WSJ: Aumentam as disputas de traders por café de qualidade nos EUA

Publicado em 09/04/2014 16:06 e atualizado em 09/04/2014 18:03 1198 exibições

A xícara de café que você estava acostumado a tomar foi substituída por uma bebida selecionada, de alta qualidade, graças aos consumidores mais exigentes. Agora, os contratos de compra de café que sustentam uma indústria avaliada em US$ 30 bilhões de dólares também devem sofrer reajustes.

De acordo com matéria publicada hoje pelo The Wall Street Journal, executivos do setor estão adaptando seu modelo de compras para assegurar os padrões de qualidade do café. Eles já enfrentam escassez dos grãos mais “cobiçados” do mundo enquanto tentam abastecer seus consumidores com uma bebida classificada como gourmet. 

Esta escassez já está se refletindo nos preços do café no mercado futuro. Os preços do café arábica, a variedade mais consumida, já subiram 78% este ano, devido à seca prolongada que ameaça reduzir drasticamente a produção do Brasil. A produção na América Central também teve uma queda de 25% nas últimas duas safras, devido a um severo surto de ferrugem. 

Para ilustrar o aumento da demanda pelo café de qualidade, uma recente pesquisa feita pela Associação Nacional do Café dos Estados Unidos (National Coffee Association of USA) mostrou que 34% dos consumidores de café haviam tomado uma xícara de café gourmet no dia anterior. No ano passado, a média era de 31%. Já o consumo de café não-gourmet caiu 35% em relação ao último relatório. 

“A verdade é que as pessoas gostam de café de qualidade”, disse Ric Rhinehart, diretor executivo da Associação de Cafés Especiais da América. 

Disputa pelo melhor café
A busca pelos melhores cafés aumentou as disputas entre os produtores, traders, torrefadoras e outros compradores. 

Embora tenha havido algumas alterações, os termos do contrato atual para o comércio de café foram elaborados há mais de uma década, antes dos torrefadores começarem a viajar para os países tropicais onde o café é cultivado artesanalmente para selecionar os melhores grãos. 

Como resultado, às vezes não fica claro quem é o responsável quando o café de baixa qualidade é comercializado: o comprador que encontrou o produtor e selecionou um lote específico de grãos, a comercializadora que embarcou o café ou o produtor.

Classificação de qualidade
Membros da indústria de café especial estão requisitando uma nova classificação para os contratos que são a base da maior parte do café comercializado na América do Norte. Eles querem uma atualização dos padrões de qualidade e um mecanismo que permite especificar quem é o responsável quando um lote está com qualidade abaixo do esperado. 

Rhinehart afirma que pediu aos membros da associação que supervisiona os contratos da maior parte do café comercializado nos EUA por um processo de arbitragem mais “refinado”, para ver se o café comprado nas disputas atende aos padrões de qualidade. 

A Green Coffee Association, grupo de comercialização que inclui membros de empresas alimentícias, como J.M. Smucher Co., Nestlé e unidades de grandes traders como a Louis Dreyfus Commodities, está discutindo como trazer seus contratos em melhor alinhamento com as necessidades da indústria de café especial. 

Uma importante questão que os traders e torrefadoras estão tentando resolver é como lidar com os exigentes métodos de seleção de origem do café.

“Até agora, só temos um contrato informal”, afirmou Michael Johnson, presidente da torrefadora JBC Coffee Roasters, em Madison, Wisconsin. Ele disse que perdeu US$ 15 mil em 2012 porque comprou de 100 a 150 sacas de um produtor de El Salvador porque seu café faltava “doçura e sabor multidimensional”. Ele precisou passar o café pela torrefação francesa - um método que não é ideal para grãos de alta qualidade – para salvar sua compra, que ele chamou de “blasfêmia do café”. 

Luis Araújo, quinta geração de produtores de café de El Salvador, que vendeu o lote, afirmou que o problema estava no excesso de umidade dos containers refrigerados que transportaram os grãos. Ambos concordam eu seria bom ter um contrato para melhor identificar os problemas de qualidade do café. 

Mudanças na comercialização
Por décadas, a comercialização de café era simples. Grandes torrefadoras que produziam as sacas de café que por muito tempo dominaram as prateleiras dos supermercados compravam os grãos diretamente de uma importadora, geralmente multinacional. Os preços pagos dependiam de padrões de qualidade mais gerais, origem do café, como eram processados e o número de defeitos em uma saca.

Mas agora isso mudou. Enquanto grandes containers são carregados com apensas uma qualidade de café para torrefadoras comerciais, muitos cafés são comprados por empresas independentes, em pequenos lotes, e não em grandes sacas, como o milho, trigo ou açúcar.

Torrefadoras de cafés gourmets estão agora comprando seus grãos de fazendas específicas, e às vezes de uma área em especial da fazenda.

Informações: The Wall Street Journal

Tradução: Fernanda Bellei

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Notícias Agrícolas

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