Bloomberg: Volatilidade no mercado do café é a maior desde 2000, a libra-peso pode chegar a US$ 2,25

Publicado em 25/03/2014 15:10 e atualizado em 26/03/2014 16:09 954 exibições

Os contratos futuros do café arábica estão sofrendo as maiores oscilações em mais de uma década. De acordo com a agência de notícias Bloomberg, a seca no Brasil elevou os preços do arábica a altos patamares, mas agora a previsão de chuvas para as áreas produtoras está fazendo com que os preços recuem. Ainda assim, analistas afirmam que os preços ainda poderão chegar aos US$ 2,25 a libra-peso, caso a safra brasileira ficar muito abaixo do esperado. 

A impressionante volatilidade do café nos últimos 60 dias foi considerada a maior desde outubro de 2000. Depois que o pior período de seca em décadas atingiu a cultura no Brasil, em janeiro e fevereiro, as precipitações trouxeram alívio para as plantas este mês. 

De acordo com o grupo Commodity Weather, ainda há preocupações de que a produção de café arábica poderá sofrer danos em pelo menos 25% das áreas produtivas.    

Os cafeicultores brasileiros produzem uma em cada três xícaras de café bebidas em todo o mundo. As estimativas para a safra brasileira variam entre 56,5 milhões de sacas até 46 milhões de sacas. A variação entre as estimativas é quase do tamanho da produção da Colômbia, o segundo maior produtor mundial.

“Ainda há muita incerteza sobre o tamanho da safra”, afirmou Rodrigo Costa, diretor da Newedge USA, empresa que vem comercializando a commodity por mais de duas  décadas. “Isto não tem precedentes. É impossível prever com exatidão os preços neste tipo de mercado climático. Isto está causando extrema volatilidade”. 

O café arábica para entrega em maio caiu 1,2%, para US$ 1,743 a libra-peso às 12:07 na Bolsa Ice Futures US de Nova Iorque. Os preços já subiram 57% este ano, a maior alta entre as 24 matérias-primas acompanhadas pelo índex da Standard & Poor’s. 

Os contratos futuros já aumentaram 89% em 2014 e atingiram US$ 2,0975 no dia 12 de março e desde então já caíram 17%. A seca inesperada no Brasil ocorre depois que os preços registraram o mais longo período de quedas em duas décadas, em 2013. O governo dos Estados Unidos prevê que os estoques globais se mantenham cheios pela quarta temporada consecutiva.    

Libra-peso a US$ 2,25
O analista do Citigroup Aakash Doshi afirma que os preços poderão variar entre US$ 1,50 a US$ 2,25 a libra-peso. Além da seca no Brasil, o grupo também cita a doença da ferrugem que se espalha por lavouras da América Central e no México nos últimos dois anos. 

“Os produtores não sabem se as árvores de café se recuperarão no ano que vem”, afirma Costa, da Newedge. “A alta de preços colocou os cafeicultores em uma boa situação para cuidar de suas lavouras. Se eles voltarem a aplicar mais fertilizantes, a produção poderá voltar a crescer”. 

Informações: Bloomberg

Tradução: Fernanda Bellei

 

Ibtimes: Demanda por café robusta aumenta, enquanto a procura por arábica diminui, informa BNP Paribas

As fortes altas do café arábica, registradas nas últimas semanas, já teriam provocado um aumento da demanda pelo robusta, que poderá ser incorporado aos blends, segundo o site norte-americano ibtimes.

O spread de preços (ou diferença de preço) entre o café arábica e o robusta provocou a redução da demanda pela variedade mais popular, o arábica, produzido na América Latina, enquanto a demanda pelo robusta aumenta, informou esta semana o banco europeu BNP Paribas.

“Se tivéssemos um pouco mais de spread, então a demanda pelo robusta estaria muito mais forte”, informou o estrategista agrícola Keith Flury do BNP Paribas. 

De acordo com matéria produzida pelo site norte-americano International Business Times, o arábica, produzido principalmente no Brasil, Colômbia e outros países da América Latina, é a variedade mais conhecida dos consumidores ocidentais, além de ser utilizado por redes como a Starbucks. Já o robusta é mais popular na Ásia e na preparação de café instantâneo. 

O robusta é produzido pelo Vietnã e Costa do Marfim, entre outros países. Os traders observam o diferencial de preços entre o arábica e o robusta para monitorar as variações de demanda e preço. Os contratos futuros do robusta são negociados na bolsa de Londres – LIFFE Exchange – enquanto os contratos do arábica são negociados na Bolsa de Nova Iorque – Ice Futures US. Muitos consumidores e especialistas da indústria consideram o arábica superior em qualidade e sabor. 

“O mercado está encorajando o racionamento e a produção do arábica, ao mesmo tempo em que estimula o consumo do robusta”, afirma Flury, durante uma apresentação sobre mercados emergentes e impactos das moedas sobre o café. O maior ponto de spread aconteceu em 2011, embora os níveis atuais estão mais próximos dos padrões observados em 2012. 

A diferença entre o arábica e o robusta aumentou quase 64% entre janeiro e fevereiro, informou a OIC (Organização Internacional do Café) em seu último relatório mensal. No início de março, a diferença de preços excedia US$ 1,00 por libra-peso, quando os estoques do robusta caíram para o menor nível já registrado na bolsa de Londres. 

No final de 2013, o BNP Paribas projetou um forte aumento do consumo de arábica em 2014, com base nos preços baixos e na pequena diferença entre o valor das duas variedades. Agora que os preços do arábica subiram consideravelmente, devido à seca no Brasil, o maior produtor de café do mundo, a projeção deve ser revisada, de acordo com Flury. 

“Precisamos rever a ideia de que o mundo irá consumir mais arábica em 2014... Isso provavelmente não irá mais acontecer na escala em que esperávamos, principalmente nos atuais patamares de preços”. 

A demanda por café vem crescendo devagar, mas constantemente, na última década, principalmente em mercados emergentes. Consumidores bebem mais robusta do que arábica, já que a última variedade perdeu uma parte significativa da demanda global. 

“O aumento da demanda por robusta supera muito a demanda por arábica... Se você observar a demanda global pelo arábica, verá que ela esteve relativamente igual nos últimos anos”, diz Flury. 

O café é a commodity com melhor desempenho neste ano até agora, pois já subiu 58% desde o início de 2014. Este período marcou uma das maiores e mais rápidas altas já registradas no preço do café. De acordo com a agência de notícias Reuters, este ano registrou o maior rally semanal desde 1999, quando conseguiu uma alta de 20% em uma semana. 

Os preços altos do arábica podem até fazer com que torrefadores modem a composição de seus blends de café para aproveitar os preços baixos do robusta, de acordo com a OIC. “A diferença de preços está muito alta, então poderemos usar mais robusta para reduzir o custo total”, afirmou Mauricio Galindo, chefe de operações da OIC. 

Os blends de arábica e robusta, não muito bem aceitos por alguns participantes de mercado, foram feitos só até 2011, quando o arábica atingiu o preço de US$ 3,00 por libra-peso. Nesta terça-feira (25), o arábica foi negociado a US$ 1,74 a libra-peso em Nova Iorque. 

Informações: International Business Times

Tradução: Fernanda Bellei

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Notícias Agrícolas

1 comentário

  • Joao Paulo de Oliveira Andradas - MG

    La vem essa conversa de novo da mudança nos blends de cafe, e com isso parece que vai diminuir o uso do cafe arábica e aumentar o uso do robusta, na visão desse banco europeu eles esquecem de consultar os números da OIC que estima um consumo de 146 milhões de sacas, e também que a safra brasileira vai ter quebra muito grande, ou seja, não vamos atingir os 146 milhões de sacas, muito pelo contrario vamos ficar bem abaixo disso, então podem mudar seus blends fazerem o que quiserem não adianta vai faltar cafe. E mais um fato que em todas as analises que vejo, quase não se fala na quebra pra safra 2015, que na minha opinião vai ser pior que essa. Eu estou chegando a conclusão, que quando os preços começam a favorecer o produtor vem esses tipos de analise totalmente inadequada com a realidade para nos prejudicar, mas muito em breve vereamos a realidade, que vai assustar muita gente, principalmente quem faz este tipo de analise.

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