundo informações de moradores, os policiais agiram precipitadamente. “Nós estávamos nos dirigindo aos objetos usados no bloqueio para fazer a retirada, mas os policiais entenderam que nós estávamos querendo pegar os objetos para agredi-los. Nunca vi nada parecido. Os policiais trataram civis, como verdadeiros bandidos nem as crianças escaparam”, diz o morador João Silva.

O comando da Polícia Militar se justificou afirmando que os policiais foram obrigados a agir. Um militar que não quis se identificar, afirmou que a ordem “partiu de cima”. Uma pessoa ligada à administração de Tião Viana (PT) esteve no local para tentar impedir o trabalho de jornalistas que faziam a cobertura da ação policial.

Encerro
Os pobres do Acre precisam achar o seu gigolô. Só os cafetões da pobreza, que se dizem representantes de “movimentos sociais”, conseguem dialogar com governos petistas. Sem eles, é gás de pimenta no olho! E sem esquerdista para sair gritando “Fogo, fogo na floresta!”

Por Reinaldo Azevedo

 

Planos seguem emperrados sob o governo da “presidenta governanta”…

Por João Domingos, no Estadão:
As oito demissões involuntárias de ministros - sete por suspeitas de irregularidades e malversação do dinheiro público e um por rebeldia - ao longo do primeiro ano de mandato da presidente Dilma Rousseff têm causado problemas de continuidade nos projetos tocados pelas pastas. O cenário, somado ao perfil centralizador de Dilma, que fiscaliza diretamente todos os projetos de auxiliares, engessa obras e planos e irrita ministros que refutam a pecha de lentos e improdutivos.

 O próprio ministro Aloizio Mercadante (PT), ao deixar a pasta da Ciência e Tecnologia e ser transferido para a Educação, brincou dizendo que a presidente é uma “espancadora de projetos”, pois preocupa-se excessivamente com os mínimos detalhes e ordena reiteradas vezes que propostas sejam refeitas.

Projeto mais do que prometido pelo governo é o que visa regulamentar a compra de terra por estrangeiros. Por enquanto, segundo informações do Palácio do Planalto, está em exame, sob a coordenação da Advocacia-Geral da União (AGU). Dilma quer ler o texto final antes de enviá-lo ao Congresso.

O Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), projeto considerado prioritário pela presidente, é outro que não andou ainda. Quanto à proposta que regulamenta a radiodifusão - pelo qual setores do governo anseiam que contenha um controle social da mídia, o que é rejeitado pela presidente - é outro que está parado. Foi feito no final do governo de Lula pelo então ministro Franklin Martins (Comunicação Social), mas segue na gaveta.

Enrolada mesmo é a compra de novos caças para a Aeronáutica. O plano existe desde 2002, ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso. Na Era Lula (2003-2010) foi tão falado que criou uma onda de agitação no mercado mundial de aeronaves de combate e mobilizou um forte lobby por parte das indústrias de aviões dos Estados Unidos, Suécia e França. Lula chegou a dizer que preferia os Rafale franceses. Mas Dilma Rousseff sentou-se em cima da proposta.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Dos 47 deputados federais do PSD, só um teve votação para se eleger por conta própria

Por Daniel Bramatti, no Estadão
Dos atuais 47 deputados federais do recém-criado PSD, 46 tiveram votos insuficientes para se eleger por conta própria. Eles só chegaram ao Congresso graças à votação de seus antigos partidos - que, além de ter as bancadas reduzidas, ainda correm o risco de perder pelo menos R$ 13 milhões por ano para a legenda capitaneada pelo prefeito Gilberto Kassab. O fato de não ter uma bancada eleita com votos próprios fragiliza o argumento do PSD de que, como terceiro maior partido na Câmara, teria direito a fatias maiores dos recursos do Fundo Partidário e do horário de propaganda eleitoral.

Atualmente, a legenda de Kassab é tratada como “nanica” pela Justiça Eleitoral: recebe menos de 0,2% do Fundo Partidário. Isso porque 95% dos recursos públicos destinados ao financiamento dos partidos são divididos de acordo com o número de votos para a Câmara dos Deputados - e o PSD não participou da última eleição. Pelo mesmo motivo, a bancada do partido não é contabilizada no rateio da propaganda eleitoral gratuita, proporcional ao número de deputados eleitos por cada legenda.

A situação pode mudar se o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acolher uma ação que pede a redivisão do Fundo Partidário. Kassab e seus aliados alegam que os parlamentares, ao trocar de legenda, levam consigo os direitos relacionados à sua votação. Um parecer da assessoria jurídica da presidência do TSE considerou que o pedido do PSD não é descabido. Mas nada garante que o parecer seja levado em conta pelos ministros que decidirão a questão, em data a ser definida.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Humanos de todo o mundo, uni-vos: a classe petralha é internacional! Ou: “O sonho de minha vida é ser um blogueiro petralha”

O texto ficou um tantinho longo. Mas acho que vale a pena ler até o fim. Há aqui uma dica de leitura. Imaginavam-me, no Carnaval, só com os pés na areia e a cabeça nas nuvens? Não! Estava pensando em vocês!
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Um amigo jornalista me deu um presente delicioso: o livro “Aguanten Los K” (”Agüentem os K”), do jornalista argentino Carlos M. Reymundo Roberts, publicado pela editora Sudamericana.  E quem são “los K”? São os petralhas da Argentina; é como são conhecidos os partidários furiosos, ensandecidos, fanáticos mesmo, do casal Kirchner — no momento, de Cristina; Néstor, que morreu no dia 27 de outubro de 2010, já virou mito e estátua. No Brasil, o livro poderia se chamar “O País dos Petralhas”, hehe…  ”Aguanten Los K” reúne uma coletânea de artigos publicados na coluna “De no creer” entre 15 de janeiro de 2010 e 20 de agosto de 2011. Jornalista experiente, Roberts cobriu duas guerras (a do Golfo, em 1991, e do Peru com o Equador, em 1995), é professor universitário, um dos comandantes da redação do La Nacíon e colunista do jornal, onde trabalha há mais de 30 anos. Conhece o seu ofício.

Néstor Kirchner, amparado pela mulher, que o sucedeu, ascendeu ao poder com o apoio majoritário da imprensa. Dada a penúria a que havia chegado a Argentina e considerando a razoável, mas precária, estabilidade alcançada, o casal foi se tomando de ares imperiais. Hoje, Cristina pode ser colocada na galeria dos líderes latino-americanos que nutrem um desprezo muito pouco solene pelas regras da convivência democrática, na companhia de Hugo Chávez, Rafael Correa e Daniel Ortega. A sua investida contra a imprensa independente do país é só a face mais visível de seus arroubos autoritários. Não me estenderei agora sobre esse particular. Quero falar sobre o livro de Roberts — de que traduzo um artigo que nos fala de perto, como vocês lerão.

Liberal convicto, o autor recorreu a um truque inteligente em sua coluna. Resolveu escrever como alguém que tivesse se convertido à religião Kirchner. Criou um “alter ego” adesista, governista a mais não poder, entusiasmado mesmo! Apresenta-se, assim, com uma personalidade dividida, esquizofrênica. O editor se obriga a ser imparcial, crítico, severo, guardião dos valores democráticos. Mas o colunista… Deixemos que os dois se apresentem.

O jornalista
 ”Quero me apresentar: sou  Carlos María Reymundo Roberts, jornalista do La Nacíon há mais de trinta anos. Profundamente liberal, estou entre os antípodas do kirchenerismo. Trabalho, porém, num diário que não faz oposição, mas jornalismo independente.”

O colunista
“Quero me apresentar: sou Carlos M. Reymundo Roberts e, sob esta rubrica, público há pouco mais de um ano uma coluna política no diário La Nacíon. No início, foi, reconheço, um espaço editorial duro com os Kirchner, ainda que não só com eles. Na verdade, nem era tão duro, porque a minha não é a linguagem de quem pontifica, mas a de quem tem um olhar bem-humorado, mordaz, dos acontecimentos políticos. Como a muitos argentinos, a morte de Néstor, no fim de outubro de 2010, produziu em mim uma forte comoção. Primeiro em meu espírito; depois em minhas idéias. Dois meses depois, eu era um kirchnerista puro e duro e, por isso, pus minha coluna a serviço da causa.”

O editor reconhece que o modelo Kirchner é intolerante, aniquila a institucionalidade e destrói os valores republicanos. Já o colunista adesista acha que isso não é assim tão mau… Pode não ser, diz, uma “institucionalidade clássica, mas é a nossa”. O editor admite, atenção!, que “o governo cooptou e neutralizou todos os organismos de controle, que comprou prefeitos, governadores, opositores, juízes, intelectuais, sindicalistas, empresários jornalistas”. Já o colunista adesista pensa que “os prefeitos, governadores, sindicalistas, empresários e jornalistas se convenceram das bondades do modelo; os juízes julgam acertado o que estamos fazendo, e os intelectuais abraçam a causa nacional e popular porque nós os reconciliamos com suas velhas idéias e lhes demos uma razão para existir”.

Vejam só! O que em Roberts é uma blague, uma graça, uma saída irônica, é, em boa parte do jornalismo brasileiro, uma esquizofrenia verdadeira. Quantas vezes vocês já não viram  colunistas muito vetustos e severos a anuir com arroubos autoritários do petismo, achando que, afinal, é preciso mesmo pagar um preço “pela mudança”? As duas faces do jornalista argentino, separadas pelo humor, assumem, em certo jornalismo brasileiro, a gravidade de uma categoria de pensamento.

Humor
Como alguém que pretende se irmanar com os petralhas — ooops!, com “Los K” —, Roberts é desmedido no seu amor pelo governo e elogia, é claro!, algumas notáveis barbaridades. E aqui está uma graça adicional do livro. A cada artigo, segue-se a publicação de uma série de comentários. E a gente se dá conta da miséria intelectual destes tempos. Alguns admiradores e adversários do kirchnerismo percebem a ironia; os primeiros o desqualificam; os outros o aplaudem. Mas há aquele, de um lado e de outro, que tomam tudo ao pé da letra, e as posições, então, se invertem: os K o elogiam largamente, e os críticos do oficialismo lhe dão uma carraspana.

A exemplo de “O País dos Petralhas” no Brasil — modéstia às favas —, a seleção de artigos de Roberts serve como retrato de um período infeliz da política argentina; é visível que os instrumentos da democracia são usados pelo governo para solapar a própria democracia. Roberts inova, no entanto, ao criar esse “alter ego” governista, que expõe, pelo caminho da adesão, o ridículo do oficialismo. Fiquei cá pensando em dar vida à versão vermelha do Reinaldo Azevedo… Garanto que essa minha versão abestada saberia elogiar o governo com mais competência do que algumas expressões momescas do lulo-petismo.

Blogs
Também na Argentina — e em toda parte —, é na Internet que a canalha fascistóide se manifesta com mais virulência. Traduzo, abaixo, um dos artigos do livro, que nos fala — a mim e a vocês — mais de perto. Vejam como a “classe petralha é internacional” e como os esbirros do poder nunca surpreendem. Vocês lerão um artigo de Roberts sobre o atual momento da política argentina e ficarão com a impressão de que ele fala do Brasil. Divirtam-se.
*
O sonho de minha vida: ser um blogueiro K

Já sei o que quero ser quando crescer: um blogueiro K. Se a vida quer me dar um presente, peço este: fazer parte de um exército de homens e mulheres deste país que, dia após dia, faça chuva ou faça sol, tomam a lança e saem em defesa do seu governo, mais para matar do que para morrer.

Em tempos de descrença generalizada, de fim das ideologias, de individualismo feroz, eles se agrupam para uma batalha diária contra os meios de comunicação e seus esbirros, os jornalistas.

A cena há de ser comovedora: milhares de jovens (bem, assim pensava eu, mas me dizem que os há de todas as idades), por pura vocação, movidos por suas mais profundas convicções democráticas e em defesa da pátria, acordam quando ainda está escuro, lêem rapidinho jornais e sites na Internet, detectam um inimigo e, antes mesmo de tomar um café ou de escovar os dentes, já estão armados, na frente de seu PCs. Convictos, entusiasmados, dão início à segunda parte de seu trabalho, que, na verdade, nem é tão complicada: consiste, basicamente, em destruir o autor do texto que ousou criticar o governo.

Destruí-lo significa isto: esmagá-lo, mexer com a sua vida, com a sua história, com seu nome, até com a sua aparência, pouco importa. Não é uma guerra de argumentos, claro! Eles não são necessários, e isso é o mais tentador do trabalho: se alguém critica os Kirchner, isso se deve ao fato de ser reacionário, fascista, atrasado; de estar a serviço da Sociedade Rural, do neoliberalismo e do capitalismo selvagem; ou, então, só o faz porque os donos do veículo de comunicação o obrigaram a escrever aquilo.

Para esse exército de esforçados servidores, não importa, ou importa muito pouco, o que diz o artigo em questão. Coitados! No apuro, nem tiveram tempo de lê-lo. Sabujos treinados, o título já lhes dá a pista. Temo que, de forma maliciosa, um dia alguém ainda escreverá um longo elogio ao governo, deixando claro na última linha que todo o que veio antes é uma farsa. Que horror! Quantos blogueiros K vão cair na armadilha! Algum deles chegará até a última linha?

O slogan dos nossos heróis parece ser este: é preciso entrar logo nos fóruns da Internet, nos blogs, no Twitter e deixar a marca. É preciso pautar o debate e fazê-lo antes dos inimigos: aqueles que gostaram do texto. Para estes, também haverá fogo, é claro!, mas sem perder de vista que são apenas soldados. O general é o autor do artigo. É preciso convencê-lo de que teria sido melhor escrever na revista dos bombeiros voluntários de seu bairro.

Será que é a admiração que me leva a identificar um blogueiro K e a não confundi-lo com qualquer outro defensor do governo? Não, não é a admiração, mas o cheiro! Há um certo ar de família nos blogueiros oficiais. Eles são madrugadores, são furiosos, não perdem tempo discutindo motivos; ficam horas diante das telas de computador, amam a desqualificação e não mostram a menor intenção de ceder nada a ninguém, nunca!

Outra característica comum é a sua reação quando alguém os descobre e os acusa — com total injustiça, é claro! — de trabalhar a soldo da Casa Rosada. Então seus mais baixos instintos despertam (se é que já não estavam despertos) e atacam sem piedade. Alguém comentava outro dia que era muito fácil entrar em um fórum e distingui-los: “Não argumentam; só insultam e agridem”.

Dias atrás, publiquei no Twitter a suspeita de que essa tropa de choque da Internet também tem a sua divisão nos programas de rádio que veiculam as mensagens dos ouvintes. Alguns telefonemas em certo programa da manhã me pareceram muito suspeitos. Alguém respondeu que era assim mesmo: são os “telefonadores K”, superiores, na hierarquia, aos “tuiteiros K”, mas inferiores aos blogueiros K “, uma espécie de tropa de elite. Concluí que nem mesmo os Kirchner, tão igualitários, conseguiram impedir que, em suas fileiras, reine a luta de classes e a discriminação.

Dada a minha intenção de ser um dia um desses soldados, estou cheio de perguntas. Quem os comanda? Quantos são? Como são recrutados? Quantas horas é preciso dedicar à causa? E o grande tema: ok, aceito que não recebam um peso, que seja tudo vocação, que seja tudo espontâneo…, mas alguém poderia me dizer a quanto chega esse soldo que não cobram?

A propósito: também me pergunto como este corpo tão coeso, tão uniforme, lerá este texto que lhe dedico. Entenderão que está escrito com a intenção do elogio, do reconhecimento, ou vão acreditar, numa leitura superficial, que isto é uma crítica, mais uma das muitas que recebem nestes tempos? Há apenas uma forma de sabê-lo: dar o texto por terminado e ouvi-los. Soldados, se chegaram até aqui, sigam em frente; vocês têm a palavra.

Por Reinaldo Azevedo

 

Por Serra, DEM aceita “chapa pura” com tucanos

No Estadão:
Líderes do PSDB favoráveis à candidatura do ex-governador José Serra à Prefeitura de São Paulo fizeram chegar a integrantes do DEM que a chapa puro-sangue é uma das condições para o tucano entrar na disputa eleitoral deste ano.

A cúpula do DEM queria a vaga de vice para apoiar o PSDB na eleição, num cenário em que o candidato não é o ex-governador. Mas, com Serra na disputa, a tendência é que o aliado também abra mão da indicação. Anteontem, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) disse que seu partido não pleiteará a candidatura de vice-prefeito, caso Serra concorra.

Serra, que analisa o cenário para decidir, teria predileção pela chapa com um vice do PSDB. Em 2006, quando disputou o governo de São Paulo, lançou como vice o tucano Alberto Goldman. A indicação lhe deu segurança para renunciar e disputar a Presidência da República em 2010.

A formação de uma chapa puro-sangue também daria condições para costurar um acordo com o vencedor da prévia do PSDB, marcada para o dia 4 de março. Apesar de três dos quatro pré-candidatos serem secretários estaduais - Andrea Matarazzo, Bruno Covas e José Aníbal -, a avaliação hoje no Palácio dos Bandeirantes é a de que a disputa interna está muito avançada e que implicaria um risco político ao governador Geraldo Alckmin desmarcá-la sem a garantia de que Serra vai mesmo disputar.

No domingo, Matarazzo esteve com Serra em Buenos Aires. Para os defensores da candidatura do ex-governador, se ele não se posicionar até antes da prévia, e a disputa se tornar inevitável, a saída será apostar as fichas em Matarazzo e, depois, costurar um acordo com ele para vice. Nos últimos dias, Alckmin esteve com dois dos quatro pré-candidatos e afirmou que, se Serra decidir entrar na disputa antes da prévia, terá que convencê-los a abrir mão do processo.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

De volta ao Samba do Crioulo Doido. Ou: Urucubaca luliana mostra a Gaviões por que não se deve ser pombinha do PT

De volta! Fim do ziriguidum, mas ainda neste clima de carnavalização da política, de samba-do-crioulo-doido em que estão transformando — ou transfugando?, se me permitem o neologismo — a política brasileira. O único pecado abaixo do Equador é pertencer à oposição. Nesse ritmo, ainda acaba “proclamada a escravidão, lá iá lá iá lá ia”…

Viram o espetáculo deprimente na apuração do resultado do desfile das escolas em São Paulo? Os partidários da Império da Casa Verde e da Gaviões da Fiel eram os mais exaltados. E o pau quebrou, sendo necessária a intervenção dos Unidos da Lei e da Ordem, mas com a devida moderação, ou os petralhas acusam o governo de São Paulo de “militarizar o Carnaval”… Se as pessoas descontentes não puderem, vamos ser modernos, trollar o processo, onde está a democracia, não é mesmo? Precisamos dar vivas à intervenção direta, ao fim da fantasia, ao fogo na alegoria (isso é uma alegoria)! Chegando em casa, este novo ser político deve se armar com um micro, um celular, um iPad — qualquer um desses instrumentos criados pelo maldito capitalismo para oprimir os excluídos — e trollar também os sites, blogs e páginas pessoais de adversários reais ou supostos. Precisamos de um mundo sem mediação, de ação direta, sem oponentes, como queria Ernst Röhm, antes de ser contido por Hitler, o progressista, lá iá lá iá lá ia…

Vi fotos de Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, e de Maria Letícia — a Mulher do Homem — num carro alegórico da Gaviões da Fiel. Mais alguns anos, e chegaremos, finalmente, ao século 19. A nova aristocracia manda a República às favas, lá iá lá iá lá ia. E se apodera das esferas pública, privada e estatal. Como naquela música do sambista Chico Jabuti, “Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal…” A Gaviões — e eu espero que o meu Corinthians um dia se liberte dos “grilhões que nos forjou o ardil astuto da perfídia” —, movida pelo mau espírito da sujeição encomiástica, tentou rapinar o Carnaval de São Paulo em ano eleitoral, levando à avenida um samba-enredo ideológico: “Verás que um filho fiel não foge à luta - Lula, o retrato de uma nação”. Nono lugar antes de a bandidagem trollar a apuração. Os trouxas ainda não perceberam que nada viceja à sombra de Lula a não ser o partido; o resto murcha, decai e morre, lá iá lá iá lá ia.

Lula já privatizou o processo democrático brasileiro — daí que seu instituto pretenda criar o “Memorial da Democracia”, em terreno que Gilberto Kassab, eleito com votos anti-Lula, pretende doar àquela entidade privada. Já no título da pantomima-enredo, privatizam-se, a um só tempo, um verso do Hino Nacional e a torcida do Corinthians. Os Acadêmicos do Nariz Marrom, que lotam nossas universidades, sempre de joelhos para o petismo, deveriam seguir os passos de seus colegas argentinos rendidos ao Casal Kirchner e iniciar um movimento de revisão da história, de extinção dela talvez. Declare-se 2003 o “Ano Um” do Brasil. Em tempo: as escolas de samba recebem grana do município: R$ 27 milhões só neste ano. Não sei que parcela coube à Gaviões. O fato é que, também nesse particular, há evidente uso de dinheiro público com propósito político-partidário.

“Ah, Lula já é um figura que pertence à história”. Uma ova! Assim seria se assim fosse. Ele não está em casa cuidando de suas memórias, mas na ativa, organizando os palanques do PT Brasil afora, muito especialmente o de São Paulo. Tanto é assim que foi ele a oficializar a aproximação de Kassab com o PT, iá lá iá lá ia… Não haver uma cláusula — no regulamento da Liga das Escolas ou nos critérios de concessão de dinheiro público — que impeça a exploração político-eleitoral do desfile corresponde a se expor à rapinagem. E assim foi. E, mais uma vez, a urucubaca luliana recaiu sobre aqueles que se colocaram de joelhos. Não chega a ser uma determinação da natureza, mas é uma constante sem exceção: é assim que se firma uma… urucubaca!

O filme “Lula, O Filho do Brasil”, por exemplo, foi um fiasco. Não obstante, acabou selecionado pelos puxa-sacos para concorrer a uma indicação ao Oscar. Ninguém deu bola. Quem quer que se aproxime para se contaminar com a “sorte” do “Homem” colhe os efeitos contrários. Vejam esta foto:

lula-mubarak

O seca-pimenteira participava, na Itália, da Cúpula do G8, em julho de 2009. Ele e Hosni Mubarak, então presidente do Egito, eram convidados de honra. O Apedeuta, com o veneno tropical, charme e picardia que fizeram história, dá de presente ao ditador uma camiseta da Seleção Brasileira. Bem, vocês sabem o que aconteceu com os nossos Canarinhos e conhecem também o destino de Mubarak. Ah, sim: antes de embarcar para a África do Sul, a Seleção fez uma visitinha a Lula, no dia 20 de maio de 2010…

Há outra foto que entra para a história do pé-quente. É esta.

lula-corinthians

No dia 1º de Maio de 2010, de passagem por São Paulo para fazer campanha ilegal em favor de Dilma Rousseff, Lula decidiu dar uma passadinha no Corinthians e empenhar seu apoio na disputa pela Libertadores. O Timão enfrentou o Flamengo logo depois e foi desclassificado. Confesso que, desta vez, até me vi tentado a advertir os companheiros da Gaviões — afinal, sou corintiano há mais tempo do que muitos ali: “Não caiam nessa tentação; vão afundar a escola”. Mas deixei que a sina se cumprisse. E não que eu seja bom só para prever o passado. Antes de a Seleção Brasileira visitar O Homem em palácio, fiz aqui a advertência, no dia 25 de maio de 2010. Inútil.

Em 2007, Bebeto de Freitas, presidente do Botafogo, presenteou Lula com uma camisa do clube. Assim.

lula-e-bebeto-de-freitas

O time disputava a final da Copa do Brasil. Diante de um Maracanã lotado, foi derrotado pelo Figueirense. “Gols roubados!”, gritará um torcedor. Pois é… Os deuses, quando provocados, deixam cegos os homens…

fluminense-lula

Os torcedores do Fluminense jamais vão se esquecer do apoio dado por Lula ao time em 2008, pouco antes da final da Libertadores, contra o modesto LDU do Equador. O tricolor bateu o adversário por 3 a 1 no tempo normal, empatou em zero a zero na prorrogação e naufragou nos pênaltis (3 a 1). Fiel à sua política externa terceiro-mundista, a urucubaca luliana deu ao Equador seu único título na Libertadores.

Essas são apenas algumas das circunstâncias em que Lula aparece trollando a sorte alheia. Há muitas outras lembradas em vários sites e blogs. Ninguém escapou: Guga, Diego Hypólito, até Lenny Kravitz… Que continuem a beijar a mão do Apedeuta. Será sempre bom para o PT — e péssimo para os que se dedicarem à sujeição voluntária. Vamos sair do misticismo para entrar na história.

As primeiras tentativas de assalto às urnas — porque não se trata de disputa dentro das regras do jogo — dos petistas em São Paulo deram com os burros n’água: reação à retomada da Cracolândia, mentira organizada sobre a desocupação da região conhecida como Pinheirinho, privatização político-partidária do Carnaval… Vamos que outras trollagens preparam os companheiros. A única coisa certa é que eles não vão se conformar. E não poderia deixar de fazer um lamento à margem: é lastimável ver o meu time entregue a esse tipo de exploração político-partidária. Espero que uma parte ao menos dos corintianos reaja a essa tentativa de manipulação da torcida.

Caminhando para o encerramento
Bem, caras e caros, estou de volta, com um pouco de samba no pé, como vêem.

A propósito, cumpre publicar, a título de ilustração, a divertida letra do “Samba do Crioulo Doido”, criação de Stanislaw Ponte Preta, heterônimo no jornalista Sérgio Porto, que ironizava, em 1968, a leitura livre que os carnavalescos faziam — e fazem — da história em seus enredos. A obra virou metáfora, símbolo da confusão e da falta de sentido:

Foi em Diamantina
Onde nasceu JK
Que a Princesa Leopoldina
Arresolveu se casá
Mas Chica da Silva
Tinha outros pretendentes
E obrigou a princesa
A se casar com Tiradentes

Lá iá lá iá lá ia
O bode que deu vou te contar
Lá iá lá iá lá ia
O bode que deu vou te contar

Joaquim José
Que também é
Da Silva Xavier
Queria ser dono do mundo
E se elegeu Pedro II
Das estradas de Minas
Seguiu pra São Paulo
E falou com Anchieta
O vigário dos índios
Aliou-se a Dom Pedro
E acabou com a falseta

Da união deles dois
Ficou resolvida a questão
E foi proclamada a escravidão
E foi proclamada a escravidão
Assim se conta essa história
Que é dos dois a maior glória
Da. Leopoldina virou trem
E D. Pedro é uma estação também

O, ô , ô, ô, ô, ô
O trem tá atrasado ou já passou

Convenham: é mais coerente do que a vida pública brasileira.

Por Reinaldo Azevedo

 

São Paulo discute exigir ficha limpa de seu funcionalismo

Por Uirá Machado e Daniela Lima, na Folha:
A Câmara Municipal de São Paulo resolveu pegar carona em recente decisão do Supremo Tribunal Federal para votar proposta que estende a Lei da Ficha Limpa a todas as futuras nomeações da administração pública. Se aprovado, o mecanismo atingirá “agentes ou servidores públicos” nomeados pelo prefeito ou pelos vereadores, em todos os escalões da administração municipal. Estarão vetadas nomeações de pessoas que se enquadrem nos critérios de inelegibilidade da Ficha Limpa, como condenação criminal em segunda instância. Hoje, a lei barra a candidatura de pessoas nessas condições.

Mas a regra na capital só deverá valer para novas nomeações, deixando a salvo atuais servidores. “A lei não vai retroagir. Vamos avançar com o ritmo que é possível”, afirma o vereador José Police Neto (PSD), presidente da Câmara Municipal. Com esse entendimento, estariam a salvo políticos como Uebe Rezeck (PMDB), secretário municipal de Participação e Parceria, que foi condenado por improbidade administrativa pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Para criar a Ficha Limpa administrativa, ao menos 37 dos 55 vereadores precisarão apoiar a proposta que altera a Lei Orgânica do Município. Police Neto garante que há acordo entre os líderes para aprovar o texto, que unifica propostas em tramitação na Casa desde 1999 e deve ser levado a discussão no plenário na próxima semana.

Porém, Chico Macena, líder do PT, diz que o acordo previa apenas a discussão com as bancadas. “Sou a favor da proposta, mas é preciso debater melhor.”Líder do PSDB, Floriano Pesaro prevê dificuldades, mas diz contar com o clamor público.

ESTADO
O governo estadual também prepara um decreto para barrar nomeações de condenados pela Justiça no Executivo. A norma foi preparada de modo a se sobrepor à legislação federal, que trata apenas dos cargos eletivos.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

CNJ mira contracheques excepcionais de magistrados para pedir devoluções

Por Fausto Macedo, no Estadão:
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) quer saber quais índices de correção foram aplicados por Tribunais de Justiça estaduais e os períodos contemplados para calcular contracheques excepcionais concedidos a juízes e a desembargadores. Se identificar pagamentos irregulares, o CNJ poderá propor sanção com base no estatuto do servidor público, que prevê desconto em folha daquela quantia indevidamente creditada na conta dos magistrados.

O artigo 46, parágrafo 1.º, do estatuto disciplina que reposições e indenizações serão previamente informadas ao servidor para pagamento no prazo máximo de 30 dias, podendo ser parceladas a pedido do interessado. O valor de cada parcela não poderá ser inferior a 10% da remuneração, provento ou pensão.

Oficialmente, a ministra Eliana Calmon, corregedora nacional de Justiça, não se manifestou sobre a busca aos índices de correção aplicados pelos tribunais. Mas é certo que o CNJ quer detalhes sobre a composição dos holerites especiais, quais benefícios foram incluídos na conta e, principalmente, se eles obedeceram ao prazo prescricional, cujo limite é de cinco anos. Em dezembro, o CNJ havia iniciado investigação na folha salarial do TJ de São Paulo para identificar créditos extraordinários e o patrimônio dos juízes.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

O eleitorado precisa completar o serviço que a Lei da Ficha Limpa só começou

A aplicação da Lei da Ficha Limpa já nas eleições deste ano é uma notícia animadora, constato no comentário de 1 minuto para o site de VEJA (confira o vídeo abaixo). Por decisão do Supremo Tribunal Federal, serão imediatamente varridos para longe das urnas obscenidades como Joaquim Roriz e Severino Cavalcanti, que renunciaram aos mandatos no Congresso para driblar a cassação inevitável. E as listas de candidatos ficarão menos apavorantes com o sumiço de candidatos que foram condenados por algum tribunal.

Concordo com meu amigo Ricardo Setti: desde ontem, o país ficou um pouco melhor. Mas a Lei da Ficha Limpa é uma pedra no caminho insuficiente para obstruir a passagem da multidão de casos de polícia, todos portadores de salvo-condutos emitidos pelo eleitorado. As restrições aprovadas pelo STF podem, por exemplo, livrar o Senado de um Jader Barbalho, mas não impedirão que outros barbalhos apareçam em Brasília cavalgando centenas de milhares de votos. É assim em qualquer Estado. É assim no país inteiro.

“Não se deve esquecer que essa tal opinião pública é a mesma que elege os chamados candidatos ficha-suja”, argumentou o ministro Gilmar Mendes, que considera a lei inconstitucional. A frase não tem força suficiente para sustentar a tese de Gilmar, mas é verdadeira. A paisagem política só se tornará menos assustadora quando milhões de eleitores pararem de votar contra o Brasil.

 

Jornal da Record destaca participação de Gilberto Carvalho no caso Celso Daniel

A briga entre a TV Record e Gilberto Carvalho é mais uma história sem heróis. Veja o vídeo de 4 minutos na seção O País quer Saber.

 

A Chanchada do Orçamento, os jornalistas federais e os repórteres do Brasil Maravilha

O elenco sofre mudanças cosméticas a cada eleição, mas o roteiro é sempre o mesmo. Estrelada pelo segundo ano consecutivo por Dilma Rousseff, a Chanchada do Orçamento começa em fevereiro, com a mentira de sempre: o governo resolveu fazer dramáticos cortes no imenso bolo de dinheiro, reduzindo corajosamente as verbas reservadas a emendas parlamentares para preservar os investimentos. Enquanto o ministro da Fazenda explica que a medida contempla os interesses nacionais, deputados e senadores da aliança governista chiam, rosnam, urram ou miam. E os jornalistas federais ─ amparados em reportagens assinadas por gente que não duvida de nada ─   celebram o espetáculo da austeridade administrativa proporcionado pela supergerente que Lula inventou.

Como tem ocorrido desde 2003, todas as verbas serão liberadas até dezembro. Primeiro em conta-gotas, para garantir a aprovação de urgências particularmente caras ao Planalto e seus parceiros. Depois em boladas bilionárias de assustar maquinista de trem pagador, para que nenhuma cláusula do contrato de aluguel deixe de ser cumprida e se chegue ao final invariavelmente feliz ─ para os canastrões em cena. Enquanto os parlamentares governistas retribuem o pagamento dos atrasados com sucessivas cerimônias do amém, jornalistas federais, de novo com o endosso dos repórteres a favor, celebram a astúcia da superexecutiva que aprendeu com o padrinho como é que se faz política.

Como tudo que o Planalto patrocina, a Chanchada do Orçamento é uma tapeação de quinta categoria. É tão medíocre, redundante e tediosa quanto a performance dos profissionais das redações que, por vassalagem, esperteza ou idiotia, endossam sem reparos nem retoques as fantasias dos  pais-da-pátria. O Brasil decente merece uma imprensa muito melhor. Os jornalistas federais e os repórteres a serviço do Brasil Maravilha têm a imprensa que merecem.

 

Direto ao Ponto

Sardenberg: ‘A sorte é que sempre tem alguém em situação pior que a gente’

Carlos Alberto Sardenberg desmonta as alquimias numéricas e as comparações espertas produzidas pelo ministro Guido Mantega para anabolizar a economia do Brasil Maravilha registrado em cartório. Confira na seção Feira Livre.

 

Direto ao Ponto

Demétrio Magnoli: ‘Aos 32 anos, o PT alcançou um estado de equilíbrio sustentado no rochedo da mentira’

A visita de Dilma Rousseff a Cuba, a greve da Polícia Militar baiana e a privatização dos aeroportos demonstram que o PT afundou no pensamento duplo. Confira na seção Feira Livre.

 

Mais 21 verbetes são incorporados ao glossário atualizado da novilíngua lulista

Todos sugeridos pelo timaço de comentaristas, mais 21 verbetes foram oficialmente incorporados ao glossário atualizado da novilíngua lulista. Confira:

anistiado político. Companheiro que só não aprovou o regime militar para garantir uma velhice confortável como pensionista do Bolsa Ditadura.

conselho de ética. Grupo formado por pessoas que não acham antiético roubar o cofrinho de moedas da filha, tungar a aposentadoria da avó ou vender a mãe.

Copa do Mundo. Negócio da China.

consultor. 1. Companheiro traficante de influência. (Ex: Antonio Palocci é consultor). 2. Companheiro que facilita negócios escusos envolvendo o governo e capitalistas selvagens. (Ex: José Dirceu é consultor). 3. Companheiro que, enquanto espera um cargo no governo federal, recebe mesadas e indenizações de empresas que favoreceu no emprego antigo ou vai favorecer no emprego novo. (Ex: Fernando Pimentel é consultor)

contrato sem licitação. Assalto aos cofres públicos sem risco de cadeia.

convênio. Negociata envolvendo um ministério e ONGs fantasmas ou empresas pertencentes ao ministro, amigos do ministro ou parentes do ministro.

financiamento de campanha. Expressão usada por integrantes da quadrilha chefiada por José Dirceu e por testemunhas de defesa em depoimentos na polícia ou na Justiça sobre o escândalo do mensalão.

inundação. Desastre natural provocado por chuvas fortes que, embora se repitam em todos os verões desde o século passado, continuam surpreendendo o governo.

Mensalão. Maior escândalo que não existiu entre todos os outros ocorridos no Brasil desde o Descobrimento.

mercadante. Companheiro que revoga até o que considera irrevogável.

meu querido/minha querida. Expressões usadas por Dilma Rousseff quando está conversando em público com jornalistas ou ministros e não pode soltar o palavrão entalado na garganta.

ONG. Organização não-governamental sustentada por negociatas governamentais.

PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Maior concentração de canteiros de obras abandonados do planeta.

Predo II. Dom Pedro II segundo Lula. (Ver Transposição do São Francisco)

presidenta. Forma de tratamento usada por candidatos a Sabujo do Ano ou companheiros com medo daquele pito que fez José Sérgio Gabrielli cair na choradeira.

reforma ministerial.  1. Substituição de ministros pilhados em flagrante pela imprensa independente. 2. Substituição de ministros obrigados a deixar o cargo para disputar a próxima eleição. 3. Troca de seis por meia dúzia.

revisão de contrato. Reajuste de sobrepreços e propinas.

Sírio-Libanês. Hospital a que recorrem Altos Companheiros com problemas de saúde para que o SUS, que está perto da perfeição, tenha mais vagas para os miseráveis, os pobres e a nova classe média inventada pelo IPEA. (ver SUS)

SUS. Filial em tamanho gigante do Sírio-Libanês reservada a quem não tem dinheiro para internar-se na matriz. (ver Sírio-Libanês)

Transposição do São Francisco. Tapeação multibilionária inventada pelo ex-presidente Lula para ser promovido a Dom Pedro III. (Ver Predo II)

trem-bala. Trem fantasma que partiu da cabeça de Lula e estacionou na cabeça de Dilma Rousseff, onde vai atravessar o século em companhia do neurônio solitário.

 

Glossário atualizado da novilíngua lulista

Em fevereiro de 2010, para socorrer os brasileiros que nem sempre conseguem entender o que diz a turma do PT, o comentarista Marcelo Fairbanks coordenou a edição de um pequeno dicionário da novilíngua lulista, contendo as expressões usadas com mais frequência tanto pelos pastores do rebanho quanto pelas ovelhas. O esforço feito pela companheirada para rebatizar de “concessão” a entrega do controle de três aeroportos à iniciativa privada induziu a coluna a publicar um glossário atualizado do estranho dialeto. Confira:

aloprado. Companheiro pilhado em flagrante durante a execução de bandalheiras encomendadas pela direção do partido ou pelo Palácio do Planalto.

analfabetismo. 1. Deficiência que ajuda um enviado da Divina Providência a virar presidente da República. 2. Qualidade depreciada por reacionários preconceituosos, integrantes da elite golpista e louros de olhos azuis.

asilo político. Instrumento jurídico que beneficia todo companheiro ou comparsa condenado em outros países por crimes comuns ou atos de terrorismo.

base aliada. 1.Bando formado por parlamentares de diferentes partidos ou distintas especialidades criminosas , que alugam o apoio ao governo, por tempo determinado,  em troca de ministérios com porteira fechada (cofres incluídos), verbas no Orçamento da União, nomeações para cargos público, dinheiro vivo e favores em geral. 2. Quadrilha formada por deputados e senadores.

blecaute. Apagão

Bolívar (Simón). Herói das guerras de libertação da América do Sul que reencarnou no fim do século passado com o nome de Hugo Chávez.

bolivariano. Comunista que finge que não é comunista.

Bolsa Família. Maior programa de compra oficial de votos do mundo.

camarada de armas.  Companheiro diplomado em cursinho de guerrilha que só disparou tiros de festim; guerrilheiro que ainda não descobriu onde fica o gatilho do fuzil. (Ex.: Dilma Rousseff e José Dirceu são camaradas de armas.)

cargo de confiança. 1. Empregão reservado a companheiros do PT ou parceiros da base alugada, que nem precisam perder tempo com concurso para ganhar um tremendo salário sem trabalhar. 2. Cala-boca (pop.).

cartão corporativo. Objeto retangular de plástico que permite tungar o dinheiro dos pagadores de impostos sem dar satisfação a ninguém e sem risco de cadeia.

Comissão da Verdade. 1. Grupo de companheiros escalados para descobrir qualquer coisa que ajude a afastar a suspeita, disseminada por Millôr Fernandes, de que a turma da luta armada não fez uma opção política, mas um investimento. 2. Entidade concebida para apurar  crimes cometidos pelos outros.

companheiro. Qualquer ser vivo ou morto que ajude Lula a ganhar a eleição.

concessão. Entrega ao controle da iniciativa privada de empresas, atividades ou setores administrados até então por governos do PT. (Verprivatização).

controle social da mídia. Censura exercida por censores treinados pelo PT para adivinhar o que o povo quer ver, ler ou ouvir. (Verdemocratização da mídia).

corrupção. 1. Forma de ladroagem praticada por adversários do governo. 2. Forma de coleta de dinheiro que, praticada por companheiros, deve ser tratada como um meio justificado pelos fins. 3. Hobby preferido dos parceiros da base alugada.

Cuba. 1. Ditadura que só obriga o povo a ser feliz de qualquer jeito. 2. Forma de democracia que prende apenas quem discorda do governo.

cueca. Cofre de uso pessoal utilizado no transporte de moeda estrangeira adquirida criminosamente.

democratização da mídia. 1. Erradicação da imprensa independente. 2. Entrega do controle dos meios de comunicação a jornalistas companheiros, estatizados ou arrendados. (Ver controle social da mídia). 

ditador. Tirano a serviço do imperialismo estadunidense. (Ver líder).

ditadura do proletariado. Forma de democracia tão avançada que dispensa o povo de votar ou dar palpites porque os companheiros dirigentes sabem tudo o que o povo quer.

erro. 1. Crime cometido por companheiros. 2. Caso comprovado de corrupção envolvendo ministros ou altos funcionários do segundo escalão ou de empresas estatais.

Fernando Henrique Cardoso. 1. Ex-presidente que, embora tivesse ampla maioria no Congresso, fez questão de aprovar a emenda da reeleição com a compra de três votos no Acre só para provocar o PT. 2. Governante que, depois de oito anos no poder, só conseguiu inaugurar a herança maldita.

FHC. 1. Grande Satã; demônio; capeta; anticristo;. satanás; diabo. 2. Assombração que vive aceitando debater com Lula só para impedir que o maior governante de todos os tempos se dedique a ganhar o Nobel da Paz. 3. Sigla que, colocada nas imediações do SuperLula, provoca no herói brasileiro efeitos semelhantes aos observados no Super-Homem perto da kriptonita verde.

líder. Ditador inimigo do imperialismo estadunidense. (Ver ditador).

malfeito. Ato criminoso praticado por bandidos companheiros.

MST. 1. Entidade financiada pelo governo para fazer a reforma agrária e levar à falência a agricultura. 2. Movimento formado por lavradores que não têm terra e, por isso mesmo, não sabem plantar nem colher.

no que se refere. Expressão usada pela Primeira Companheira para avisar que lá vem besteira.

nuncaantesnestepaís. 1. Expressão decorada pelo Primeiro Companheiro para ensinar ao rebanho que o Brasil começou em 1° de janeiro de 2003 e que foi ele quem fez tudo, menos Fernando Henrique Cardoso. 

ou seja. Expressão usada pelo Primeiro Companheiro para avisar que, por não saber o que dizer, vai berrar o que lhe der na cabeça.

pedra fundamental. Obra do PAC inaugurada antes de começar a ser construída.

privatização:  Entrega ao controle da iniciativa privada de empresas, atividades ou setores administrados até então por governos inimigos do PT. (Ver concessão).

recursos não-contabilizados. 1. Caixa dois. 2. Dinheiro extorquido sem recibo de donos de empresas que enriquecem com a ajuda do governo, empreiteiros de obras públicas ou publicitários presenteados com contratos sem licitação.

 

Prefeitura de São Paulo: Kassab, Serra e os misteriosos “interlocutores”

Há uma reportagem de Fernando Gallo no Estadão de hoje que merece ser lida com atenção. Eu a reproduzo abaixo. Comento depois.

Nas mesmas conversas mantidas com dirigentes petistas semana passada, nas quais avisou-os de que estancaria o movimento de aproximação ao PT atendendo a um pedido de José Serra (PSDB), o prefeito Gilberto Kassab (PSD) afirmou que, embora não tenha como deixar de embarcar na possível candidatura do tucano na capital paulista, considera o eventual apoio ao ex-governador um atraso em seu projeto político nacional.

Em pleno carnaval, Kassab fez questão de ir até Recife elogiar o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), aliado do Planalto. Foi também com essa preocupação, diz um petista que conversou com o prefeito, que Kassab esteve em Brasília há uma semana para um encontro com a presidente Dilma Rousseff: queria convencê-la de que o suporte que poderá vir a dar a Serra na eleição deste ano não compromete os entendimentos já firmados por ele com o governo federal nem os acertos entre PT e PSD pelo País afora.

O encontro não estava previsto na agenda presidencial, que foi alterada no início da noite para a inclusão do compromisso. Naquele dia, a agenda de Dilma previa apenas despachos internos. A mudança de última hora foi interpretada por petistas como um sinal claro não apenas de que Serra está cada vez mais inclinado a disputar a eleição como também de que Kassab estava preocupado com os efeitos dessa mudança de cenário.

O prefeito de São Paulo, bem como boa parte dos que ingressaram no PSD, fazem um movimento de migração da oposição para a situação, tanto na esfera federal como nos Estados e municípios. Kassab vê na aproximação com o petismo um futuro político mais próspero do que na órbita tucana. O único entrave para uma mudança completa de lado é justamente a dívida de gratidão que tem com José Serra, de quem foi vice-prefeito e quem o projetou na cena política.

Os petistas que travaram contato com Kassab na última semana disseram ao Estado que o prefeito parecia abatido e afirmaram ter ficado com a impressão de que ele preferia o ex-governador fora da disputa, inclusive porque vislumbrava, com o PT, um horizonte mais límpido para 2014, no qual teria boas chances de assegurar a vaga de postulante ao Senado ou a vice-governador, algo mais incerto no PSDB, onde permanecem as rusgas entre serristas e alckmistas.

Com um pé na canoa petista e outro na canoa tucana, o prefeito tende a ser visto com desconfiança pelos dois lados porque não deixa claro em que campo pretende estar nas eleições de daqui a dois anos. A ambiguidade, porém, também pode aumentar o valor de seu futuro apoio.

Serra
A ao menos duas pessoas Kassab relatou uma mesma versão de um diálogo que afirmou ter mantido com Serra. Segundo o prefeito, o tucano se sente pressionado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) e vê uma tentativa de parte do partido de jogar em suas costas a responsabilidade de uma eventual derrota no pleito de outubro, caso opte por não concorrer.

De acordo com o relato dos que conversaram com Kassab, o prefeito disse que seus gestos de aproximação com o PT despertaram em Alckmin o medo de que uma eventual vitória petista nas eleições municipais não apenas comprometesse sua reeleição em 2014, mas também colocasse em xeque a própria existência do PSDB no Estado onde está sua maior trincheira de resistência.

Na avaliação de Kassab, foi o que deflagrou a operação de convencimento de Serra gestada no Palácio dos Bandeirantes em reunião entre Alckmin e aliados próximos. A partir de então, alckmistas e serristas passaram a pressionar diariamente Serra.

Voltei
Acho que todos já superamos a era de certa inocência, e alguns procedimentos que marcaram o jornalismo no passado precisam ser modernizados. Um deles é justamente o que chamo de “meio-off”. No “off total”, o repórter põe a informação para circular e não dá pista nenhuma da origem. A fonte simplesmente não quer aparecer. O que lhe interessa é a divulgação da notícia. Esta outra modalidade é caracterizada por um maneirismo: o jornalista conversa com a “fonte A”, só que esta prefere não aparecer; dissesse certas coisas da própria voz, poderia haver alguma crispação. Então se recorre a esse truque do “Fulano disse a interlocutores…” Não! Em quase 100% das vezes, disse mesmo foi ao jornalista.

Não estou aqui para estragar as prestidigitações de ninguém. Só estou dando a informação jornalisticamente relevante de como costumam ser as coisas. Pode até ser que o que vai acima não tenha mesmo saído da boca do próprio Kassab. Se foram seus “interlocutores” que revelaram essa tão bem-amarrada urdidura, o prefeito precisa tomar mais cuidado com os petistas. Que gente bocuda, né? Ele sai fazendo confidências políticas, e eles saem contando tudo para jornalistas?

Se os “interlocutores” de Kassab reproduzem a verdade do que ele disse, então estamos diante de um líder partidário que apoiaria a eventual candidatura Serra não com o entusiasmo de quem verá seu próprio legado defendido numa campanha, mas com o tédio de quem vê retardado seu projeto político de adesão ao governo. Nesse caso, a melhor coisa que poderia acontecer ao prefeito seria assistir à derrota de seu aliado — ou já seria prudente começar a escrever “antigo aliado”?

Se Kassab disse mesmo a seus “interlocutores” que a sua aproximação com o PT despertou em Alckmin o temor de uma derrota em 2014 e até mesmo o temor da extinção (!) do PSDB em São Paulo, então se deve entender que a eventual candidatura Serra deixa o prefeito meio contrariado porque não será, por enquanto, sei lá como chamar…, esse eventual agente de extermínio de um partido de oposição no maior estado da federação?

Sigamos adiante com as ilações decorrentes das revelações desses “interlocutores” que falam demais. Deve-se concluir também que, desde o início, a exigência de que o PSD tivesse o titular da chapa numa eventual composição com o PSDB era só um preço alto o bastante para afastar um lado (os tucanos) e se ligar ao outro, o PT? Só isso explicaria o “abatimento” do prefeito, percebido por seus “interlocutores”.

Finalmente, observo que esses “interlocutores” estão fazendo de tudo para que Kassab caia mesmo no colo do PT, não é? Notem que eles (ah, como essa gente fala!!!) caracterizam a eventual aliança com Serra como um sacrifício para o “projeto” do prefeito. E, curiosamente, sacrifício tanto maior se o tucano realmente vencer a disputa, situação que o colocaria, obviamente, com mais força no cenário nacional, seja lá para o que for. Se derrotado, Serra ficaria numa situação obviamente difícil, e a dívida, como diriam aqueles “interlocutores”, já estaria paga.

Eu diria que os “interlocutores” estão fazendo de tudo para desestimular Serra a se candidatar, sugerindo que Kassab não vai se animar tanto assim na disputa. Eles não querem  Serra de jeito nenhum! Vai que a oposição sobreviva…

Por Reinaldo Azevedo

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Fonte:
Blog Augusto Nunes (veja.com.br)

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