Café: Reajuste do preço mínimo é recebido com decepção pelo setor

Publicado em 07/05/2013 18:03 725 exibições
O anúncio do novo preço mínimo do café arábica de R$ 307,00 pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) não agradou os representantes do setor que pleiteavam o valor de R$ 340,00 por saca. "Nós vimos com certa tristeza e até decepção esse preço, visto que o próprio órgão oficial do governo, que é a Conab, responsável pela formação do preço de custo do café indicou em torno de R$ 333,00 quando o nosso pleito era de R$ 340,00", disse o vice-presidente da Cooxupé, Carlos Augusto Rodrigues de Melo. 

Para o representante da maior cooperativa de café do Brasil, esse número não atende nem mesmo a demanda colocada pelo próprio governo colocada pela pela Conab (Companhia Nacional do Abastecimento) por meio do cálculo do custo de produção em R$ 333,86 por saca. Em algumas regiões, esse preço não chega nem mesmo a remunerar alguns produtores. 

O que os cafeicultores e lideranças do setor esperam agora é que esse reajuste seja somente o início de uma série de políticas agrícolas para o café, não só como forma de viabilizar e assegurar esse preço, como aumentá-lo de forma a atender às necessidades dos produtores. Além disso, aguardam por mais medidas - como leilões de PEP, Pepro e de opções - que possam facilitar a comercialização e garantir sua renda. 

Com o novo preço, o que se espera também é que esse reajuste contribua para uma reação dos preços do café no mercado internacional que vem registrando uma trajetória de baixa. Só no primeiro trimestre desse ano, as cotações na Bolsa de Nova York já recuaram 28,97% em relação ao mesmo período do ano passado. 

Clique no link abaixo e veja a entrevista com o vice-presidente da Cooxupé:


Na Agência Brasil: Produtores dizem que preço mínimo do café ficou abaixo do esperado

O novo preço mínimo de R$ 307 para a saca do café arábica, anunciado hoje (7) pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), não remunera os cafeicultores de algumas regiões. A afirmação é do deputado Silas Brasileiro (PMDB-MG), presidente do Conselho Nacional do Café (CNC). Os produtores reivindicavam reajuste dos atuais R$ 261,69 para R$ 340, a fim de frear uma crise de preços do grão.

O pedido dos cafeicultores baseava-se em cálculo da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que avaliou o preço médio da saca de 60 quilos em R$ 336,13. O CNC é uma entidade privada que congrega produtores, cooperativas, associações de cafeicultores e federações de agricultura de estados produtores.

“Lógico que queríamos [o preço mínimo de R$ 340]. Esse preço [R$ 307] remunera em algumas regiões. Em outras não”, disse Silas Brasileiro. O presidente do CNC não acredita que um reajuste maior sobre o valor poderia impactar o bolso do consumidor. “Para o consumidor, não teria reflexo. O que nós entendemos é que outras culturas poderiam fazer pressão por um reajuste mais elevado e que o governo tentou evitar isso”, opina.

O Conselho Monetário Nacional (CMN) reuniu-se duas vezes na semana passada sem anunciar decisão sobre o reajuste do preço, que não era elevado desde 2009.  De acordo com o Mapa, o novo valor foi comunicado pelo colegiado nesta terça-feira. O custo foi reajustado apenas para o grão do tipo arábica. A saca de café robusta, cujo preço mínimo é R$ 156,57, não teve o valor elevado para R$ 180, como reivindicavam os produtores.

O setor cafeeiro atualmente enfrenta uma crise, com queda de 28,97% do preço médio no mercado internacional  no primeiro trimestre deste ano, na comparação com os três primeiros meses de 2012. Após a elevação do preço mínimo, são aguardadas políticas de subvenção e crédito para o café tendo como lastro o valor maior.

O CMN já aprovou refinanciamento das dívidas com estocagem, com possibilidade de pagar a partir de junho e parcelar o débito em 12 vezes. Agora, de acordo com Silas Brasileiro, é aguardado o anúncio de recursos para estocagem, colheita e custeio. O setor espera também opções de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro), caso seja necessário.

O Pepro é um instrumento de garantia do preço mínimo ao produtor sem aquisição da colheita, mediante o pagamento de diferença entre os preços mínimo, ou de referência, e o de mercado. O mecanismo é acionado quando o preço de mercado estiver abaixo do preço mínimo. A subvenção pode ser concedida tanto aos produtores quanto às cooperativas.
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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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