Café: leves quedas na Bolsa de NY contrapõem a última sessão

Publicado em 26/06/2014 11:13 367 exibições

O mercado de café arábica na manhã desta quinta-feira (26) até tentou dar sequência ao movimento de alta da sessão anterior , mas até o momento tem prevalecido um movimento de realização de lucros depois dos ganhos expressivos de ontem. Os operadores ainda estão aguardando mais informações sobre o real tamanho das perdas na safra brasileira e por isso, as cotações permanecem voláteis.

O vencimento julho às 10h24 (Brasília) operava a 179,10 centavos de dólares por libra-peso, queda de 85 pontos. O contrato para entrega em setembro tem decréscimo um pouco maior de 140 pontos, para 180,65 cents/libra-peso. Dezembro trabalha a 183,95 centavos/libra-peso e março/2015 a 187,60 cents/libra-peso, anotando 110 pontos menos. 

Veja como fechou a sessão de ontem:

Café: forte alta eleva os principais contratos em 580 pontos na Bolsa de NY

Um fechamento surpreendente na sessão desta quarta-feira (25) na Bolsa de Nova Iorque (Ice Futures US). Os principais contratos encerraram em ascensão de 580 pontos, maior patamar desde 20 de maio, depois de leve queda no pregão de terça-feira (24).
 
O vencimento julho registrou 179,95 centavos de dólar por libra-peso, um aumento de 3,33%. Setembro anotou 182,05 cents/libra-peso. Os contratos para entrega em dezembro tiveram alta de 3,23% para 185,60 cents/libra-peso e março/2015 encerrou em 188,70 cents/libra-peso.

“Uma certeza que te dou é de que o mercado vai continuar volátil pelas informações desencontradas que estão chegando, como: incertezas sobre a safra brasileira, chegada do inverno com clima favorável até o momento, questionamentos sobre o rendimento 2015...”, explicou o analista do portal Safras & Mercado, Gil Barabach. 

Outra explicação que Gil apresentou para as constantes altas e baixas registradas no mercado cafeeiro são as posturas técnicas. Os investidores e fundos apostam nas crescentes para efetuarem as vendas e conquistarem valores mais elevados nas negociações. Após as vendas, os valores descem e o mercado segue alternando em preço maiores e menores. 

Estoques reduzidos e quebra na produção mundial
A quebra de 1,5 milhão de sacas na produção mundial de café em 2014/2015 projetada e divulgada pelo Departamento de Agricultura dos Estados unidos (USDA) também pode ser um fator para o fechamento do mercado em alta. Segundo o relatório, os números devem fechar em 148,671 milhões de sacas de 60 quilos, ante 150,145 milhões de sacas da última temporada.

Em análise feita pelo presidente do Conselho Regional de Café da região de Guaxupé-MG, Fernando Barbosa, “a divulgação desses números (quebra de 1,5 milhão no mercado mundial), a baixa nos estoques da Bolsa de NY e a projeção do aumento do consumo de café mundial em 2%, devem ser fatores relevantes para as fortes altas registradas nessa sessão.” 

Ferrugem no Brasil e na América Central
A ferrugem – doença causada por fungo – tem devastado lavouras inteiras na América do Sul e Central. No Peru – quinto maior produtor de café de qualidade (arábica) - houve perda de mais de 24 mil toneladas apenas em uma região cafeeira, em Jurín.

Esse grande problema também tem afetado o Brasil. “O cenário das lavouras brasileiras não está nada bem. Além de uma quantidade enorme de resíduos nos grãos, a ferrugem, que antes só atacava algumas regiões do Brasil, agora está presente em todas as áreas. Recebi informações que cidades como Três Pontas, Campos Gerais e até alguns municípios de São Paulo estão tendo grandes perdas por conta da ferrugem”, contou Fernando. 

Clima favorável
Apesar dos valores altistas da sessão desta quarta-feira (25), o clima no Brasil e na América Central continua favorável para as lavouras. O inverno chegou no país no último final de semana e registrou temperaturas negativas em algumas regiões, porém não afetou às principais áreas cafeeiras. 

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Por:
Talita Benegra
Fonte:
Notícias Agrícolas

1 comentário

  • victor angelo p ferreira victorvapf nepomuceno - MG

    Trabalhei quatro anos na Cacex ( Carteira de comércio exterior) Os superfaturamentos já aconteciam naquela época e já os denunciava, bastava fazer uma "fatura pro-forma" dizendo que "estes eram os preços do mercado internacional" que a guia era emitida...Bastava ter uma "trading" no exterior para regulamentar um superfaturamento...Hoje em dia nem se fala, tá tudo escancarado...Não estranho informações manipuladas sobre o café. porque é o mínimo que podem fazer...É a verdadeira guerra que se trava para se obter o ganho monetário, aliás, inerente ao comécio internacional...Cabe a nós, produtores, refutar todas notícias tendenciosas...Inclusive dou mais uma dica para os analistas de mercado: Consultem os caminhoneiros para se saber corretamente como está sendo o faturamento com o carreto de café...

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