Chuvas em excesso e clima frio favorecem as doenças do café.

Publicado em 11/07/2014 09:58 e atualizado em 11/07/2014 11:17 371 exibições
Texto escrito e publicado no facebook por Fernando Barbosa

Nos dias 09 e 10 choveu 47mm no acumulado, com isso os produtores se anteciparam com as previsões de chuvas e correram contra o tempo para recolher os cafés com meia seca para diminuir as perdas em lavouras de café no Sul de Minas. O bioprotetor combate fungos que causam mofo nos grãos e será uma alternativa nos terreiros para os cafés que foram colhidos e estão verdes, agora o que me preocupa são os grãos que estão no pé. Os grãos já começaram a fermentar no pé e a temperatura está mais baixa.

Também com vários dias em seca, os ramos "varas", tiveram maturação igual e já começam a aparecer as primeiras flores .

Nós produtores sabemos que frio e chuvas são fatores que prejudicam a lavoura nessa época, ainda mais com cafés de altitude acima de 1100 metros. A temperatura ambiente e a umidade relativa exercem influência sobre a qualidade da bebida. 

Quando o café tem má qualidade, em consequência de um preparo inadequado no terreiro, o produtor até fica conformado. Mas não fica convencido dos erros quando vem da lavoura, isso aconteceu em 2007 e 2013.

O café é um dos produtos agrícolas cujo preparo requer especial atenção, a fim de que sejam preservadas as suas qualidades, desde a colheita ao beneficiamento. O preparo do café envolve uma série de operações e de sua execução racionalmente conduzida depende a obtenção de um produto do  qual as características de tipo e de qualidade são exigidas para a sua boa comercialização.

Dois são os métodos de preparo de café conhecidos: via seca e via úmida.

Seca são cafés no terreiro que chamamos de natural sem utilizar a água, já via úmida são os chamados cafés lavados ou despolpados. É indispensável o uso da água.

As operações comuns a ambos compreendem limpeza, separação, secagem, armazenamento, beneficiamento e classificação. Especificamente, o método por via úmida inclui trabalhos de separação de café em cereja, despolpamento, remoção da mucilagem e lavagem do produto. O preparo do café depende, essencialmente, do produto da colheita. Tratando-se, por conseguinte de operação que se destaca como fundamental ao objetivo visado, especialmente no caso de se utilizar o método por via úmida, a colheita será apreciada em suas linhas gerais.

Normalmente são praticados três sistemas de colheita: derriça no chão, colheita no pano e a "dedo" e automotriz "mecânica", mas alternativas são adotadas nas regiões das montanhas cafeeiras e que tem dado certo, são as chamadas maquininhas, criadas na cidade de Nova Resende no sudoeste de Minas Gerais.

Os cafés de derriça propriamente e as operações complementares de rastelação e abanação eram usados nas épocas em que não visavam a qualidade, hoje não podemos nem pensar nessa hipotese. De maneira geral, pode-se admitir que o tempo total gasto na colheita é assim distribuído: 60 a 70% na derriça, 20 a 30 % na rastelação e 10 a 15% na abanação e o que aconteceu neste ano de 2014 é que os grãos chochos caíram antes mesmo de colher.Por isso, os cafés são ventilados e jogados fora .

No clima quente e seco, onde o café amadurece rapidamente na planta, este sistema é admissível e apresenta rendimento satisfatório. Agora, quando chove e esfria, fica ainda pior, e a perda provocada pelos fungos certamente ocorrerá nos frutos secos .

Quando chegam à mesa, o mundo inteiro nem imagina que o produto passou por várias fases desse sistema de colheita, além das misturas nas torrefadoras. Mas o produtor pode ter certeza que toma o melhor café, porque conhece os chamados  tipos: verde, cereja, passa, bóia, coquinho, casquinhas, além de impurezas, tais como folhas, pauzinhos, terra, torrões e pedras, devido à rastelação e pela imperfeição da abanação. O sistema que usamos anteriormente utilizava mãos humanas, importante para garantir emprego aos brasileiros, também era importante no controle do terreiro e na derriça do café, que impedem o seu contato com o solo, evitando possível mistura com o café caído, seco, do chão e "casquinha", que influi negativamente na qualidade do produto.

Queremos que os sistemas governamentais e futuros políticos do BRASIL possam ver que precisa de uma política sustentável na cafeicultura, para não ficar sobre a influência do clima.

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Fernando Barbosa

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