BBM criará bolsa para o comércio de gado vivo

Publicado em 12/03/2010 07:33
Lançamento será em abril e deve movimentar R$ 2,5 bilhões
A Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM), controlada pela BM&FBovespa, lança um novo sistema eletrônico de comercialização de gado bovino no país. A Bolsa de Carnes do Brasil tentará gerar um ambiente confiável no setor ao instituir um modelo de depósito antecipado e criar a conciliação de conflitos por meio de arbitragem interna.

A nova bolsa, que será lançada em meados de abril, em Campo Grande (MS), promete vantagens a pecuaristas e industriais, mas deve resultar na ampliação dos negócios de futuros na BM&FBovespa. Estima-se um movimento inicial de R$ 2,5 bilhões em negócios neste ano. "É um nicho de negócio que não era explorado por ser um mercado físico", diz o presidente do conselho da BBM, Joaquim da Silva Ferreira. "Daremos mais credibilidade aos negócios com juízo arbitral e o peso da BM&FBovespa, com transparência e segurança". Em 2009, a BBM gerou R$ 20 bilhões.

As operações poderão ser feitas apenas por meio de corretores credenciados pela bolsa. Mesmo dependendo de ajustes finos, os primeiros negócios já começaram a ser fechados.

O novo modelo deve dar mais segurança de recebimento do dinheiro a pecuaristas em caso de problemas financeiro nos frigoríficos, como ocorreu na onda de processos de recuperação judicial. Além disso, permitiria um planejamento de médio e longo prazos na escala de engorda e a redução de custos operacionais da bolsa, como ajustes diários e de margens. Aos frigoríficos, o sistema daria regularidade de oferta, planejamento das escalas de abate e melhor utilização da capacidade industrial. A bolsa ganharia mais liquidez, geraria novos negócios e se consolidaria como opção real para unir as pontas do mercado físico ao mercado de opções e futuros.

Pelo sistema, desenhado em parceria com os segmentos produtivos, cada operação custará 0,5% sobre o valor total. Não haverá taxa de corretagem. Estima-se um custo entre R$ 5 a R$ 7 por cabeça de gado. Hoje, as corretoras cobram de dois a três quilos por animal - algo como R$ 12 a R$ 15.

A BBM prevê que o preço da mercadoria será inicialmente definido pelo pecuarista, que fixará o preço futuro do boi sem os custos do mercado. "Quem se posicionará no mercado futuro será o frigorífico. Cada registro a termo exigirá uma posição futura na bolsa", diz o diretor de Novos Produtos da BBM, Edílson Alcântara. A indústria só poderá retirar o gado dos currais se o dinheiro estiver na conta de liquidação da BBM. De quebra, será possível organizar o mercado físico de gado e estimular operações no mercado futuro.

O sistema comportará três modalidades de operações. Na venda em leilão, o produtor fará a oferta no sistema da bolsa detalhando as características do rebanho de boi gordo - apenas animais entre 15 e 23 arrobas. Ele transformará o gado em arrobas de carne e fixará um preço mínimo por arroba. De outro lado, o frigorífico analisará o rebanho e fará sua oferta.

Em caso de negócio, o frigorífico fixará, até as 17 horas do mesmo dia, a escala de recolhimento e de abate dos animais. Dois dias úteis antes, terá que depositar 90% do valor da operação na conta de liquidação da BBM, que avisará o pecuarista para preparar os animais. Em seguida, o frigorífico emitirá o romaneio de abate, com valor total de arrobas e preço final. O prazo será até o meio-dia do dia útil seguinte. Depois, a BBM fará o cálculo de liquidação. Se der a menos, a bolsa devolverá a diferença ao frigorífico. Se der a mais, o ajuste será feito entre as partes.

Outra modalidade será o registro em balcão à vista. O corretor buscará o frigorífico ou o pecuarista negociará diretamente com a indústria de preferência. A BBM registrará a operação com volume, preço e escala de abate. Os demais procedimentos serão iguais. No caso do registro em balcão a termo, são os mesmo passos, mas com a diferença de entrega e liquidação futura na bolsa. Tudo será registrado na BBM. Se um parte romper o contrato, um juiz arbitral da bolsa tentará a conciliação ou resolverá o caso em julgamento. "Quem descumprir, paga 10% de multa. O juiz arbitral analisará e, quem for culpado e descumprir, ficará suspenso até a liquidação final", diz Edílson Alcântara.

As partes parecem apostar no sucesso do sistema. "É interessante, mas para saber se é bom ou ruim, temos que experimentar", diz o presidente do Fórum Nacional de Pecuária de Corte da CNA, Antenor Nogueira. "Dá para vender realmente antecipado, porque hoje a venda à vista demora 48 horas". As indústrias também aprovam a iniciativa. "É uma nova forma que atende bem ao setor, mas ainda precisa de alguns ajustes", afirma o presidente da associação dos frigoríficos (Abrafrigo), Péricles Salazar. "Mas ajuda a quebrar o gelo nas relações comerciais".
Já segue nosso Canal oficial no WhatsApp? Clique Aqui para receber em primeira mão as principais notícias do agronegócio
Tags:
Fonte:
Valor Econômico

RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS DE DESTAQUE NO SEU E-MAIL CADASTRE-SE NA NOSSA NEWSLETTER

Ao continuar com o cadastro, você concorda com nosso Termo de Privacidade e Consentimento e a Política de Privacidade.

0 comentário