Café: NY fecha em queda após previsões conservadoras para a quebra no arábica

Publicado em 19/05/2014 17:52 e atualizado em 20/05/2014 11:53 803 exibições

O mercado do café arábica encerrou novamente em queda na Bolsa de Nova Iorque (Ice Futures US) nesta segunda-feira (19). Em mais uma sessão marcada pela volatilidade, as cotações dos contratos para entrega mais próxima recuaram entre 155 e 235 pontos. Alguns analistas afirmam que o mercado aguardava previsões de quebra mais acentuada na produção de arábica nos relatórios do USDA e da Conab, divulgados na semana passada. 

O vencimento maio perdeu 235 pontos e fechou em 180,15 centavos de dólar por libra-peso. Para os vencimentos julho, setembro e dezembro a queda foi de 155 pontos e os contratos encerraram, respectivamente, em 183,50 cents, 185,75 cents e 188,85 cents / libra-peso.

“Enquanto o mercado não tiver a convicção de quanto vai ser a safra, dificilmente as volatilidades passarão”, afirmou o analista de mercado Marcus Magalhães da Maros Corretora.   

Redução conservadora para o arábica
Para o presidente do Conselho Regional de Café da região de Guaxupé-MG, Fernando Barbosa, produtores e especialistas do mercado aguardavam uma estimativa de safra para o arábica entre 28 e 29 milhões de sacas, porém, a Conab divulgou a estimativa de 32,23 milhões de sacas de arábica, enquanto o USDA prevê 33,1 milhões sacas, volumes acima do esperado. “As previsões para a safra brasileira total, que considera as variedades arábica e conilon, foram bastante diferentes: o USDA prevê 49,5 milhões de sacas e a Conab prevê 44,6 milhões... Mas para o arábica, a previsão foi parecida e aponta para um volume acima do que esperávamos”. Barbosa defende que as estimativas fizeram o mercado internacional entender que a quebra de arábica não será tão grande. 

O analista de mercado Eduardo Carvalhaes informou também que o preço oferecido na saca pelos compradores no mercado interno está mais baixo, em torno de R$ 420,00 e R$ 430,00. “Estamos tendo poucos negócios, pois o produtor não quer entregar seu café a este preço”. 

Carvalhes lembra ainda que notícias de frentes frias nas regiões produtoras poderão trazer novas altas para as cotações. “As colheitas estão avançando agora e chuvas poderão prejudicar seu andamento”. 

Basbosa também ressalta que a ocorrência de frio e chuvas propicia a incidência da phoma, doença fúngica que costuma aparecer no inverno. 

Ferrugem na América Central 
A agência de notícias AP (Associated Press) informou hoje que a incidência de ferrugem na América Central é a maior em 40 anos e já causou um prejuízo de US$ 1 bilhão para a produção, principalmente de café arábica. A USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional) anunciou um investimento de US$ 5 milhões em pesquisas para o combate da doenças em parceria com o Centro Mundial de Pesquisas do Café da Universidade do Texas A&M. A Starbucks, maior franquia de cafeterias do mundo, já comprou uma fazenda em Costa Rica, país produtor de café arábica, para desenvolver estudos sobre a doença. 

No mercado físico, o café tipo 6, bebida dura, registrou quedas em algumas praças e altas em outras. Enquanto Guaxupé-MG teve queda de 1,15% e a saca de 60 kg foi comercializada a R$ 428,00, Poços de Caldas-MG registrou alta de 1,19% e a saca encerrou o dia valendo R$ 425,00. Em Maringá-PR o recuo foi de 4,88% e a saca foi negociada a R$ 390,00.  


Reuters: Exportação de café do Vietnã cai 24% em abril ante março

O Vietnã, maior produtor de café robusta do mundo, exportou 210.750 toneladas do grão (3,5 milhões de sacas) em abril, uma queda de 24,3 por cento em relação ao mês anterior, informou a alfândega do país nesta quinta-feira. Os embarques estão bem acima das previsões dos comerciantes, que indicavam exportações de 150 mil a 180 mil toneladas, mas abaixo de uma estimativa inicial do governo de 220 mil toneladas.

Com o volume embarcado em abril, as exportações de café do Vietnã no período de outubro de 2013 a abril de 2014 somaram 1,09 milhão de toneladas, aumento de 11,2 por cento ante um ano atrás, com base em estatísticas do governo.
 

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Por:
Fernanda Bellei
Fonte:
Notícias Agrícolas

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