Abate de boi cai a níveis de 2003 no País

Publicado em 18/12/2008 15:24 1184 exibições

Os abates dos frigoríficos com inspeção federal recuaram fortemente e já se igualam aos patamares vistos no ano de 2003. Números preliminares do Ministério da Agricultura (Mapa) indicam que em novembro foram abatidos 1,325 milhão de cabeças sob inspeção federal, ante as 1,944 milhão de igual mês de 2007. Os números do último mês ainda devem ter alguma atualização, mas até o momento, só se comparam aos níveis de cinco anos atrás, quando em novembro, 1,323 milhão de bois foram abatidos.

 

Paulo Molinari, da Safras & Mercado, lembra que os números do Mapa referem-se a cerca de 50% do abate no País. "Mas, geralmente, a outra metade costuma apresentar curva parecida", acrescenta o especialista. De qualquer forma, o indicador vem confirmar o que já vem sendo comentado no mercado, de que os frigoríficos no Brasil estão abatendo apenas 40% a 50% de sua capacidade.

 

Mato Grosso está entre os estados que mais recuaram em abate no mês de novembro. Foram 248 mil animais, queda de 11,4% em relação aos 280 mil de outubro. Mato Grosso do Sul recuou de 225 mil animais para 171 mil, 24%. Em Goiás também houve forte retração de 220 mil para 151 mil, 31%. Minas Gerais e São Paulo também recuaram 27% e 19%, respectivamente.

 

Em novembro, outras estatísticas, como as de exportações, também reforçaram o cenário de retração neste setor. "O Brasil vai perder espaço no mercado externo, mas não sozinho. Todos os exportadores vão perder no primeiro semestre de 2009", acrescenta.

 

De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), no mês passado, os embarques de carne bovina caíram 34% em receita, 13,8%, na comparação com igual período do ano passado. "Se o mercado externo não estivesse retraído, os frigoríficos iam continuar comprando boi, mesmo a preços elevados, e repassariam ao mercado externo. Mas na condição atual, as indústrias têm que se adequar ao mercado interno", explica Molinari.

 

Foi o que fez o Frigorífico Mercosul. O grupo fechou neste semestre duas unidades arrendadas (uma em Mato Grosso do Sul e outra no Rio Grande do Sul) e ainda assim está operando com metade (ou menos) da sua capacidade instalada. "Temos condições de abater de 5 mil cabeças por dia nas onze unidades que estão operando. Mas estamos hoje fazendo de 2 mil a 2,5 mil", explica Mário Macedo, superintendente de compra de gado do grupo. A falta de gado - e os preços elevados - motivaram a empresa a comprar neste ano gado do Uruguai, operação que deixou de ser rentável com a alta do dólar a níveis acima de R$ 2,15.

 

O Mercosul pretende crescer 30% ano que vem, mesmo, mesmo com as previsões pessimistas da economia mundial. Para isso, a empresa inaugura em março a unidade de Tucumã, no Pará, onde a oferta de matéria-prima, segundo Macedo, é muito mais barata. De acordo com levantamento de preço da Scot Consultoria, a arroba do boi no dia 17 de dezembro fechou em R$ 66 no Norte do País (Rondônia), arroba que em São Paulo, estava em R$ 80, diferença de R$ 14, ou 17,5%.

 

Dezembro

A saída dos frigoríficos do mercado funcionou como forte pressão nos preços da arroba. Em São Paulo, mercado referência para o País, a arroba recuou 10% em dezembro, de R$ 89 no primeiro dia do mês, para R$ 80 ontem, segundo a Scot Consultoria. Em Mato Grosso do Sul e em Mato Grosso, o recuo ficou em 11% no mesmo período.

Por causa dessa retração em preços, segundo Molinari, os abates na primeira quinzena de dezembro reagiram e, só não ficarão superiores a novembro por causa da interrupção das atividades nessas empresas por causa das festas de fim de ano.

 

No acumulado do ano, os abates de bovinos no Brasil, com inspeção federal, somam 20,4 milhões de cabeças, até o momento, 20% menor do que o realizado em todo o ano de 2007. Os dados deste ano ainda devem passar por atualização nos próximos meses.

 

Para 2009, a previsão da Safras & Mercado é de que sejam produzidos no Brasil 8,3 milhões de toneladas de carne bovina, o que significa repetir o volume deste ano.(Famato)




Fonte: Gazeta Mercantil

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