MST: invasão de propriedades produtivas como profissão. Ou: A seita marxista no campo

Publicado em 26/07/2014 18:52 e atualizado em 28/08/2014 13:57 1843 exibições
por Rodrigo Constantino, de veja.com.br

Lei e ordem

MST: invasão de propriedades produtivas como profissão. Ou: A seita marxista no campo

A revista Veja desta semana traz uma excelente reportagem sobre a ousadia do MST que, com o apoio de um grupo ligado ao PT, resolveu retomar a invasão de fazendas produtivas. Eis como Robson Bonin começa seu texto:

MST Veja

A empresa Araupel, uma das maiores indústrias de reflorestamento da região, que emprega um quarto da força de trabalho na cidade, corre o risco de fechar as portas. Um grupo de criminosos armados com facões e foices ocupou o local e se recusa a sair. Ao contrário: torce para que a polícia venha fazer cumprir a decisão da Justiça de reintegração de posse, para reagir, o que traria dividendos políticos em ano eleitoral: o governador do Estado é tucano.

O líder dos invasores, que atende pelo apelido de Cabeludo, é filho de assentados e descobriu na invasão de propriedades uma “profissão” – lucrativa, por sinal. É o dono de um supermercado que vende produtos aos assentados, e não esconde seu desejo de estrangular a empresa porque ela “exporta para os Estados Unidos”.

Em entrevista à Veja, seu autoritarismo vem à tona quando diz que a empresa tem direito de produzir celulose, mas em outro lugar: “Se ela quer plantar madeira para exportar para os Estados Unidos, que faça isso em outro lugar”. Quem decide? Ele, o Cabeludo, Danilo Ferreira, “dono do pedaço” e ditador autoproclamado.

Como o próprio criminoso reconhece, o MST é “tipo uma religião”. É sim: uma seita marxista, retrógrada, criminosa, que vive das verbas públicas, ou seja, do dinheiro dos nossos impostos. O PT, sob o comando do ministro Gilberto Carvalho, alimenta esse cordão umbilical há anos, fomentando o crime no campo (e agora nas cidades também, com o MTST, do mimado Guilherme Boulos, “filósofo” da USP).

A legião dos sem-terra vive da renda de programas sociais, como o Bolsa Família, o que retira gente do mercado de trabalho – trabalho de verdade, não invasão de propriedade alheia. A dona de um dos principais restaurantes da região invadida confessa: “Meu garçom, que ganhava 1.100 reais aqui, pediu a conta e está lá acampado agora. Como o governo dá de tudo para essa gente, por que trabalhar, né?”

De fato: nesse Brasil comandado pelo PT, em que o mérito é punido e a vagabundagem, o crime e a choradeira pública são premiados, por que trabalhar, não é mesmo?

Rodrigo Constantino

 

Economia

Recessão à vista! – coluna da Veja impressa

Em minha coluna da Veja desta semana, mostro como o Brasil já caminha rapidamente para uma recessão, apesar de um quadro de elevada inflação persistir. Segue um trecho do artigo. Para ler na íntegra, basta se tornar assinante aqui.

Recessão à vista - Veja foto

 

Rodrigo Constantino

 

Lei e ordem

A “trabalhadora” Sininho queria se exilar para colher dividendos políticos. Em Cuba? Na Venezuela? Não! Na Inglaterra!

Sininho em busca do socialismo… para os outros!

Essa esquerda radical nossa é mesmo patética. Vejam só: a tal Sininho, a ordinária que comandava a trupe de vagabundos mascarados, segundo denúncias da polícia, pretendia se “exilar” no exterior após a Copa. Ganha uma mariola mordida quem acertar o destino. Cuba? Venezuela? Faria sentido, pelo que ela pretende fazer com o Brasil, não é mesmo?

Mas não é nada disso. A mocinha planejavair para… a Inglaterra! Ia desfrutar das benesses do… capitalismo! Ia buscar uma segurança maior no… império das leis! Defende o socialismo caótico apenas para os outros, pois pimenta no olho dos outros é refresco. Vejam:

A advogada Eloísa Samy, que pediu asilo político ao Uruguai, na segunda-feira (21) não foi a primeira a cogitar sair do país. A produtora cultural Elisa Quadros Sanzi, a Sininho, tinha a intenção de se “exilar” na Inglaterra depois da Copa do Mundo. O tema foi discutido com advogados e com outros ativistas, mostram ligações telefônicas interceptadas pela polícia, em inquérito que fundamentou a denúncia por associação criminosa contra 23 militantes.

Numa das conversas, em 24 de junho, Elisa diz a um homem chamado Igor –provavelmente Igor D’Icarahy, que também deixou a prisão na noite desta quinta-feira (24)–, que está “pensando em exílio”. “Acho que vou aceitar ir para Inglaterra com Mohamed para fazer as denúncias do que está acontecendo aqui. Porque ia ser uma espécie de caos, né? Eu me exilar agora, depois da Copa, antes das eleições”, diz Elisa.

“Esperar é meio burrice. Mohamed naquela época falou isso, inclusive na frente do Marino. É melhor eu solta, fazendo as coisas. E exílio tem poder político muito forte. Imagina uma pessoa ser exilada agora, se a gente fizesse uma boa campanha, um escarcéu internacional. A perseguição que eu estou vivendo não vai acabar, Igor. Tinha um policial na porta da minha casa”, reage a ativista.

Ela completa: “O que é esse inquérito, ele vai até onde? Minha vida está virando uma espécie de inferno. Não estou conseguindo trabalhar, militar, fazer nada. É ameaça em cima de ameaça, ameaça de milícia, ameaça de policial. Se eu não for assassinada por um policial, eu vou ser presa, e aí?”

Notem que o “exílio” autoimposto serviria para colher dividendos políticos, renderia uma ótima campanha! Em seguida, reparem como ela alega não estar conseguindo trabalhar. Trabalhar? E qual é o trabalho desta jovem? Militância organizada? Ela chama isso de trabalho? “Ei, você trabalha com o quê? É médica? Advogada? Psicóloga? Economista?”. “Não, sou uma black bloc!”

É uma palhaçada isso tudo! O Brasil virou um circo mesmo. Não fosse aquele tal de Siro Darlan, essa moçoila estaria no único lugar que lhe cabe: a prisão!

Rodrigo Constantino

 

DemocraciaEconomiaPolítica

Caso Santander mostra como Brasil já se aproxima do bolivarianismo

O presidente do PT, Rui Falcão,afirmou na noite desta sexta-feira (25) que o banco Santander pediu desculpas pelo texto distribuído para correntistas em que descreve a reeleição da presidente Dilma Rousseff como uma ameaça à economia. Ele disse que foram feitas demissões na instituição.

“Já houve um pedido de desculpas formal enviada à Presidência. [...] A informação que deram é que estão demitindo todo o setor que foi responsável pela produção do texto. Inclusive gente de cima. E estão procurando uma maneira resgatar o que fizeram”, disse Falcão.

A militantes do PT do Rio, Falcão classificou o caso como “terrorismo eleitoral”. Mas afirmou que aceita as desculpas do banco.

“Aceito as desculpas do banco, mas isso não elide o que aconteceu. Isso é proibido. Instituições bancárias ou financeiras não podem fazer manifestações que interfiram na decisão do voto.”

Eis o documento que o banco enviou para cerca de 40 mil clientes:

Para quem não lembra, o Santander já passou por situação similar antes, quando demitiu seu economista-chefe, o ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman, que tinha discordado com veemência do então presidente da Petrobras em um evento.

Hoje, Sérgio Gabrielli foi condenado pelo TCU pelo prejuízo de quase US$ 800 milhões causado à estatal na compra da refinaria no Texas, enquanto Schwartsman tem uma consultoria independente que tem acertado com precisão vários alertas sobre a inflação elevada no país.

A decisão de demiti-lo, na época, foi política: a Petrobras é um enorme cliente do banco, e houve pressão após o mal-estar causado no debate entre os dois – no qual Schwartsman estava certo, diga-se de passagem, ao apontar o uso da empresa para fins políticos e partidários, com sua “contabilidade criativa”.

Falcão, do PT, disse que o comunicado do banco é “terrorismo eleitoral”, mas a acusação é ridícula! O que os especialistas do banco fizeram foi nada mais do que constatar, para seus clientes, o óbvio ululante, que qualquer estagiário da menor corretora do país já sabe: quando saem novas pesquisas com queda de Dilma, a bolsa sobe e as ações das estatais disparam.

Ou seja, todos sabem que os investidores morrem de medo de mais quatro anos de Dilma no poder, e o banco tem, inclusive, a obrigação moral de alertar seus clientes dos riscos que enxerga. Política tem muita influência na economia, especialmente em um país como o nosso, com excesso de poder concentrado em Brasília. Uma gestão intervencionista e incompetente, como a de Dilma, tem enorme poder de estrago.

A demissão da equipe responsável pelo documento – se verdadeira – é um sinal de alerta extremamente grave da situação em que o Brasil se encontra. Não há mais independência nas empresas. São todas reféns do governo. Não podem criticar, tampouco mostrar para seus clientes o que todos já sabem, se isso afetar negativamente o governo atual. Devem esconder a realidade para não “ofender” o governante.

Se isso não é autoritarismo à lá Venezuela, então não sei o que é. Hayek já dizia, em seu clássico O Caminho da Servidão, que sem liberdade econômica acabava a liberdade política. Ele estava certo. O caso esdrúxulo do Santander, tendo que recuar dessa forma acovardada e subserviente, comprova isso com perfeição.

Fecho com um alerta de Roberto Saviano, o italiano que enfrentou a máfia, feito em A beleza e o inferno: ”Pergunto à minha terra se ela ainda consegue imaginar que pode escolher. Pergunto-lhe se é capaz de realizar, pelo menos, esse primeiro gesto de liberdade que está em conseguir pensar-se diferente, pensar-se livre. Não se resignar a aceitar como um destino natural o que, ao contrário, é obra dos homens.”

Rodrigo Constantino

 

DemocraciaPolítica

A estrela na lapela

Por Lucas Berlanza, publicado no Instituto Liberal

Por esses dias esteve sob meus olhos a menção a um episódio que não poderia deixar passar, tamanho o seu caráter emblemático. Era o começo da malfadada era petista em que ainda vivemos (ardentemente desejando que sejam seus estertores). Lula chegava ao posto máximo de governo no Brasil, iniciando, com alguma cautela, uma década de populismos repulsivos, escândalos, intervencionismo e irresponsabilidade. Nada que não existisse antes na história tupiniquim, é sabido, mas tudo alçado a categorias extremadas e levando o país a uma situação-limite (em vias de; sim, ainda pode e deve ficar pior).

O presidente Lula foi recebido pela primeira vez pelo presidente George Bush, eleito para a Casa Branca pelo Partido Republicano. O relato está no livro “18 dias”, do estudioso brasileiro de Relações Internacionais Matias Spektor. A direita americana e o governo empossado começavam a olhar com mais atenção para o Brasil e havia o receio da formação de um Eixo do Mal, congregando o PT, a Cuba de Castro e a Venezuela chavista. Temia-se que as principais lideranças do Foro de São Paulo conduzissem a América Latina a um rumo desastroso de relativização da propriedade privada e da liberdade – um rumo antiamericano é claro. Independente de terem se deixado iludir depois pela aparente “moderação” petista, hoje, tendo a visão direta do processo, sabemos que a impressão não estava tão equivocada.

Segundo os entrevistados de Spektor, Bush simpatizou com Lula, apesar das diferenças notórias entre seus partidos, e o entendimento inicial foi muito bom – ao contrário do que se deu mais à frente, mas isso é outra história. O que nos interessa é um fato curioso que Spektor afirma ter acontecido na reunião da equipe diplomática da presidência dos EUA. Bush teria se virado para o assessor de assuntos latino-americanos, John Maisto, e indagado:

“E aquela estrela vermelha? Você viu aquilo na lapela dele?” perguntou o presidente a Maisto.

‘É o emblema do partido’ respondeu o assessor.

“Eu sei que é o emblema do partido!” exclamou Bush. “Mas agora ele é o presidente do Brasil, não do partido”.

A estrela vermelha na lapela é um detalhe muito pequeno? Podemos concordar em responder afirmativamente. Mas insignificante? Jamais. Pouco importa o que achemos de Bush, o questionamento que ele fez é provavelmente a mais perfeita síntese da confusão original de nossa esquerda mais canhota – mais especificamente a governista, a que se encampa sob a legenda do Partido dos Trabalhadores, mas isso se aplica também a todos os militantes de partidos nanicos que mantém fidelidade “farisaica” aos leninismos mais embolorados.

Eles não são capazes de distinguir seu partido, seu grupo, seu “coletivo”, da nação – ou melhor, da sociedade. Não compreendem a diversidade do povo, não a toleram, não concebem a discussão e a divergência de opiniões. A sociedade é o partido, a sociedade é a ideologia – e por esse símbolo de um sonho irrealizável, instrumentalizado pela corrupção e pelos interesses pessoais das lideranças, mas nutrido sinceramente pelos “idiotas úteis”, tudo vale. Mais por ele que bela bandeira nacional.

Vê-se isso, por exemplo, em muitas manifestações de rua que têm transcorrido desde o “fenômeno” de junho. Abundam bandeiras vermelhas e odes a Che. O pavilhão verde e amarelo, “símbolo augusto da paz” (como diz o belo hino em sua homenagem), se aparece, é muito timidamente, envergonhado pelas destrutivas companhias.

Vê-se isso no Estado aparelhado nas diversas instâncias possíveis, quase que em simbiose com o partido – só não mais por não ter sido possível. Ainda.

Vê-se isso na divisão do país entre “nós” e “eles”, como hoje gosta de ressaltar a oposição – porque não é um verdadeiro “patriota” aquele que não comunga de suas ideias, aquele que não dissolve sua individualidade em meio à “manada” dos entusiastas. Aquele é tão-somente um inimigo da nação.

Na cultura de ódio e segregação que eles disseminam, em suas retóricas e exibições burlescas, o povo se encontra artificialmente dividido em facções, sendo muito fácil cair na tentação de patrulhar e silenciar quem não se encampa sob a bandeira do “Brasil do PT” ou do “Brasil sem pobreza”, do “Brasil da Copa das Copas”, quem se atreve ao ato de traição de criticar a velhacaria reinante.

Bush poderia ter visto apenas uma estrela na lapela. Viu mais, decerto sem saber; viu um símbolo profético de um futuro cujo peso sentimos agora. Mais do que tirar a estrela da lapela, hoje é preciso cortar o elo que a mescla criminosamente com o Estado e, principalmente, com o monopólio de toda a virtude.

(por Rodrigo Constantino)

 

O fiasco do Mercosul e a diplomacia de banquinho

ROLF KUNTZ - O ESTADO DE S.PAULO

26 Julho 2014 | 02h 03

Foi uma semana dura para a diplomacia brasileira e revoltante para os anões. Na quinta-feira, o governo de Israel ofendeu os baixinhos de todo o mundo ao descrever o Brasil como um anão diplomático. Três dias antes o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, havia cobrado, em tom quase paternal, mais empenho de Brasília para a conclusão do acordo comercial do Mercosul com o bloco europeu. Os dois fatos evidenciaram, mais uma vez, a desmoralização e a falência da política externa brasileira, tanto na área comercial quanto na geopolítica. O fato coberto com maior destaque foi o bate-boca entre funcionários de Brasília e de Tel-Aviv, mas os dois episódios são partes da mesma história.

Anões, ao contrário da atual diplomacia brasileira, inaugurada em 2003, podem ser inteligentes, eficientes, equilibrados e relevantes. Outros governos têm pressionado o de Israel e cobrado a suspensão ou moderação dos ataques à Faixa de Gaza, mas nenhum deles pagou o mico de se explicar e de responder em tom quase meigo a um porta-voz de chancelaria. A explicação oferecida: o Brasil criticou apenas a violência "desproporcional" de Israel, sem contestar seu direito de defesa. A resposta complementar: o Brasil mantém relações diplomáticas com todos os membros da ONU e, portanto, se houver algum anão, será outro país. A explicação e a réplica foram apresentadas pelo chanceler Luiz Alberto Figueiredo. Polidamente, ele se absteve de mostrar a língua e de chamar de feio o funcionário israelense.

Ator relevante age com clareza e se dispensa de explicações. A manifestação brasileira nesse caso, como em muitos outros, confirmou a inépcia da orientação formulada no Palácio do Planalto e seguida no outrora respeitado Itamaraty. Esse amadorismo, inspirado num terceiro-mundismo requentado e rejeitado por emergentes de respeito, tem-se evidenciado também na diplomacia comercial.

O Brasil é a maior economia da América Latina, mas seu governo é incapaz de desemperrar a negociação entre o Mercosul e os europeus. "A mim me parece um bocadinho absurdo que a União Europeia tenha acordos de livre-comércio com praticamente o mundo inteiro e não tenha com o Brasil", disse na segunda-feira o presidente da Comissão Europeia.

Por que "um bocadinho absurdo"? Para entender, basta pensar no tamanho da economia brasileira. Esse detalhe foi mencionado também pelo funcionário israelense. Ele qualificou o Brasil como gigante econômico, antes de chamá-lo, por contraste, de anão diplomático. Um contraste semelhante esteve implícito, mesmo com boa intenção, no comentário de Durão Barroso.

O presidente da Comissão Europeia foi até generoso. Teria sido menos gentil se tivesse ido mais fundo na avaliação do impasse. Absurdo, mesmo, é um país do tamanho do Brasil ter uma diplomacia subordinada aos interesses chinfrins da aliança entre o petismo, o kirchnerismo e o bolivarianismo.

Comandado por essa aliança, o Mercosul deu prioridade aos chamados acordos Sul-Sul, em geral com parceiros de pouca importância comercial. A aproximação com a Palestina é um marco notável dessa política. O livre-comércio regional com participação dos Estados Unidos foi recusado pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Néstor Kirchner. Nos anos seguintes, outros governos sul-americanos negociaram com Washington, sem o Mercosul, pactos comerciais. Nem sequer com o México, uma das economias mais importantes do hemisfério, foram tentadas negociações ambiciosas. Não se foi além de um limitado pacto de complementação.

Com a recente formação da Aliança do Pacífico (Chile, Peru, Colômbia e México), foi evidenciada mais uma vez a estagnação diplomática do Mercosul. Os dois blocos poderiam, talvez, promover uma integração. Mas só se os países do Mercosul se tornarem mais abertos, disse em janeiro o presidente do México, Enrique Peña Nieto. Quanto à negociação com a União Europeia, iniciada nos anos 1990, continua emperrada e sem perspectiva de avanço neste ano. O Mercosul permanece incapaz, principalmente por causa da resistência argentina, de apresentar suas ofertas para avaliação e discussão.

Enquanto isso, europeus e americanos negociam o pacto transatlântico e tentam novos entendimentos com outros parceiros. Asiáticos buscam aproximação com todo o mundo. A União Europeia se amplia e países da vizinhança desfrutam comércio favorecido com o bloco. A nova trama de concessões bilaterais e inter-regionais cresce e torna-se mais complexa, enquanto os líderes da Organização Mundial do Comércio (OMC) tentam reanimar e revalorizar a Rodada Doha.

Nesse quadro, a posição do Brasil e de seus parceiros do Mercosul se torna cada vez mais desvantajosa. A diplomacia comercial brasileira escolheu como prioridades, há mais de dez anos, a Rodada Doha, multilateral, e a aproximação com países emergentes e em desenvolvimento. O baile promovido pela OMC, a grande rodada multilateral, continua quase paralisado. Sem ingresso para os outros bailes - as dezenas de acordos parciais -, o Brasil tem de continuar no sereno, espiando as festas de fora.

Muitos empresários brasileiros aceitam sem aparente dificuldade a diplomacia comercial anã. Mostram-se mais interessados no protecionismo, parte importante dessa política, do que em conquistar mercados. Outra parte do empresariado reclama oportunidades comerciais mais amplas.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) cobrou do governo mais de uma vez, nos últimos dois anos, empenho maior na busca de acordos bilaterais e inter-regionais. Será impossível atender a essa demanda sem chacoalhar o Mercosul. No limite, restará trocar o status de união aduaneira pela condição, menos ambiciosa e menos limitadora, de zona de livre-comércio. Antes disso, falta o governo abandonar as fantasias terceiro-mundistas e semibolivarianas e redescobrir a noção de interesse nacional.

ROLF KUNTZ É JORNALISTA

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Blog Rodrigo Constantino (VEJA)

1 comentário

  • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

    Sr. João Olivi, na mensagem anterior usei o termo “liliputiano”. Volto ao assunto, pois, acho que não fui suficientemente esclarecedor.

    O escritor irlandês Jonathan Swift escreveu um romance satírico “As Viagens de Gulliver”; o personagem após o naufrágio foi arrastado para uma ilha chamada Lilliput. Os habitantes eram extremamente pequenos e, viviam constantemente em guerra por futilidades.

    A realidade na seara política brasileira é um terreno fértil para se construir parábolas.

    O todo poderoso do Partido dos Trabalhadores, leia-se “PÊTÊ”, é Luis Inácio da Silva, mais conhecido como “LULA”.

    Será que não fomos “arrastados” para a ilha da fantasia “LULAPÊTÊ”, onde seus habitantes e/ou integrantes têm qualidades calcadas em quimeras? O quê vivenciamos, nos leva a pensar seriamente no assunto.

    ....”E VAMOS EM FRENTE” ! ! !....

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