Brasil ainda consome menos fruta do que o recomendado e setor mira oportunidades no mercado interno
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Apesar de ser um dos maiores produtores de frutas do mundo, o Brasil ainda enfrenta um desafio importante dentro de casa: o baixo consumo interno. Durante a Fruit Attraction São Paulo 2026, produtores destacaram que o mercado nacional tem grande potencial de crescimento, mas ainda é pouco explorado, tanto em volume quanto em qualidade dos produtos ofertados.
No caso da manga, uma das principais frutas da pauta exportadora brasileira, o contraste entre produção e consumo chama atenção. Segundo Paulo Dantas, sócio-diretor da Agrodantas, a maior parte da fruta produzida no país permanece no mercado interno, mas sem o devido aproveitamento. “O Brasil exporta apenas 18% da manga que produz, com 82% sendo consumida aqui no país. É um grande mercado, só que ele é mal explorado, muita manga de baixa qualidade, mas tem um potencial imenso”, afirmou.
Além disso, o nível de consumo ainda é considerado baixo para o tamanho da produção nacional e para as recomendações dos órgãos de saúde internacionais. “O brasileiro hoje consome, em média, uma manga por mês, são 6 kg de manga por ano o que não é nada”, lamente Dantas, ao reforçar que o consumo de frutas, de forma geral, ainda não faz parte da rotina alimentar da população como poderia.
Diante desse cenário, produtores defendem uma mudança de mentalidade no setor, com maior foco no mercado interno. Para Dantas, a lógica atual, muitas vezes voltada prioritariamente à exportação, precisa ser revista. “Eu acho que a lógica do Brasil devia ser o seguinte: vamos desenvolver o mercado interno, ter um mercado interno forte e pensar o seguinte: ‘eu vou produzir para vender no Brasil o produto de qualidade’. Se a exportação tiver conveniente, exporta, mas não você dizer: ‘eu vou produzir para exportar’”, destacou o maior produtor e exportador de mangas do Brasil.
Outro ponto central para o fortalecimento do consumo interno está na qualidade da fruta que chega ao consumidor. A avaliação dos produtores é que ainda há uma falha nesse aspecto, que compromete a experiência de compra e, consequentemente, o aumento da demanda. “Produto de baixa qualidade tem que ir para a indústria, não para o supermercado. O brasileiro merece ter um produto de qualidade na mesa dele”, reforçou o representante da Agrodan.
Marketing e comunicação como motores de consumo
Além da melhoria na qualidade, o setor aponta a necessidade de investir em ações de comunicação e incentivo ao consumo. A avaliação é de que o consumidor ainda não tem acesso suficiente às informações sobre os benefícios das frutas, o que limita o crescimento da demanda. “É questão de marketing, usar as redes sociais para divulgar muito, mostrar os benefícios do consumo de frutas, de tal forma que o brasileiro possa consumir todas as frutas em uma quantidade maior”, deseja Dantas.
Esse movimento também é visto como estratégico para toda a cadeia produtiva, especialmente pela capacidade da fruticultura de gerar empregos. Segundo o executivo, o aumento do consumo interno pode ter impacto direto no desenvolvimento econômico de regiões produtoras. “A fruticultura é onde você investe menos para gerar emprego no Brasil, emprego digno. Aumentou o consumo, gera emprego nas regiões, e normalmente nas regiões mais carentes, como é no Nordeste”, destacou.
Com isso, o fortalecimento do mercado interno aparece não apenas como uma oportunidade de crescimento, mas também como uma forma de reduzir a exposição aos riscos das exportações, que envolvem variáveis como câmbio, frete e cenário internacional. A aposta do setor é clara: ampliar o consumo dentro do país pode ser o caminho para garantir mais estabilidade e sustentabilidade para a fruticultura brasileira.
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