Café: Preços voltam a despencar em NY com quedas acima dos 600 pontos

Publicado em 16/04/2014 18:05 e atualizado em 16/04/2014 18:39 799 exibições
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O mercado do café arábica teve mais uma sessão negativa nesta quarta-feira (16) na Bolsa de Nova Iorque (Ice Futures US), com os contratos para entrega mais próxima perdendo em média 620 pontos. 

O vencimento maio fechou em 185,80 centavos de dólar por libra-peso e queda de 620 pontos, assim como julho, que fechou em 188,85 cents / libra-peso. Todos os contratos perderam o patamar dos US$ 2,00 nesta segunda sessão consecutiva de queda. A volatilidade também marcou o mercado, com oscilação de quase 1.400 pontos entre a máxima e a mínima para o vencimento maio. 

Agências de notícias internacionais continuam relacionado as quedas às notícias de chuvas nas regiões produtoras de café em Minas Gerais. De acordo com o analista de mercado Nelson Carvalhaes, não há outro fato no mercado que justifique essas quedas. "As chuvas não resolvem mais para esta safra e para a próxima safra o crescimento dos ramos também já está comprometido". 

O engenheiro agrônomo Armando Portas também confirma que chuvas agora não resolveriam o problema causado pela seca. "Boa parte dos grãos já estão maduros, portanto, a umidade só causaria a fermentação dos grãos". Portas defende ainda que as notícias de chuvas só provocam um efeito "psicológico" no mercado, fazendo com que investidores que não conhecem o setor realizem lucros.  

Nelson Carvalhaes afirma que a volatilidade do mercado deve prevalecer enquanto não tivermos informações mais concretas sobre o tamanho da quebra. "Pode ser que os preços voltem a subir amanhã, não se sabe,  porque o mercado está muito volátil". 

No mercado físico, o café bebida dura, tipo 6, acompanhou o movimento de NY e também registrou queda. Em Guaxupé-MG a saca de 60kg caiu 3,09% e é vendida a R$ 439,00. Em Aguarí-MG a saca é comercializada a R$ 465,00 após uma queda de 2,11%. 

Veja abaixo a tabela com o volume de chuvas registrado os dias 14 e 15/04 em alguns dos municípios produtores de café em Mninas Gerais (Fonte Cooxupé):

Precipitações (mm)

Total mensal

Município

14/04/14

15/04/14

Alfenas

43.2

0.0

63,2

      Cabo Verde

64.2

0,2

121,2

Caconde

33.6

0.0

136,2

Campestre

19.4

0,6

122,2

Campos Gerais

14.4

0,8

35,0

Carmo do Rio Claro

4.0

0,2

33,4

Coromandel

29.6

0.0

90,4

Guaxupé

32.0

0,2

124,2

Monte Carmelo

0.2

0,6

32,4

Monte Santo de Minas

72.8

0,2

192,8

Nova Resende

36.0

0.0

105,8

Rio Paranaíba

9.8

0.0

44,4

São José do Rio Pardo

3.8

1,2

72,0

Serra do Salitre

3.2

0,2

37,4


Leia algumas notícias divulgadas hoje pelo clipping do CNC (conselho Nacional do Café): 
 

Reuters: Colheitas iniciais de café apontam quebra superior ao esperado, diz Cooxupé

As primeiras colheitas na área de atuação da Cooxupé, a maior cooperativa de cafeicultores do mundo, mostram uma quebra superior aos 30 por cento apontados em um estudo recente do setor sobre a safra de café no sul de Minas Gerais.

No entanto, os resultados iniciais, embora indiquem um problema ainda maior para os produtores, podem não espelhar o resultado final da safra 2014 afetada severamente pela seca e altas temperaturas do início do ano.

A afirmação é de Carlos Paulino da Costa (foto: Valor / Ruy Baron), presidente da Cooxupé, com sede em Guaxupé, no sul de Minas, principal região produtora de café arábica do Brasil.

O país é o maior produtor e exportador global da commodity, que atingiu máximas de mais de dois anos recentemente em Nova York por temores sobre a redução na oferta brasileira.

"O que está deixando a gente alarmado é com relação à renda. Fizeram uma projeção que o grão iria ser menor (pela seca). Estão começando a colher, e está dando uma queda superior ao que se imaginava", disse Paulino da Costa, em entrevista à Reuters, na noite de terça-feira.

Ele se referiu a uma pesquisa encomendada pelo Conselho Nacional do Café (CNC) à fundação de pesquisas Procafé, que apontou perdas de cerca de 30 por cento para o sul e oeste de Minas na comparação com o volume esperado pelo Ministério da Agricultura em seu primeiro levantamento, divulgado em janeiro, antes de o clima adverso afetar os cultivos.

"Aparentemente, a quebra no Sul de Minas vai ser superior aos 30 por cento. Mas se me perguntar quanto será, eu não tenho condições de chutar", disse Paulino da Costa.

O número de quebra apurado pela fundação, inclusive, foi muito semelhante a uma avaliação inicial feita em fevereiro pelo presidente da Cooxupé.

"Mas, estatisticamente (considerando o restante da safra), não é correto afirmar que vai perder mais (com base apenas nos números iniciais)", disse Paulino da Costa, explicando que o café colhido agora é possivelmente aquele que sofreu mais os efeitos da seca e das altas temperaturas.

O representante dos produtores disse que a cooperativa já recebeu café em suas unidades de Minas dos municípios de Carmo do Rio Claro, Alpinópolis e Alfenas.

"Já entrou café, e houve uma quebra muito grande. Não convém falar os valores, não acredito que será neste nível (de quebra até o final)", comentou.

Colheita – O presidente da Cooxupé afirmou que o volume colhido na área da cooperativa ainda é tão pequeno que não é possível falar em percentual colhido.

Ele ressaltou, contudo, que a colheita está adiantada, também pelo efeito climático, que acelerou o ciclo dos cafezais. "Essa colheita que acontece agora, aconteceria em maio, adiantou mais de 15 dias", disse ele, confirmando informação de especialistas.

"Quem está colhendo agora faz colheita manual, para colher com a máquina, precisa estar mais maduro no pé inteiro... Manualmente, em talhão pequeno, ele consegue ser seletivo, não colher o grão verde."

As chuvas recentes que atingem as regiões produtoras, inclusive as da Cooxupé, não devem atrapalhar a colheita no momento, segundo Paulino da Costa, até porque o percentual da área com cafezais prontos é pequeno.

A Somar Meteorologia aponta acumulados acima da média de abril para a região de Varginha, no sul de Minas, além de prever um final de abril chuvoso para as principais regiões cafeeiras do país.

"Não atrapalha, pois poucas pessoas começaram. A chuva agora é positiva, pois repõe a umidade do solo. Para a safra deste ano, não vai adiantar mais, mas para o futuro (safras futuras), sim."

Chuvas que se prolongam por muitos dias costumam afetar os trabalhos e prejudicar a qualidade do produto colhido.

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Por:
Fernanda Bellei
Fonte:
Notícias Agrícolas

1 comentário

  • Lucas Costa Moterani Machado - MG

    Olá, sou biólogo, agrônomo e produtor de café a mais de 10 anos e minha familia produz a gerações. Só tenho a dizer que esse tipo de especulação mostra como traders e derivados não tem o minimo conhecimento e discernimento em relação a commodities agrícolas, no caso do nosso café, a necessidade da chuva já passou, a águá necessária para a absorção dos nutrientes necessários para o desenvolvimento do grão não foi suprido, e agora qualquer chuva que seja não refletirá na producao cafeeira, muito pelo contrário, sei que além de mim muitos companheiros produtores já começaram a sua colheita, e sabemos o que chuva nesso momento signifia, prejuizos, somados a perda por grãos chochos foi mais de 40% no meu caso, isso sem levar em conta a quebra de rendimento causado por grãos mal desenvolvidos, temos nossa qualidade e quantidade do café totalmente abalada. Não precisam se preocupar com essa queda de valor, a realidade vai dar um tapa na cara desses aproveitadores, o café vai a preços exorbitantes, pena que não teremos café para vender!

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