Ações de frigorificos sobem forte na B3 com perspectiva positiva sobre mercado chinês

Publicado em 25/11/2019 20:00 e atualizado em 25/11/2019 21:19
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SÃO PAULO (Reuters) - As ações de empresas de proteínas mostravam forte valorização na bolsa paulista nesta segunda-feira, com JBS chegando a disparar mais de 9%, em meio a notícias relacionadas principalmente ao mercado chinês, tanto em termos de demanda como eventual mudança nas tarifas de importação por Pequim.

Por volta de 17:15, os papéis da JBS avançavam 8,8%, liderando as altas do Ibovespa, que cedia 0,19%. A alta vem após a maior processadora de carnes do mundo acumular em novembro até a última sexta-feira queda de mais de 10%. Na sequência, Marfrig e BRF subiam 6,3% e 5,75%, respectivamente.

Fora do Ibovespa, Minerva tinha elevação de 5,46%.

Agentes financeiros também repercutiam comentário de executivos da Minerva durante evento da empresa com investidores e analistas em São Paulo no sentido de eventual redução ou eliminação de tarifa de importação da China para carnes da América do Sul.

"A carne da América do Sul é taxada. Tem 24% de taxação. Um dos instrumentos que estamos vendo é a redução dos impostos de importação", disse o fundador e presidente-executivo da Minerva, Fernando de Queiroz.

"Na China, as estatais estão sendo isentas destes impostos de importação. Isto dá a oportunidade única para América do Sul ser mais competitiva. Nova Zelândia e Austrália têm imposto zero. Seremos mais competitivos neste momento já que eles estão preocupados com inflação alimentar."

O diretor de Relações Institucionais da Minerva, João Sampaio, disse que a revisão nas tarifas chinesas é uma pauta do governo do presidente Jair Bolsonaro.

"Marcos Troyjo (secretário de Comério Exterior do Ministério da Economia) já está tratando deste tema. Já foi pauta do Brasil e já foi pauta do Mercosul. Recentemente, com a visita de Jair Bolsonaro à China, o ministro Ernesto Araújo (ministro das Relações Exteriores) já teve uma conversa neste sentido. Então acho que pode avançar."

Ainda no radar continua a potencial oferta de ações da JBS pelo braço de investimentos em empresas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que já contratou bancos para coordenarem a transação.

Na semana passada, o presidente do conselho de administração do BNDES, Carlos Thadeu de Freitas, afirmou que o banco de fomento deverá vender cerca de metade de sua participação na processadora de carne até o final do ano, em operação que pode levantar 7,8 bilhões de reais.

Números no fim de semana também mostraram que as importações de carne suína pela China dobraram em outubro ante o mesmo mês de 2018, com os atacadistas estocando os suprimentos depois que a peste suína africana dizimou o enorme rebanho de porcos no país.

As importações de carne bovina pelo país asiático, normalmente mais caras do que a carne suína, saltaram 63,2% no mês passado na comparação ano a ano. As importações de frango, por sua vez, dispararam 64%.

Minerva vê riscos na Argentina e mira IPO da Athena em abril de 2020

SÃO PAULO (Reuters) - O frigorífico brasileiro Minerva afirmou nesta segunda-feira que planeja realizar a oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) de sua subsidiária Athena Foods em abril de 2020, apesar das turbulências políticas na Argentina, onde a divisão obtém cerca de 30% de suas vendas líquidas.

De acordo com diretores da empresa, a incerteza relacionada à política econômica argentina após a eleição de um novo governo, inclinado para a esquerda, será fundamental para determinar o futuro da transação, cujas expectativas originais apontavam para a possibilidade de movimentação de até 1,3 bilhão de reais.

"Se a aversão ao risco continuar alta (na Argentina), pode inviabilizar o IPO", ponderou o diretor financeiro da Minerva, Edison Ticle, em entrevista coletiva.

João Sampaio, diretor de Relações Institucionais da Minerva, afirmou que conversas com autoridades do futuro governo argentino sugerem que os exportadores não têm motivos para se preocupar.

"Eles sabem que a situação interna é difícil mas precisam trazer dólares. O jeito de fazer isso é exportando", disse.

A retomada do plano de IPO da Athena, abandonado após a guerra comercial entre Estados Unidos e China desanimar investidores e reduzir as avaliações para o negócio no último mês de maio, em parte reflete as perspectivas positivas de operação para os frigoríficos brasileiros. Com diversas novas plantas aprovadas para exportações à China, as empresas locais estão entre as maiores beneficiadas pelas crescentes importações chinesas de alimentos.

"Todas as previsões foram superadas", disse o presidente-executivo da companhia, Fernando de Queiroz, referindo-se às vendas, margens e ao objetivo de redução da dívida da empresa, anunciado antes mesmo das expectativas de precificação do IPO.

De antemão, um importante objetivo do IPO seria ajudar a desalavancar a Minerva, mas a meta agora é liberar valor e financiar a expansão das operações sul-americanas, afirmou Ticle.

A Athena, que também opera no Uruguai, Paraguai, Colômbia e Chile, é uma importante produtora e exportadora sul-americana de carne bovina in natura e de produtos derivados de carnes, sendo responsável por 12% das exportações de carne bovina do continente, de acordo com dados da Minerva.

Na Colômbia, que ainda não vende carne bovina à China, a Minerva disse que irá crescer através de aquisições, visando explorar novas oportunidades de mercado.

A respeito das vendas de carnes à China, a Minerva expressou otimismo, uma vez que a proteína bovina tem se tornado uma substituta da carne de porco, especialmente para consumidores mais abastados.

A Minerva também vê as perspectivas de comércio melhorando ainda mais caso a China concorde em reduzir ou remover uma tarifa de importação de 24% sobre as carnes sul-americanas, movimento que visa conter a inflação doméstica de alimentos.

O assunto foi discutido durante uma visita do presidente Jair Bolsonaro à China, disseram executivos da Minerva. Queiroz indicou que algumas importadoras estatais chinesas já teriam sido isentadas das taxas.

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Fonte: Reuters

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