Farmland: O "legado" de Mandela e o drama dos agricultores sul-africanos

Publicado em 10/02/2018 18:17 1127 exibições
No Blog de Rodrigo Constantino, na Gazeta do Povo


Por Ricardo Bordin, publicado pelo Instituto Liberal

É um descuido muito comum esquecer de incluir os povos africanos na lista de vítimas do ideário coletivista e revolucionário que se alastrou pelo planeta no século XX. Angola, Benim, Congo, Etiópia, Moçambique, Somália, Zimbábue: todos estes países, entre as décadas de 1970 e 1990 (e, em algum grau, até a presente data), experimentaram as agruras de governos totalitaristas que justificavam suas ações com a busca de igualdade e com promessas de correções de injustiças sociais. Sim, o comunismo ajudou (e muito) a enterrar o continente africano na fome e no sofrimento.

Mais comum ainda é deixar de fora dos relatos históricos a profunda ligação de Nelson Mandela com o movimento comunista — erro parcialmente compensado pelo esforço de alguns poucos abnegados produtores de conteúdo intelectual¹. A África do Sul, em verdade, ainda vive sob à sombra desta ideologia que, por onde passa, tal qual fosse uma nuvem de gafanhotos assassinos, deixa um rastro de ódio entre grupos de membros da sociedade e produz atraso civilizacional².

Tal distorção do passado ocorre muito por conta da narrativa maciçamente propagandeada por praticamente toda a classe falante (incluindo desde jornalistas a professores, passando por artistas, escritores, historiadores e filósofos), a qual delega ao colonialismo e ao escravismo promovidos pelo homem branco ocidental a responsabilidade e a culpa por todo e qualquer problema enfrentado pelas nações africanas hodiernamente.

Pois foi com o objetivo de jogar alguma luz sobre as trevas deste cenário distorcido pela mentira profissionalizada que a canadense Lauren Southern resolveu produzir o documentário. 

Farmlands — “terras cultivadas”, em tradução livre. Em sua obra cinematográfica, ela relata o drama vivenciado por brancos proprietários de terrenos rurais na África do Sul. O trailer legendado já está disponível:

Não se trata de nada muito diferente dos métodos utilizados usualmente por todos aqueles que promovem “reforma agrária” mundo afora (leia-se: abolição da propriedade privada rural): procura-se deslegitimar a posse das terras alegando que foram adquiridas com base na exploração de “minorias”; então guerrilhas armadas são financiadas e insufladas a promoverem invasões — normalmente os agropecuaristas já foram desarmados pelo governo; a imprensa sempre promove a cobertura destes ataques retratando os invasores como vítimas do capitalismo cruel; leis que preveem o confisco de terras (mesmo as produtivas) em nome da “redistribuição de riquezas” são aprovadas pelos legisladores; e então a escassez e a fome entram em cena.

Tudo muito semelhante ao que ocorreu no Zimbábue recentemente, quando mais de 800 fazendeiros brancos foram obrigados a fugir do país com suas famílias durante o regime de Mugabe, gerando um grave crise de produção de alimentos, uma vez que esses levaram consigo o know-how acumulado por gerações. A história, tudo leva a crer, está prestes a se repetir mais ao sul do continente.

A esquerda vive do ressentimento e da inveja. Segregar é uma imposição vital, portanto. Semear o rancor é seu ganha-pão diário. Nesta conjuntura, não é de se estranhar, por exemplo, que o meme “It is OK to be white” tenha causado protestos (não é legal ser branco, então?), que movimentos racistas como o Black Lives Matter matem em função da cor em nome de sua “legítima causa”, que Oprah declare que todos os brancos idosos deveriam morrer, que “educadores” pretendam extirpar pensadores europeus brancos dos livros escolares (menos Marx, Rousseau e Foucalt, por certo), que Lula perdoe dívidas de ditaduras africanas com o Brasil a fim de compensar a suposta “dívida histórica” do Ocidente — e quem sabe garantir seu asilo político em um breve futuro³.

Foi por isso que Lauren Southern resolveu narrar estes lamentáveis episódios, que podem até mesmo conduzir a África do Sul ao genocídio e à guerra civil, pelo viés dos agricultores brancos: porque a grande mídia, como de praxe, irá solenemente ignorar suas razões e retratar os perpetradores dos atos violentos como mártires na busca por um mundo melhor — exatamente como fez com Mandela.

O preconceito racial contra brancos (ou “reverso”, como alguns querem chamar) já é uma realidade. Muitos alegam, todavia, que somente negros poderiam ser atingidos por racismo, partindo da premissa de que contra eles se deu a escravidão moderna, muito convenientemente “olvidando-se” do fato de que escravos são um espólio de guerra como qualquer outro.

Ser escravizado, portanto, é um fado que atingiu, durante a trajetória da humanidade, absolutamente todas as etnias — inclusive eslavos (brancos de olhos azuis) que foram escravizados por séculos no entorno do Mediterrâneo — , mas que só viu seu fim e proibição no Ocidente “opressor”.

Para este pessoal de memória curta, ouçam o que Mister Catra tem a dizer a respeito do tema (sim, ele mesmo, negro e oriundo de estratos sociais miseráveis):

Pois é. Acabar com o racismo é fácil, como bem ensina Morgan Freeman. O problema é todos aqueles que lucram e amealham capital político com esta forma primitiva e cruel de coletivismo concordarem:

Na expectativa por este importante documentário…
¹ https://mises.org.br/Article.aspx?id=1758&ac=61769

² https://midiasemmascara.org/arquivos/o-verdadeiro-nelson-mandela/

³ https://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/lula-inventou-a-reuniao-na-etiopia-para-escapar-da-cadeia/

A IMPUNIDADE, SEMPRE A IMPUNIDADE! (Percival Puggina)

Mesmo a turma que vive dentro de uma bolha, no mundo da lua, com fones de ouvido e óculos de realidade virtual concordará com a afirmação de que soltar bandido é um mau exemplo. A impunidade faz mal. Gilmar Mendes acaba de mandar outro para casa. Uhuh! A gangue do guardanapo respira ainda mais aliviada e já pode pensar em novas put**ias, para usar a desavergonhada expressão com que o próprio beneficiado pela medida se referiu a seus crimes. Mais adiante, a ação penal enfrentará nosso prodigioso sistema recursal.

Há três anos, o Brasil festejou a decisão do STF que autorizou a execução provisória das penas após decisão em segunda instância. Na vida real de todo criminoso abonado, a regra até então vigente funcionava como um habeas corpus de crachá. Sentença definitiva com trânsito em julgado era sinônimo de “nunca”. Por isso, a nação aplaudiu e reconheceu a importância social da decisão, enquanto as manifestações contra o novo entendimento resumiram-se ao círculo dos advogados criminalistas, bem como aos garantistas e desencarceramentistas (sim, isso existe e está em atividade).

Não obstante, subsistem inconformidades no STF. Há ministros que preferem a moda antiga, creem que coisas bem feitas exigem vagar, demandando a quase pachorra de certos artesanatos. Doze horas para um costelão bem assado, três anos para um pedido de vistas, no mínimo oito para um uísque e duas décadas para um processo bem julgadinho. Suponho que, nesse entendimento, a prescrição, arraste consigo a sabedoria do tempo. Eis por que a caneta usada por alguns ministros para soltar presos parece não ter tampa. É claro que a sociedade fica indignada com essa conduta. Afinal, ela é outra face da mesma impunidade que viabilizou o cometimento de tantos e tão danosos crimes ao longo dos últimos anos. Das esquinas aos palácios. Os indultos, as progressões de regime e as atenções dadas a dengues e privilégios de alguns fidalgos de elevada estirpe ampliam o mal-estar.

Eu ficaria até constrangido de examinar a possibilidade de que o caso Lula possa influenciar as posições dos ministros sobre a prisão após condenação em 2ª instância. Não farei isso. Meu assunto, aqui, diz respeito às consequências sociais do retorno à regra da impunidade. O país não suporta mais. A impunidade não é parteira, apenas, da criminalidade. Ela estimula o retorno ao estado de natureza, a uma situação hobbesiana. Se o comando do jogo fica com o crime, os indivíduos tomam as rédeas em que possam deitar mão. As vaias cada vez mais assíduas nos aeroportos e aeronaves nacionais são o preâmbulo de algo que não se pode tolerar, tanto quanto não se deve tolerar a impunidade.

JUROS E INFLAÇÃO NAS MÍNIMAS HISTÓRICAS, ECONOMIA RETOMANDO CRESCIMENTO, MAS TUDO INSUSTENTÁVEL SEM REFORMAS!

Ninguém gosta do Temer, mas alguém tem que ser sincero: o impeachment de Dilma não só salvou o Brasil – por enquanto – do destino venezuelano, como a gestão do atual presidente, com sua equipe técnica e mais ortodoxa, foi responsável por uma significativa melhoria do quadro geral.

A sangria produzida pelo PT foi estancada, a atividade econômica ensaia uma retomada, como podemos ver em vários indicadores, incluindo a alta no comércio de 2% após dois anos em queda, a inflação acumulada em 12 meses está abaixo de 3% e, graças a isso, a taxa de juros atingiu o menor patamar em cinco décadas, abaixo de 7% ao ano. Não é pouca coisa.

Mas, infelizmente, tudo isso, que ainda está muito aquém do que precisamos para reduzir o desemprego e colocar o país na rota do desenvolvimento, é insustentável sem as reformas, principalmente a previdenciária, já que as aposentadorias representam o maior dreno de recursos públicos. Essa notícia dá o tom da coisa:

Principal indicador de solvência de um país observado pelo mercado internacional, a dívida bruta poderá atingir 100% do Produto Interno Bruto (PIB) a partir de 2023, subindo para 102,5% em 2024 e batendo em 116,4% em 2030, caso o governo não consiga aprovar a reforma da Previdência. Isso é o que mostra o novo relatório de acompanhamento das contas públicas preparado pela Instituição Fiscal Independente (IFI), do Senado Federal. O documento, ao qual o GLOBO teve acesso, classifica esse cenário como “alarmante” e “de insolvência”, pois a trajetória não indica um limite para o aumento da dívida bruta, mesmo a longo prazo. Esse indicador terminou 2017 em 74,5% do PIB.

Sim, são previsões realistas e alarmantes, sem dúvidas. Sem as reformas, esse cenário de recuperação será logo interrompido, a inflação voltará a subir, puxando também a taxa de juros, e seguiremos boiando sem sair do lugar, na melhor das hipóteses, ou afundando de vez, na mais provável delas. O editorial do GLOBO foi ao ponto hoje:

Juros baixos são o objetivo de todas as correntes políticas. As divergências ocorrem sobre os meios de alcançá-los. O país testemunhou o voluntarismo lulopetista durante o governo de Dilma Rousseff, quando, por ato de vontade da presidente, sem que houvesse condições técnicas objetivas para a derrubada da taxa, a Selic saiu de pouco mais de 12% para 7,25%.

Não deu certo, por óbvio. A inflação saltou de patamar, ficou na faixa do limite superior da meta (6,25%) e terminou de volta aos dois dígitos. O BC da época, de Alexandre Tombini, foi forçado a puxar os juros até 14,25%.

Agora, há uma chance de ouro de que mais algum corte venha a ser feito ou, na pior hipótese, a Selic não se afaste muito deste nível — o mercado aposta em 8% no final do ano, segundo o relatório Focus, do BC, feito com base em previsões de analistas do mercado financeiro. Há a possibilidade rara de a recuperação da economia ocorrer em bases sustentáveis.

[…]

Poucas vezes ficou tão nítida a dependência da economia em relação à política. Houve avanços no governo Temer que ajudaram a construir este ensaio de recuperação da economia, com inflação baixa para os padrões brasileiros.

A reforma trabalhista, para flexibilizar as relações entre capital e trabalho, foi um deles. O teto dos gastos, para dar horizontes às contas públicas, outro. Mas, se não desarmar a bomba fiscal da Previdência, o Brasil não irá longe sem grave crise. Não chega a 2020.

A bomba-relógio continua ligada, fazendo tic-tac com frequência cada vez maior. Sem desarmar essa bomba, de fato teremos nova crise grave em breve. Quem não entendeu isso ainda? A quem interessa ir contra as reformas? Rogério Werneck, em sua coluna, trata do tema:

Entre pessoas minimamente bem informadas, já há amplo entendimento de que as contas da Previdência se tornaram insustentáveis. Os números falam por si. Só na esfera federal, o déficit do sistema chegou a R$ 269 bilhões no ano passado. E a esta cifra tão absurda ainda têm de ser adicionados os assustadores déficits previdenciários dos governos subnacionais, cujos orçamentos vêm sendo inviabilizados pelo crescimento descontrolado das folhas de inativos. O Estado do Rio Janeiro é só o líder de uma longa fila de estados e municípios quebrados.

Tem também se disseminado a compreensão de que, sem a reforma da Previdência, não há como superar o quadro de descalabro fiscal que vem impedindo uma retomada sustentável do crescimento da economia e a eliminação do drama que hoje enfrentam 12 milhões de desempregados no país.

[…]

Entender por que uma reforma tão crucial — com resultados potenciais tão promissores e com custos mais significativos restritos a uma parcela relativamente pequena do eleitorado — continua a enfrentar tantas dificuldades para ser aprovada é tema para discussões intermináveis. Mas parcela importante da explicação tem a ver com a resistência ferrenha que as castas mais bem posicionadas de funcionários públicos vêm fazendo à reforma. Embora isso seja mais do que sabido, ainda falta compreensão clara de como tal resistência vem de fato bloqueando a formação da maioria requerida para aprovação da reforma no Congresso.

[…]

Com frequência, o parlamentar está irremediavelmente enredado pela teia de interesses de toda uma extensa parentela de funcionários públicos — quase sempre bem posicionados — tanto em Brasília quanto nos estados: cônjuge, pais, irmãos, cunhados, filhos, genros, noras, sobrinhos e netos.

Seria muito bom se evidências mais objetivas e sistemáticas das reais proporções desse enredamento pudessem ser levantadas tanto pela mídia como em pesquisas de mais fôlego.

Há, enfim, uma minoria que se beneficia desse modelo atual à custa da imensa maioria. Acontece que a minoria é barulhenta, organizada e está no poder, exerce muita influência. Os benefícios são concentrados, os custos dispersos. Mas os custos ficaram altos demais. O carrapato ficou maior do que o boi. A conta não fecha. Todos vamos pagar o pato se nada for feito. Mesmo os vencedores terão apenas uma vitória de Pirro, pois a crise vai se impor ao país inteiro, e não só na economia.

É hora de colocar o interesse geral acima dos privilégios, e ter um horizonte de mais longo prazo, deixando o imediatismo de lado. Insistir no status quo não é uma decisão racional, nem mesmo para os parasitas! Afinal, se o hospedeiro for a óbito por excessiva perda de sangue, morrem todos juntos. Na Venezuela, por exemplo, não há vencedores, nem mesmo os funcionários públicos. Só há perdedores.

Vamos traçar o mesmo destino para o Brasil? Vamos destruir de vez nossa economia, justo agora que temos visto alguma melhoria no quadro? Nas eleições deste ano, é fundamental que vença alguém reformista, de direita, comprometido com as mudanças necessárias para reduzir os gastos públicos. Ou isso, ou o caos!

Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

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Blog Rodrigo Constantino

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