Café: NY fecha em queda diante de análises otimistas para safra brasileira

Publicado em 03/06/2014 17:58 e atualizado em 03/06/2014 18:29 808 exibições

O mercado do café arábica teve mais um dia negativo na Bolsa de Nova Iorque (Ice Futures US) nesta terça-feira (3). Todos os contratos para entrega mais próxima ficaram abaixo dos 180 centavos de dólar por libra-peso, depois de perderem entre 115 e 120 pontos. Os recuos ainda seriam reflexo da estimativa conservadora para a safra brasileira feita pelo grupo Mercon, além de notícias internacionais de que as chuvas registradas nos últimos dias no país poderiam recuperar perdas. 

O contrato para entrega em julho fechou em 171,15 cents / libra-peso. O setembro perdeu 115 pontos, encerrando em 173,60 centavos de dólar por libra-peso; o vencimento dezembro encerrou em 177,00 cents e o vencimento março também perdeu 115 pontos, fechando em 179,75 cents / libra-peso.

O engenheiro agrônomo da Fundação Procafé, José Braz Matiello, afirma que, apesar das especulações, as chuvas não irão reverter os danos que já foram causados pela seca nos cafezais. “A planta tem sua fase certa para encher os grãos... Se não encheu até agora, não irá encher mais”. 

A agência de notícias Bloomberg informou hoje que o ministro da Agricultura, Neri Geller, afirmou que as perdas no café não deverão ser tão grandes quanto o esperado, depois da seca prolongada no país. Geller teria informado que as chuvas registradas no mês de maio contribuíram para melhorar a situação da safra. Clique aqui para ler mais sobre o depoimento do ministro.        

Para o trader Jaime Leme Neto, da exportadora Terra Forte Cafés, o mercado se mantém volátil diante de estimativas conflitantes para a safra. “A distância entre os números ainda está muito alta... A Volcafe prevê uma safra de 45,5 milhões de sacas e a Mercon aponta para 50,5 milhões de sacas. O mercado fica volátil e o lado de fora tende a acreditar no número mais alto”. 

A previsão da Terra Forte é de uma safra de 47,4 milhões de sacas e estoques de passagem de 8 milhões de sacas no dia 1º de julho. “Vai ser bem apertado, mas ainda teremos condições de embarcar 32 milhões e atender o consumo interno com 20 milhões de sacas”. O trader afirma ainda que será necessário usar muito dos estoques para atender a demanda.

Neto afirma que, a longo prazo, o mercado é positivo. “Com base em nosso número, o mercado é positivo a longo prazo... Teremos que usar muito dos estoques que tem lá fora”.

Clima extremo  
Jaime Neto ressalta que o clima foi extremamente desfavorável para o desenvolvimento desta safra e que chuvas leves podem ajudar a reduzir o déficit hídrico do solo, porém, também podem atrapalhar as colheitas. “Não choveu de janeiro até agora, então o déficit hídrico do solo é muito alto... Se começar a chover muito, será péssimo para a colheita”.

Oferta reduzida  
O andamento da colheita de café arábica no país é diferente em cada região. Na Zona da Mata mineira, segundo Jaime, a colheita já chegou a 30%, na região da Baixa Mogiana a colheita está entre 15% a 20%, mas em áreas como Varginha-MG e Guaxupé-MG os volume ainda são bastante pequenos. “A média nacional de colheita está entre 20% a 25%”.  

Um dos problemas que mais preocupam os cafeicultores é o rendimento do café beneficiado. De acordo com Jaime, geralmente são necessários 450 litros de café para encher uma saca de 60 kg, mas este ano, a grande quantidade de cafés chochos e pequenos faz com que sejam necessários  mais litros. “temos relatos de cafeicultores que estão precisando de até 900 litros de café de lavouras novas para encher uma saca. De lavouras velhas, precisamos entre 600 a 700 litros”. 

O número de cafés defeituosos também é grande nesta safra, segundo o trader. “A média que temos de catação é de 20%, este ano, será entre 25% a 30%”. A oferta de café de qualidade poderá ficar comprometida diante deste cenário, de acordo com Jaime. “Vai diminuir nosso café exportável... Teremos que recorrer aos estoques para atender o mercado de café de qualidade”. 

No mercado físico, o café tipo 6, bebida dura, fechou em campo misto. As praças de Espírito Santo do Pinhal-SP e Marília-SP fecharam com altas de 5,13% e 2,63%, respectivamente, para a saca de 60 kg. Em Poços de Caldas-MG, o café teve queda de 2,53% e a saca é vendida a R$ 385,00. Em Patrocínio-MG, a queda foi de 2,44% e a saca vale R$ 400,00.  
 

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Por:
Fernanda Bellei
Fonte:
Notícias Agrícolas

2 comentários

  • Thyers Adami Junior Santa Rita do Sapucai - MG

    Amigos cafeicultores. Acho que pelo menos na minha região,estamos precisando que estes senhores que fazem esta tal "analise otimista" da safra venham nos consolar,pois parece que estamos em outro planeta ou então não estamos falando a mesma lingua. Não consigo entender este mercado maluco,que devia estar subindo ou se mantendo , esta caindo dia a dia. Será que estão querendo tapar o sol com a peneira? Como ficamos com nossos compromissos, com uma safra pequena desta ,e ao que parece , a próxima vai ser ainda pior? Com quase 30 anos de profissão nunca vi se gastar mais que 600 litros para se obter uma saca limpa. Tem produtor que esta gastando 900 litros. O que será o fim disto? Desemprego no campo e muita terra à venda. Vamos em frente.

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  • Domingos Ribeiro de Andrade Bom Sucesso - MG

    NUNCA OUVI FALAR DESTE GRUPO MERCON , MAS PARECE QUE UMA SIMPLES INFORMAÇÃO DESTE GRUPO É MAIS VALIOSA QUE A DE MILHARES DE PRODUTORES DE CAFÉ QUE ESTÃO SENTINDO NO BOLSO O EFEITO DESTA CONSPIRAÇÃO PARA BAIXAR OS PREÇOS E TRANSFERIRMOS NOSSA PRODUÇÃO PARA ESTES ESPECULADORES QUE FINGEM NÃO CONHECER A REALIDADE DA SAFRA.

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