A Venezuela, Dilma, Mujica, o “Porco Fedorento” e um fundamento moral dos esquerdistas: pode matar pessoas nas ruas, desde que s

Publicado em 16/03/2014 10:39 e atualizado em 05/06/2014 16:08 1786 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

A Venezuela, Dilma, Mujica, o “Porco Fedorento” e um fundamento moral dos esquerdistas: pode matar pessoas nas ruas, desde que sejam as pessoas certas…

A artista gráfica venezuelana Calavera teve um ideia simples, objetiva, clara e eficiente: confeccionou cartazes que lembram o que diziam ontem alguns líderes latino-americanos e o que dizem hoje; o que chamavam, no passado, de “ditadura” e o que chamam, no presente, de democracia. Ainda que haja alguma imperfeição na análise (já explico por quê), as peças são poderosas. Expõem, de maneira desconcertante, a duplicidade moral das esquerdas. As estrelas dos cartazes são os presidentes Dilma Rousseff (Brasil), José “Pepe” Mujica (Uruguai) e Cristina Kirchner (Argentina). Vejam as imagens. Volto em seguida.

Ditadura -democracia - Dilma

Ditadura - democracia - Pepe

Ditadura-Democracia Cristina

Dilma e Mujica são ex-presos políticos. Na sua biografia oficial, consta que combateram a ditadura militar de seus respectivos países. É o passado que aparece em preto e branco, na metade à esquerda da montagem. Vemos ali forças de segurança reprimindo manifestações de rua. O tempo passou, os dois abandonaram a luta armada e se tornaram presidentes da República por intermédio do voto direto. E, ora vejam, são apoiadores incondicionais de uma ditadura, não exatamente militar, mas militaresca.

Que se note: mesmo os regimes militasres mais discricionários da América Latina não contaram com milícias civis armadas em larga escala, como as que atuam hoje na Venezuela. Havia, sim, grupos paramilitares assassinos — e isso é lixo político e moral, como sabe qualquer pessoa razoável. Mas tinham um alcance menor do que o esquema montado pelo chavismo na Venezuela. Em 21 anos, a ditadura militar brasileira fez, em números superestimados, 424 vítimas — incluindo os guerrilheiros do Araguaia. Por razões comprovadamente políticas, são 293 as vítimas. Houve tortura, assassinatos, desaparecimentos. Não se trata de dizer se é muito ou pouco. É só absurdo! Quem, já rendido, morreu nas mãos do estado foi vítima de um crime. Mas sigamos. Em pouco mais de um mês — os protestos na Venezuela começaram no dia 4 de fevereiro —, o próprio governo admite que já morreram 28 pessoas.

Não me surpreende: a esquerda sempre soube ser mais letal. Ora, como ignorar que os grupelhos extremistas no Brasil, meia dúcia de gatos pingados, mataram pelo menos 120 pessoas — nessa lista, não estão mortos em combate, não! Essas 120 pereceram em ataques terroristas. E aqui lembro a única imperfeição da arte de Calavera, embora isso não diminua a pertinência do seu trabalho: os que hoje protestam na Venezuela estão, de fato, pedindo democracia. Não era o caso de Dilma. Não era o caso de Mujica. Eles eram terroristas e pretendiam implementar em seus respectivos países uma ditadura comunista.

Assim, a luta do povo venezuelano, hoje, é muito mais moral do que eram a de Dilma e a de Mujica. Eles queriam ditaduras com sinal trocado. A população da Venezuela quer um regime democrático. No passado, era possível repudiar a “luta” da dupla também por bons motivos, Tratava-se do confronto de forças opostas em si, mas combinadas na malignidade. No caso venezuelano, no entanto, não: opor-se às reivindicações da população corresponde a renegar o regime de liberdades públicas. Ou por outra: Dilma e Mujica continuam a se alinhar com a ditadura.

A VEJA desta semana traz uma excelente reportagem sobre a Venezuela. Um dos textos, sobre Che Guevara, o “Porco Fedorento”, vai ao ponto. Ilustra de modo inequívoco, a farsa moral esquerdista. Observem como a linha de, vá lá, raciocínio de Che é a que orienta hoje a escolha de Dilma, Mujica, Cristina e outros “líderes” latino-americanos. Reproduzo o texto, publico um vídeo e volto para encerrar.
*
Imagine qual seria a reação se, em 1974, o general presidente do Brasil Emílio Garrastazu Médici ocupasse a tribuna diante da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, e afirmasse: “Temos que dizer aqui o que é uma verdade conhecida. Torturas, sim! Temos torturado: torturamos e vamos continuar torturando enquanto for necessário”.

Médici seria, justamente, execrado como um ditador. Em dezembro de 1964, porém, o argentino Ernesto Guevara, que, com o apelido de “Che”, ajudou Fidel Castro no triunfo do golpe comunista em Cuba, foi à ONU e confessou: “Nosotros tenemos que decir aquí lo que es una verdad conocida: fusilamientos, sí, hemos fusilado; fusilamos y seguiremos fusilando mientras sea necesario”.

Já se passavam seis anos da tomada do poder pelos comunistas em Cuba, e Guevara confessava que continuava em plena operação e sem data para arrefecer sua máquina de assassinatos políticos na prisão de La Cabaña. Seis anos de execuções sumárias de vítimas que chegavam ao paredão exauridas, pois delas se tirava até parte do sangue para transfusões.

Seis anos, e dissidentes continuavam a ser fuzilados. Guevara foi o único guerrilheiro a matar muito mais gente de mãos atadas e olhos vendados do que em combate — que, ao contrário da lenda, ele evitava ainda mais do que o banho. Qual foi a reação naquele instante em que permaneciam na audiência uma maioria de representantes de países “não-alinhados”, eufemismo para “pró-soviético”? Guevara foi aplaudido por 36 segundos.

No New York Times do dia seguinte, o redator, mesmerizado, fingiu que não ouviu a confissão de assassinato de Guevara, descrito como “versátil”, “economista autodidata” e “revolucionário completo”. A duplicidade ética não é uma exclusividade das esquerdas. Apenas elas são inexcedíveis nesse truque que, apesar de velho, ainda funciona. O ensurdecedor silêncio enquanto jovens mártires venezuelanos são torturados e mortos nas ruas é prova disso.

Para encerrar
Vejam esta foto.

Raúl Castro

Este que está pondo a venda nos olhos do rapaz que vai ser executado é Raúl Castro quando jovem. O tarado moral é hoje presidente de Cuba. Era um dos mais eloquentes na solenidade que marcava um ano da morte de Chávez, há alguns dias. Foi nesse evento que Nicolás Maduro convocou as milícias armadas a sair às ruas.

Com o apoio de Dilma.
Com o apoio de Mujica.
Com o apoio de Cristina, entre outros.

Não é que esses gênios morais sejam contra matar gente. Eles se opõem a que se matem apenas as pessoas erradas, entenderam?

Por Reinaldo Azevedo

 

O Mané Garrincha, de Brasília, estádio mais caro do país, tem indícios de superfaturamento de R$ 431 milhões

Por Felipe Coutinho, na Folha:
A reforma do estádio Mané Garrincha, a arena mais cara da Copa do Mundo, tem indícios de superfaturamento de R$ 431 milhões, segundo análise do Tribunal de Contas do Distrito Federal. Segundo levantamento feito por técnicos do tribunal, o superfaturamento é resultado de uma série de irregularidades, como compra indevida de material, cálculo equivocado no custo de transporte, além de abono de multa pelo atraso na entrega da obra e atraso na solicitação de descontos na cobrança de impostos prevista em lei.

Os contratos analisados pela área técnica do tribunal dão pistas de como o custo do estádio dobrou desde o início da obra, passando de R$ 700 milhões, em 2010, para os atuais R$ 1,4 bilhão. Um dos exemplos para entender o gasto excessivo “sem mais esforços”, segundo os técnicos, é o cálculo de transporte de materiais pré-moldados no canteiro de obras. A fábrica dessas peças fica a 1,5 km do estádio, na capital federal, mas o custo de transporte foi calculado como se tivessem sido transportados de Goiânia a Brasília, uma distância de 240 km.

O custo de transporte cobrado do governo do DF foi de R$ 592 por metro cúbico desses materiais, quando para os auditores deveria ser de apenas R$ 3,70. Somente neste caso, o prejuízo estimado foi de R$ 879 mil. ”Sem mais esforços, percebe-se que os custos foram superestimados, pois o transporte de pré-moldados ocorre dentro do próprio canteiro de obras. A utilização de custo de transporte Brasília-Goiânia’ é totalmente inadequada para o serviço, não merecendo comentários adicionais para a reprovação do método”, diz o relatório. O superfaturamento de R$ 431 milhões em discussão pelo tribunal é o somatório das irregularidades apuradas em cinco processos. Os valores apontados na auditoria ainda podem aumentar porque o cálculo foi feito com base em análise de julho de 2013.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Eduardo Cunha: PT não tem projeto de aliança, mas de hegemonia

Por Natuza Nery, na Folha:
Pivô da mais tensa crise de Dilma Rousseff com o Congresso, o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), afirmou abertamente à Folha o que muitos aliados do governo dizem nos bastidores: “A presidente faz política, mas a má política, a política do confronto.” Expoente do “blocão”, grupo de congressistas de diversos partidos que, em votações, se posiciona contra o governo, ele reserva críticas fortes ao PT: diz que a sigla “não tem projeto de aliança, mas de hegemonia”. Leia trechos da entrevista:

Folha – Dilma aceitou dois nomes do PMDB para ministérios. A bancada está satisfeita?
Eduardo Cunha – A presidente não aceitou dois nomes do PMDB, ela indicou dois nomes dela. Se for do PMDB, será por acaso. A bancada abriu mão, disse que não queria indicar, não indicou.

Não indicar significa romper?
Rompimento é outra coisa. Continuamos na base. O PMDB não vai participar de votação que prejudique as contas públicas. O que a gente colocou é que havia especulação pública por cargos. Como se o PMDB estivesse brigando para ter mais cargo, menos cargo. Aquilo estava incomodando a bancada. A decisão foi: cansamos de sermos bancados como fisiológicos.
(…)
Quem provocou a crise?
O presidente do PT, quando quer colocar na gente pecha de fisiologista atrás de cargos e outros tipos de favores.
(…)
Na última reunião de Dilma, Lula e equipe, ficou definido como estratégia isolar o sr.
Não é uma superdimensão do meu papel? Será que não estão buscando centrar no inimigo algo que não existe para disfarçar a raiz do verdadeiro problema? Quando Rui Falcão [presidente do PT] fala em chantagem, toma lá, dá cá, o que ele tem a dizer do que eles oferecem a outros partidos para cooptar? Ou você acha que determinado partido deixou aliança porque foi convencido, achou bonito, ou porque foi cooptado? Isso não é toma lá, dá cá?

Existe risco de rompimento?
Só a convenção pode dizer.

Os ministros que cuidam da articulação são hábeis?
Quem cuida da articulação política? Preciso saber primeiro, é bom me informar. Não sei quem está fazendo articulação. Se alguém não está fazendo, é porque a presidente não delegou. É uma variação daquele filme: Atenção, senhores passageiros, o articulador político sumiu’.

Dilma não faz política?
Faz política, mas a má política, a política do confronto.

Como fazer para o PMDB perder a imagem de fisiológico?
É ter um candidato a presidente e ganhar eleição.

Então a bancada é só metade fisiológica?
Da minha parte pode entregar todos, se for essa a vontade da bancada. A bancada até quis deliberar isso, se você quer saber. Optar por entregar os cargos aí sim significa ruptura. Os espaços mínimos que o PMDB ocupa no governo, inferiores ao que tinha com Lula quando nem fazia parte da aliança eleitoral, assim são porque apoiamos a eleição. Isso não é fisiológico. O que é fisiológico é fazer toma lá, dá cá. Por isso temos que disputar a presidencial.

E há candidato?
Infelizmente, não.

Por Reinaldo Azevedo

 

Despesa para conter luz e combustível já é igual a gastos sociais

Por Raquel Landim, na Folha:
Os gastos para evitar reajustes na conta de luz, na gasolina e no diesel às vésperas das eleições presidenciais podem chegar a R$ 63 bilhões neste ano, conforme cálculo feito pelo CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura) a pedido da Folha. O valor disparou em proporção do PIB (Produto Interno Bruto) no governo da presidente Dilma Rousseff, saindo de 0,29% em 2011 para 1,19% neste ano.

Para especialistas, os subsídios drenam o caixa da Petrobras, derrubando os investimentos e o preço das ações da estatal, prejudicam o setor de etanol com a concorrência desleal entre álcool e gasolina e estimulam o consumo de eletricidade em época de risco de racionamento. A Petrobras não comenta. O Ministério de Minas e Energia sustenta que o socorro ao setor elétrico é um empréstimo, já que o Tesouro será ressarcido nos próximos cinco anos.

Os desembolsos desses subsídios serão feitos, direta ou indiretamente, pela Petrobras (R$ 42 bilhões), que banca a diferença entre os preços dos combustíveis praticados no exterior e no Brasil, pelo Tesouro (R$ 13 bilhões), que vai cobrir parte do rombo das distribuidoras de energia, e pelos bancos (R$ 8 bilhões) que financiarem a CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica).

A câmara, que pertence às empresas e atua na regulação do mercado, vai captar recursos para ajudar as distribuidoras, com o compromisso de que as tarifas de luz serão reajustadas a partir de 2015 para pagar os empréstimos. “O rombo no setor de energia seria suficiente para dobrar os investimentos públicos, uma das grandes frustrações do país”, diz Mansueto de Almeida, especialista em finanças públicas. No ano passado, o governo investiu R$ 63,2 bilhões, incluindo o Minha Casa, Minha Vida.

Os gastos para evitar o encarecimento da energia são quase iguais aos da assistência social, incluindo o Bolsa Família (R$ 62,5 bilhões), e superam os desembolsos com seguro desemprego e abono salarial (R$ 46,4 bilhões).
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Justiça suspende licitação bilionária de ônibus do DF, talvez a mais cheia de vícios e ilegalidades da história. Agnelo Queiroz atingiu o estado da arte!

Agnelo: talvez a licitação mais absurda história republicana

Agnelo Queiroz: talvez a licitação mais absurda história republicana

Por Marcela Mattos, na VEJA.com:
A Justiça Federal acatou pedido do Ministério Público e suspendeu, em decisão liminar, uma licitação bilionária conduzida pelo governo do petista Agnelo Queiroz para substituir as empresas de ônibus que controlam todo o transporte do Distrito Federal (DF). O juiz Antônio Cláudio Macedo da Silva, titular da 8ª Vara, suspendeu os repasses de recursos do BNDES e do Finame – Agência Especial de Financiamento Industrial – a contratos que beneficiaram a Viação Piracicabana e a Viação Marechal. As ações serviam para favorecer o fundador da companhia aérea Gol e dono de grupo de transportes coletivos, Nenê Constantino. A sentença foi proferida na última sexta-feira. Ao todo, foram licitadas cinco bacias, com a previsão de troca de toda a frota de ônibus. O negócio renderia aos empresários do setor quase 10 bilhões de reais em dez anos.

A suspensão foi baseada na participação do escritório dos advogados Guilherme Gonçalves e Sacha Reck no processo, responsáveis por elaborar os julgamentos de habilitação e classificação em nome da Comissão de Licitação ao mesmo tempo em que advogavam para empresas participantes – e vitoriosas – do edital. A Justiça Federal acatou denúncia que afirmava que a atividade de consultoria do escritório na licitação “ultrapassou a função de mera consultoria, atuando como efetivos julgadores dos atos relacionados ao processo licitatório” e concluiu que o advogado Sacha Reck participou na elaboração da ata de apresentação dos envelopes.

Além disso, a empresa que iniciou os trabalhos de elaboração do edital, a Logitrans, tem entre seus diretores o pai do advogado Sacha Reck, Garrone Reck. A atuação dos dois já era conhecida: por ato idêntico ao praticado no DF, os dois tiveram os bens bloqueados a pedido do Tribunal de Justiça do Paraná e estão sendo investigados no Estado por improbidade administrativa e fraudes em licitação.

Além do direcionamento do edital, ficou constatado o superfaturamento das tarifas em razão da ausência de competitividade. O parecer aponta ainda que documentos essenciais para o processo licitatório foram sonegados dos órgãos fiscalizadores. Na contestação, o governo do Distrito Federal alegou que as propostas vencedoras eram vantajosas e considerou irrelevantes as ações contra Sacha e Garrone Reck.

Na decisão, o juiz Antônio Cláudio da Silva fez duras críticas à condução da licitação. “Com efeito, são inúmeras irregularidades que comparecem no processo licitatório. E a primeira pergunta que se impõe é: qual tipo de administração pública queremos? Transparente ou patrimonialista?”, disse em seu parecer. “No Brasil que já promoveu o impeachment de um presidente da República sem abalar as instituições políticas do Estado Democrático de Direito na carta de 1988; que já trocou de padrão monetário diversas vezes, mas alcançou a dignidade da cidadania monetária, venho repetindo o absurdo de um processo licitatório que não pode ocorrer no coração da República”, continuou.

O conflito de interesses está demonstrado e só vem a confirmar a fragilidade dessa licitação. O pior de tudo é que a promessa de melhoria de transporte não acontece. O edital beneficia os empresários, mas não a população”, afirmou a deputada distrital Celina Leão (PDT-DF), autora da ação civil pública contra o processo licitatório.

Por Reinaldo Azevedo

 

CADEIA DE GENTE DIFERENCIADA – Dirceu, na Papuda, tem até podólogo à disposição

DENTRO DA PAPUDA - Condenado a sete anos e onze meses de prisão por crime de corrupção, o ex-ministro José Dirceu passa a maior parte do tempo na biblioteca do presídio

DENTRO DA PAPUDA – Condenado a sete anos e onze meses de prisão por crime de corrupção, o ex-ministro José Dirceu passa a maior parte do tempo na biblioteca do presídio

José Dirceu está na cadeia. Mas não tem muito do que reclamar. Reportagem publicada na revista VEJA desta semana, com fotos exclusivas que retratam a rotina do presidiário mais ilustre da Papuda, informa que o ex-ministro tem direito a alimentação especial, horários diferenciado de visitas e, vejam só!, podólogo!. Leiam trecho da reportagem de Rodrigo Rangel.
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Ninguém em sã consciência pode imaginar que um criminoso condenado, privado temporariamente da liberdade, cumprindo pena em uma cadeia povoada por milhares de outros tipos de bandidos, leve uma boa vida. No máximo, a vida pode ser um pouco menos amarga. O homem que aparece acima foi um dos mais influentes parlamentares do Congresso, o ministro mais poderoso do governo Lula e um dia alimentou o sonho de substituir o chefe no Palácio do Planalto. Na foto, José Dirceu de Oliveira e Silva, ex-pre­sidente do PT, ex-chefe da Casa Civil e condenado por liderar um dos maiores esquemas de corrupção da história política do Brasil, é apenas o preso número 95?413 em uma cena que agora faz parte da rotina dele e de outros mensaleiros.

Num país em que a impunidade de gente poderosa sempre foi uma tradição, a imagem tem um magnífico valor simbólico. Reforça que é possível colocar e manter corruptos influentes na cadeia. Reforça que os ladrões de dinheiro público não estão acima da lei. Reforça que as instituições democráticas funcionam apesar da pressão e da tentativa recorrente de sabotá-las. A imagem, porém, também serve para advertir que, apesar de tudo isso, a vigilância tem de ser permanente.

É a primeira vez que o ex-ministro é mostrado dentro da penitenciária, num ambiente que foi cuidadosamente preparado para recebê-lo. Para fugir da rotina lúgubre do cárcere, José Dirceu, visivelmente mais magro, com os cabelos aparados e usando roupa branca, como determina o regulamento do presídio, passa a maior parte do dia no interior de uma biblioteca onde poucos detentos têm autorização para entrar. Lá, ele gasta o tempo em animadas conversas, especialmente com seus companheiros do mensalão, e lê em ritmo frenético para transformar os livros em redações, o que lhe pode garantir dias a menos na cadeia.

O ex-ministro só interrompe as sessões de leitura para receber visitas, muitas delas fora do horário regulamentar e sem registro oficial algum, e para fazer suas refeições, especialmente preparadas para ele e os comparsas. Os 10?326 presos da Papuda recebem marmitas produzidas em escala industrial por uma empresa prestadora de serviços. Já os mensaleiros têm direito a um cardápio próprio. O Brasil, como se sabe, também é a terra dos privilégios.
(…)
Para ler a continuação dessa reportagem compre a edição desta semana de VEJA no IBA, no tablet, no iPhone ou nas bancas

Por Reinaldo Azevedo

 

PT quer esmagar o PMDB, diz Pedro Simon

Na sexta, na minha coluna na Folha, publiquei um texto intitulado “Viva a guerra!”, sobre a crise entre o PMDB e o PT. Leem-se lá afirmações como estas (em azul):
(…)
Ignorar que o conflito em curso é também expressão das tentações hegemônicas do petismo, como deixam claro os palanques estaduais, corresponde a abandonar o jornalismo em benefício da fofoca ou do cumprimento de uma tarefa. O PMDB é o próximo alvo dos petistas caso Dilma se reeleja. O poder, como o entendem os companheiros, só pode ser exercido quebrando a espinha do principal aliado.
A essência da proposta de reforma política do PT, por exemplo, que está prestes a ser feita no tapetão do STF por iniciativa da turma de Luís Roberto Barroso –refiro-me ao financiamento público de campanha–, busca, no médio prazo, destroçar o PMDB. É uma aspiração compatível com os marcos teóricos da companheirada. Só não vê quem não sabe. Finge não ver quem já sabe.
(…)

Retomo
Ainda que por outros caminhos e com uma inflexão ideológica muito diferente da minha, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) chega à mesma conclusão: a crise em curso é fruto do esforço petista para esmagar seu principal aliado. Leiam a entrevista concedida pelo senador à repórter Marcela Mattos, da VEJA.com.
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Aos 84 anos, o gaúcho Pedro Simon é um dos políticos que mais conhecem o PMDB, partido que ajudou a criar em 1980 como sucessor do antigo MDB, agremiação de oposição à ditadura militar após o golpe de 1964. Simon coleciona histórias em sua vida pública: foi ministro da Agricultura, governador do Rio Grande do Sul e está há três décadas no Senado. Foi um dos poucos políticos peemedebistas a votar contra os governos Lula e Dilma Rousseff. Hoje, com planos de deixar a vida pública no final do ano, ele vê com ceticismo a ameaça do seu partido de deixar o barco petista e romper a aliança com Dilma: “Podia até ter o rompimento, mas a expectativa dos cargos é muito grande para mudar de lado. Hoje o governo está tão misturado ao PMDB que não é fácil em uma convenção querer mudar os rumos”. Simon afirma não simpatizar com o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), líder da bancada na Câmara, que comanda uma rebelião na base governista. Mas admite méritos ao colega pelas derrotas impostas ao Palácio do Planalto: “É o tipo da coisa que nunca se conseguiu mexer. Mas ele jamais vai ser meu representante, não identifico nele coisa nenhuma”. Leia trechos da entrevista ao site de VEJA.

Qual a avaliação do senhor essa rebelião do PMDB?
O grande erro do PMDB é não se colocar como um grande partido. Nós elegemos governadores pelo Brasil, temos o maior número de filiados e a segunda maior bancada do Congresso. Mas o PMDB, ao longo dos últimos anos, corta as próprias pernas para não caminhar.

De que forma o partido se prejudica?
Nós não vamos ter candidato a presidente da República, embora o [Michel] Temer venha demonstrando o controle no governo ao ajudar a Dilma a não implodir. Enquanto isso, o PT faz uma aliança conosco, mas não nos deixa governar ou participar. O PT quer esmagar, quer esvaziar o PMDB. Na reforma ministerial, por exemplo, as trocas dos mais importantes ministérios foram feitas sem nos avisarem. E mais: temos o líder do partido no Senado, Eunício Oliveira, candidato ao governo no Ceará com ampla maioria nas pesquisas, e a Dilma quer colocar como ministro tampão apenas para tirá-lo do páreo porque ela quer apoiar o Ciro Gomes e o irmão dele. Isso é grosseiro. É uma paulada que está sendo dada no PMDB. Mas o partido permite isso e não se impõe.

O PMDB, então, tem parcela de culpa na crise?
Estamos sim em uma crise, mas, com toda a sinceridade, não acho o PMDB culpado. O PT está jogando baixo: quer crescer para 120 deputados na Câmara e nos deixar com 40. Isso não é uma política de aliança, é uma política de subserviência. Os outros partidos apenas fazem figuração. Mas o PMDB, principalmente o do Senado, tem sido chamado de fisiologista. Eu sou um dos integrantes do PMDB que mais têm restrições à cúpula do partido. Eu acho que eles se entregam fácil para o governo, perde méritos por cargo, não apresenta candidato, tem mil coisas. Mas o que está havendo é o PT querendo massacrar o PMDB. De governo importante, hoje só temos o Rio de Janeiro, e agora os petistas já estão na disputa. O fisiologismo é do PT.

No final das contas, o que o PMDB quer com essa rebelião?
Nossos ministérios, principalmente Turismo e Agricultura, são uma piada. Turismo, aliás, acho que nem ministério deveria ser. Temos sim o de Minas e Energia, que é importante, mas só temos o ministro. Nem o chefe de gabinete é nosso. Afinal, quem é que manda? O PT também se queixa, está uma revolta total com a presidente. Não acho que a briga por ministérios seja fundamental, mas a Dilma quis fazer. No momento em que ela nomeia um monte de ministros do PT e começa a fazer leilão dos cargos, pedindo indicação de nomes, ela fez descaradamente uma discriminação com outros partidos. Se o PMDB estivesse se vendendo, tinha de pelo menos ganhar um valor maior. Mas é bem verdade que o partido perdeu a capacidade de luta e está se acomodando.

Como o sr. acha que o PMDB deveria reagir?
Agora nós estamos correndo contra o tempo. Podia até ter o rompimento, mas a expectativa dos cargos é muito grande para mudar de lado. Hoje o governo está tão misturado com o PMDB que não é fácil em uma convenção querer mudar os rumos. Não temos como fazer uma candidatura própria em tão pouco tempo. Todo mundo está com a bandeira [do partido] no bolso. Ninguém ergue a bandeira. Tem de esperar a Dilma se eleger, para então se reunir para dizer o que nós iremos apoiar. Não se pode nem dar palpite. O PMDB está em um mato sem cachorro. Pode até ganhar mais ministérios, mas isso não resolve nada.

A atuação do Eduardo Cunha representa a vontade do partido?
Eu nunca gostei muito do Eduardo Cunha. Ele sempre quer fazer esquema, é muito mal comentado. Ele quer ministério, quer ser ouvido, mas os pleitos dele são normais. Mas não o identifico com as causas ou bandeiras do PMDB. As pessoas têm muita restrição a ele e ao modo dele de fazer política. Isso causa um certo desconforto, ele não se identifica com a área mais progressista do partido e não é o líder que a linha mais antiga do partido gostaria. Mas isso não significa que ocasionalmente ele não represente a posição do partido contra a prepotência da presidente. Sozinho, ele consegue formar um bloco e convocar dez ministros de uma vez. Não me lembro na história do Congresso da convocação de dez ministros na mesma Casa em um só dia. É o tipo da coisa que nunca se conseguiu mexer. Mas ele jamais vai ser meu representante, não identifico nele coisa nenhuma.

Essa crise pode ter algum beneficio?
Não é bom nem para o PMDB nem para a Dilma. Com isso acontecendo, é enorme o tempo que vai se perder nessa composição, nessa costura, e nas madrugadas para dialogar e resolver isso. Sem contar as escolhas precipitadas dos ministros, que Dilma faz pela indicação, não pela qualidade ou competência. Acho que ninguém ganha.

O sr. será candidato neste ano?
Eu acho que não. Eu estou muito velho. Para mim, o Senado não vai fazer falta. Cansei disso, foram 32 anos. Uma vida.

Por Reinaldo Azevedo

 

Táxis fora do corredor: mais uma decisão estúpida da Prefeitura de SP, com o aval do Ministério Público

Viva o arranca-rabo de classes! Os táxis não poderão mais circular nos corredores de ônibus nos chamados horários de pico: das 6h às 9h e das 16h às 20h. A proibição começa a valer no dia 14 de abril.

Resultado óbvio: na prática, isso reduz a quantidade de táxis à disposição dos passageiros, uma vez que ficarão presos nos congestionamentos. Também vai aumentar o número de carros particulares nas ruas. Motivo: quem tem carro e usa táxi — é o meu caso, por exemplo — escolhe a rapidez. Ora, se é para ficar no engarrafamento, por que tenho de ouvir a música que não escolhi, conversar com a pessoa que não escolhi e andar no carro que não escolhi? Vou com o meu — sim, leitor, alguém vai dirigindo; não sei nem ligar o troço.

É uma decisão estúpida. O sensato seria fazer outra coisa: permitir que táxis trafeguem por corredores e faixas, com ou sem passageiros, a qualquer hora. Isso provocaria, na prática, um aumento de táxis à disposição, baratearia as corridas, levaria muita gente a deixar o próprio automóvel em casa.

A Prefeitura que não venha com a cascata de que fez isso pressionada pelo Ministério Público. O MP só entrou nessa história depois de um estudo oficial ter lançado a cascata de que os táxis tornam mais lentos os corredores — 6% mais lentos, se não me engano.

“Ah, é um meio de transporte da minoria.” Pode ser! Uma grande minoria. Estima-se em mais de 30 mil os táxis na cidade. Cada um faz uma média de 12 a 15 viagens por dia. Façam as contas. Boa parte dos usuários, insisto, tem carro, mas prefere deixá-lo em casa. Quem vai se meter num táxi sabendo que pode ficar parado por uma hora no congestionamento? Pode ser mais barato encher o tanque de gasolina.

A única coisa que me conforta é a possibilidade de o eleitor apresentar a conta para este impressionante Fernando Haddad em 2016 e para Alexandre Padilha, já neste 2014.

Por Reinaldo Azevedo

 

Convidado a falar no Congresso, Tuma Jr. tem a casa alvejada por tiros

Por Robson Bonin, na VEJA.com:
Desde que lançou o livro Assassinato de Reputações – Um crime de Estado, o ex-secretário Nacional de Justiça Romeu Tuma Júnior se tornou alvo prioritário do petismo instalado no governo da presidente Dilma Rousseff e das alas radicais do partido atuantes na internet. Tuma Jr. contou como o PT usava os órgãos do governo para forjar dossiês contra adversários políticos durante o governo Lula, revelou confissões do ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência, sobre os desvios de dinheiro na prefeitura de Santo André (SP) e abriu os arquivos ocultos da investigação sobre a conta secreta do mensalão no exterior. As revelações jogaram luz sobre pecados inconfessáveis do petismo. Com mais de 100.000 exemplares vendidos, o livro fomentou uma batalha entre governo e oposição no Congresso. O próximo embate será na Comissão de Segurança da Câmara, que irá interrogar o ex-secretário sobre as suas revelações. Tuma Jr. sabe o que o espera no Congresso e já foi devidamente advertido de que a pressão só irá aumentar.

Na noite de quarta-feira, horas depois de ter sido chamado a falar aos deputados, Tuma Jr. recebeu uma visita indesejada em sua casa. Passava das 20h quando a filha do ex-secretário surpreendeu um homem forçando o portão da residência da família em São Paulo. Ela gritou pelo ex-secretário, que é delegado da Polícia Civil aposentado. Tuma Jr. correu e escutou então dois disparos. Mas ao chegar na frente da casa só teve tempo de ver o agressor fugindo com outro comparsa em um carro. Os disparos atingiram a parede pouco acima de uma das janelas da casa. Para o ex-secretário, no entanto, o fato não foi isolado e só pode ter relação com o chamado ao Congresso. “Foi muito estranho. Nunca ninguém tentou nada parecido na minha casa. Só pode ter sido por causa da convocação no Congresso, porque aconteceu horas depois da divulgação na imprensa”, diz Tuma Jr.

Conforme revelou VEJA, Tuma Jr. afirma em seu livro que recebeu ordens enquanto esteve no cargo para “produzir e esquentar” dossiês contra adversários do governo Lula. Durante três anos, ele comandou a Secretaria Nacional de Justiça, cuja mais delicada tarefa era coordenar as equipes para rastrear e recuperar no exterior dinheiro desviado por políticos e empresários corruptos. Pela natureza de suas atividades, Tuma ouviu confidências e teve contato com alguns dos segredos mais bem guardados do país, mas também experimentou um outro lado do poder — um lado sem escrúpulos, sem lei, no qual o governo é usado para proteger os amigos e triturar aqueles que são considerados inimigos. Entre 2007 e 2010, período em que comandou a secretaria, o delegado testemunhou o funcionamento desse aparelho clandestino que usava as engrenagens oficiais do Estado para fustigar os adversários.

Tuma Jr. já havia recebido ataques por causa do livro antes, mas nada parecido com a ação da última quarta-feira. O possível atentado, no entanto, não vai, segundo ele, diminuir o ímpeto de denunciar os desmandos petistas no poder. “Eles não vão me intimidar.”

Por Reinaldo Azevedo

 

Beltrame admite: “Temos problemas de guerra no Rio”

Na VEJA.com:
No dia em que foi anunciada a morte de mais um policial militar na área de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), o secretário de Segurança do Estado, José Mariano Beltrame, afirmou que o Rio de Janeiro tem “problemas de guerra”. E, apesar de estar no cargo há sete anos, disse que isso acontece “porque assim deixaram”. Beltrame discursou nesta sexta-feira durante a formação de 470 agentes, na Zona Oeste da capital, e pediu que os recém-formados não desistam de lutar.

“Temos problemas de guerra no Rio de Janeiro, porque assim deixaram. Temos dificuldades, mas elas são os desafios. Sem segurança pública não prospera. Vocês estão em um estado onde a segurança pública é prioridade. Não há mais espaço para os parlamentares que comandam a nossa vida chegarem a um púlpito e não falar de segurança pública. O que vocês fazem na rua é garantir o direito democrático”, declarou.

Durante a cerimônia, Beltrame lamentou a morte do tenente Leidson Acácio Alves Silva, subcomandante da UPP Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão. Ele foi morto por bandidos com um tiro na cabeça, no fim da noite de quinta-feira, quando traficantes fizeram quatro ataques simultâneos a PMs em pontos diferentes da região. Momentos depois, um perfil no Facebook comemorou a crueldade, publicando uma foto do local, com as manchas de sangue no chão.

Bope
Em entrevista ao RJTV nesta sexta, o comandante-geral da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, coronel José Luís Castro Menezes, informou que o Batalhão de Operações Especiais (Bope) fará plantão no Alemão durante 24 horas, “enquanto for necessário”. A partir de sábado, a companhia de instrsução do Bope – grupamento que promove treinamento específico em ações táticas – com mais cem agentes vai auxiliar no policiamento e aprimorar a preparação dos policiais da UPP, de acordo com ele. Beltrame confirmou a operação e comentou a sequência de ataques às UPPs.

“Existem duas possibilidades (para as mortes). As situações de confronto, que são inevitáveis. E pessoas que ficam de tocaia, porque a estrutura urbana facilita isso, esperando o policial para fazer de maneira covarde e criminosa essas ações. O que estamos fazendo é levar a companhia de instrução do Bope ao Alemão. E estamos começando a partir de hoje à tarde uma série de operações em áreas que têm ligações diretas ou indiretas com o (tráfico do) Complexo do Alemão e Vila Cruzeiro”, afirmou.

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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