Mercado do boi gordo encerra a semana em alta no mercado físico sustentado pela firmeza nas exportações
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O mercado do boi gordo encerra a semana em alta no mercado físico, sustentado pela firmeza nas exportações, pela melhora no consumo interno e, agora, pela valorização do dólar, que se aproxima dos R$ 5,50.
A moeda norte-americana testou máxima intradiária de R$ 5,49 nesta sexta-feira, com avanço superior a 2%, refletindo a desconfiança do mercado em relação ao quadro fiscal brasileiro. “O gatilho foi o anúncio de um novo pacote de medidas do governo, estimado em R$ 100 bilhões, e a especulação de que o montante de estímulos e desonerações possa alcançar até R$ 1,2 trilhão em 2025”, informou a Royal Rural.
A alta do dólar tende a reforçar o movimento de valorização dos preços futuros do boi gordo na B3. Isso ocorre porque o câmbio influencia de forma direta a competitividade da carne bovina brasileira no mercado internacional. Quando o dólar sobe, os exportadores recebem mais em reais pelas vendas externas, o que aumenta a rentabilidade e estimula a demanda por boi gordo, pressionando os preços para cima.
Os contratos futuros do boi gordo encerraram a sessão desta sexta-feira (10) em queda na B3. O vencimento outubro/25 recuou 0,26%, cotado a R$ 312,65 por arroba. O contrato novembro/25 registrou baixa de 0,51%, para R$ 322,65/@, enquanto dezembro/25 caiu 0,58%, sendo negociado a R$ 327,75/@. Já o contrato janeiro/25 encerrou com desvalorização de 0,45%, a R$ 328,50/@.
Mesmo com as perdas no pregão, os preços acumulam leves altas na comparação semanal. O contrato outubro/25 subiu 0,53% frente ao início da semana, quando era negociado a R$ 311,00/@. O vencimento novembro/25 avançou 0,36% em relação aos R$ 321,50/@ registrados na última segunda-feira, enquanto o dezembro/25 teve ganho de 0,06% sobre os R$ 327,55/@ da abertura da semana.
No mercado físico, os preços da arroba seguem firmes na maioria das praças pecuárias, em um cenário de escalas de abate mais curtas e controle de oferta por parte dos pecuaristas. Segundo levantamento da Agrifatto, Goiás registrou avanço de 1,30% em relação ao dia anterior, com a arroba cotada em média a R$ 297,22 por arroba.
De acordo com dados da StoneX, o boi gordo encerrou a semana com firmeza mesmo com escalas de abate mais curtas. No Mato Grosso do Sul, o boi China manteve-se estável em R$ 314,70 por arroba, enquanto Minas Gerais avançou para R$ 296,76.
O analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, observa que os frigoríficos de menor porte sentem maior dificuldade na compra de animais prontos, o que contribui para a sustentação dos preços. Já as grandes indústrias contam com maior disponibilidade de bois de parceria e operam com escalas mais confortáveis.
No atacado, os preços da carne bovina também subiram, impulsionados pela reposição mais ativa entre atacado e varejo. O quarto traseiro foi cotado a R$ 25,00 o quilo, alta de 8,70% frente à semana anterior, e o dianteiro a R$ 17,70 o quilo, avanço de 4,12%.
Segundo as informações da Scot Consultoria, a virada de mês e expectativa de melhora nas vendas de carne bovina no mercado doméstico, o ritmo de compras aumentou e a oferta de boiadas não acompanhou a trajetória – os preços, porém, seguem aquém da expectativa de outubro no mercado financeiro em janeiro de 2025 e da referência no início do ano.
Já com a demanda externa, setembro de 2025 marcou o maior volume já embarcado de carne bovina pelo Brasil, com 363,13 mil toneladas, alcançando 142 destinos e consolidando o país como principal fornecedor global.
A China foi destaque, com aumento de quase 20% nas importações. De acordo com os dados da Secretaria de Comércio Exterior, que apontaram receita de US$ 1,767 bilhão em setembro, alta de 55,6% no valor médio diário em relação ao mesmo mês do ano passado.
Analistas avaliam que a combinação desses fatores deve seguir sustentando os preços futuros, enquanto o mercado acompanha de perto o comportamento do câmbio e os desdobramentos fiscais que influenciam diretamente as expectativas para o final do ano.
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