CNC: No mês de setembro, estoques certificados de café na Bolsa de Nova York diminuíram 14%

Publicado em 01/10/2014 11:57 356 exibições
Boletim Conjuntural do Mercado de Café — Setembro de 2014 —

O mercado futuro do café arábica operou com tendência de queda na maior parte do mês e apresentando grande volatilidade. Os principais fatores baixistas foram a valorização do dólar e o aumento dos estoques dos países importadores. A incerteza quanto à suficiência das chuvas sobre as origens brasileiras para garantir o pegamento da florada da safra 2014/15 conferiu grande oscilação aos preços, que apresentaram discreta recuperação no final de setembro.

No acumulado do mês, o vencimento dezembro do Contrato C da ICE Futures US acumulou queda de 785 pontos, sendo cotado a US$ 1,9335 por libra-peso no último dia de setembro. A cotação média mensal, de US$ 1,89, foi 61% superior à do mesmo período de 2013.

Os estoques certificados de café da Bolsa de Nova York diminuíram 26,8 mil sacas, encerrando o mês em 2,38 milhões de sacas. Esse volume é 14% inferior ao registrado em setembro de 2013, de 2,77 milhões de sacas.

 

O dólar apresentou forte apreciação ante o real em setembro, chegando a atingir o maior valor desde o final de 2008. Tal movimento resultou das especulações típicas do período eleitoral, das instabilidades no cenário geopolítico internacional e das expectativas quanto ao aumento da taxa de juros dos Estados Unidos. A moeda norte-americana encerrou o mês com alta acumulada de 9%, sendo cotada a R$ 2,4480 no último dia de setembro. A desvalorização do real cria um cenário favorável às exportações brasileiras de café, com impacto negativo nos preços internacionais da commodity.

As informações divulgadas pela Organização Internacional do Café (OIC) de que os estoques nos países consumidores são crescentes contribuíram para o cenário baixista predominante nas primeiras semanas de setembro. Segundo o informativo de mercado referente a agosto da OIC, esses estoques aumentaram 18% entre março e o final de junho de 2014, passando de 18,5 milhões a 21,8 milhões de sacas. Os intensos fluxos de exportação têm sido responsáveis pela transferência de café dos países exportadores para os importadores, principalmente União Europeia e Estados Unidos.

Porém, a influência do mercado climático sobrepujou a pressão baixista do câmbio brasileiro e do aumento dos estoques nos países importadores, de forma que os preços futuros do arábica voltaram a reagir no final do mês. O cenário de déficit hídrico nas principais regiões cafeeiras do Brasil é preocupante e tende a afetar o desenvolvimento da safra 2015/16.

A Fundação Procafé alertou que as chuvas abaixo da média histórica no Sul de Minas Gerais aliadas a elevadas temperaturas criam condições para que seja registrado, em 2014, o maior déficit hídrico dos últimos anos. Além disso, as lavouras do Sul de Minas encontram-se severamente estressadas, com ocorrência de desfolha acentuada e depauperamento de plantas. Com a ausência de precipitações significativas em setembro, projeta-se uma situação alarmante com perdas substanciais para 2015.

Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), apenas a primeira florada da safra 2015/16 havia sido verificada até o final de setembro nas principais regiões produtoras de café arábica. Entretanto, o “pegamento” de boa parte dessas flores ainda é incerto devido ao déficit hídrico nas lavouras, que, no Sul de Minas, atingia 160 mm em meados de setembro.

De acordo com a Somar Meteorologia, as chuvas somente ficarão regulares e com bons volumes a partir da segunda quinzena de outubro nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil.

Diante desse cenário adverso, começaram a ser divulgadas algumas previsões de empresas internacionais para a perda no potencial produtivo da próxima safra brasileira. A F.O.Licht estimou, no final de setembro, que essa perda seria de aproximadamente 3 milhões de sacas sobre o já menor volume produzido pelo Brasil na atual temporada. Para a J. Ganes Consulting, a produção brasileira em 2015 deve ficar abaixo de 40 milhões de sacas.

O mercado futuro do café robusta negociado em Londres também acumulou perdas no mês de setembro. As cotações do contrato 409 da Liffe, com vencimento em novembro de 2014, apresentaram desvalorização de US$ 67, encerrando o mês a US$ 1.992 por tonelada. A cotação média mensal, de US$ 2.004/t, foi 16,6% superior à do mesmo período do ano passado.

Os estoques certificados monitorados pela bolsa londrina mantiveram a tendência de recomposição de volumes, atingindo 1,63 milhão de sacas no final do mês, ante 1,41 milhão de sacas registradas nos últimos dias de agosto. Os estoques se encontram em patamar 30% superior ao apurado no mesmo período do ano anterior.

No final do mês, a ICE assumiu o controle da Liffe, eliminando seu nome e incorporando os contratos futuros e de opções de café robusta, cacau, açúcar branco e trigo para ração na ICE Futures Europe.

 

No mercado físico brasileiro, a desvalorização do real ante o dólar fortaleceu os preços do café, que acumularam valorização, apesar da tendência internacional de perdas. O indicador do Cepea para a variedade arábica atingiu os maiores valores desde abril, sendo cotado no fechamento de setembro a R$ 470,88/saca. A alta acumulada no mês foi de 4,1%. Já o indicador para o café conilon apresentou variação pouco significativa, de 0,2%, encerrando o mês a R$ 253,46/saca.

Em relação à política cafeeira, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) assinou contrato com o Banco do Brasil para repasses de recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) no valor de R$ 740 milhões, elevando o montante total contratado para R$ 3,776 bilhões. O percentual de cada linha do Funcafé repassado aos agentes financeiros até o final de setembro pode ser observado no gráfico abaixo.

* Material elaborado pela assessoria técnica do CNC.

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CNC

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