CNC: Déficit hídrico continua nas principais regiões cafeeiras e aumenta preocupações para safra 2015/16

Publicado em 03/10/2014 11:52 481 exibições
OIC prorroga prazo para ingresso no AIC 2007, apresenta dados sobre a ferrugem na América Latina e parecer sobre o mercado cafeeiro.

AIC 2007 — Na semana passada, foi realizada a 113ª Sessão do Conselho Internacional do Café e demais reuniões da Organização Internacional do Café (OIC), em Londres, Reino Unido. No encontro, os titulares do Conselho aprovaram a Resolução 454, que prorrogou de 30 de setembro de 2014 para 30 de setembro de 2015 o prazo para o depósito de instrumentos de ratificação, aceitação ou aprovação do Acordo Internacional do Café de 2007 junto ao depositário. Além disso, também foi prorrogado, de 30 de setembro de 2014 para 30 de setembro de 2015, ou até data posterior que o Conselho determine, o prazo para o depósito de instrumentos de adesão ao AIC/2007.

DÉFICIT DE OFERTA — Ao longo da semana, o chefe de operações da OIC, Mauricio Galindo, fez uma apresentação sobre a situação do mercado cafeeiro, na qual indicou que a seca que afetou as principais regiões produtoras do Brasil deverá reduzir a safra do principal produtor mundial e gerar déficits globais na oferta de café nas temporadas 2014/15 e 2015/16. A estimativa é que a demanda fique entre 4 milhões e 5 milhões de sacas acima do volume produzido.

ESTOQUE MUNDIAL EM QUEDA — O diretor executivo da OIC, Robério Silva, mencionou que a forte seca que afetou as principais regiões produtoras de café no Brasil também fez com que os estoques mundiais apresentassem redução em seus volumes. Ele alertou que a quebra na produção brasileira precisa ser acompanhada, já que a redução do montante armazenado cria um cenário de maior vulnerabilidade no mercado.

FÓRUM GLOBAL E DIA INTERNACIONAL DO CAFÉ — O representante italiano da União Europeia informou aos conselheiros sobre os preparativos para o Fórum Global do Café e a comemoração do primeiro Dia Internacional do Café, que acontecerá em Milão, por ocasião da EXPO Milão. Ele apresentou informações sobre a feira, que ocorrerá de 1º de maio a 31 de outubro de 2015, e contará com um espaço de 1 milhão de metros quadros e investimentos da ordem de 2,8 bilhões de euros. Participarão 144 países, sendo 24 do continente americano, 35 da Europa, 40 da África, 42 da Ásia e três da Oceania.

Com o tema “Nutrir o Planeta, Energia para a Vida”, o evento pretende reforçar o diálogo e a cooperação para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos do mundo, em estreita ligação com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas. Para o evento, a organização espera que o visitante visualize toda a cadeia do café, desde a produção até os processos de torrefação. O Centro de Convenções Stella Polare, onde ocorrerá a EXPO Milão, sediará os eventos, de acordo com o cronograma: (i) 115ª Reunião do Conselho Internacional do Café, de 28 a 30 de setembro de 2015; (ii) Dia Internacional do Café, 1º de outubro de 2015; e (iii) Forum Global do Café, em 02/10/2015.

FINANCIAMENTO DO SETOR — No encontro do 4º Fórum Consultivo Sobre Financiamento do Setor Cafeeiro, o colegiado promoveu uma troca de opiniões sobre como os países produtores podem se engajar com eficácia com instituições financeiras multilaterais e doadoras e assegurar que o financiamento recebido dessas organizações atenda às necessidades dos produtores. O objetivo foi estabelecer um diálogo direto com as instituições financeiras multilaterais e bilaterais, doadores e financiadores sociais para discutir e implementar planos concretos para o alívio da pobreza e a criação de riqueza nas comunidades rurais que dependem da produção de café.

Como resultado, o Fórum criou um ambiente para doadores e financiadores tomarem conhecimento de oportunidades para ajudar e investir no setor cafeeiro, e para os cafeicultores terem contato direto com os doadores e se inteirarem sobre suas prioridades. Participaram 13 instituições multilaterais e bilaterais de financiamento e oito instituições apoiadoras de projetos sustentáveis, que apresentaram informações sobre os tipos de assistências financeira e técnica prestadas.

Entre as instituições multilaterais, há grupos como: Banco Mundial, Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB), Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB), Fundo Comum para os Produtos Básicos (CFC) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (IDB). Já as oito instituições bilaterais são: Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), Centro para a Promoção de Importações de Países em Desenvolvimento (CBI - Países Baixos), Sociedade Alemã de Investimento e Desenvolvimento (DEG), Agência de Financiamento a Países em Desenvolvimento (FMO – Países Baixos), Agência Alemã de Cooperação Técnica Internacional (GIZ), Istituto Agronomico per l'Oltremare (IAO - Itália), Istituto Italo-Latino Americano (IILA - Itália) e Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).

FERRUGEM NA AMÉRICA CENTRAL — A OIC anunciou, também, dados referentes às perdas ocasionadas pela ferrugem do café na América Latina. De acordo com a entidade, entre 2011 e 2013, a doença provocou prejuízo de US$ 615 milhões para o setor na região que envolve os países da América Central e o Peru. O pior cenário foi registrado na Guatemala, onde os danos chegaram a US$ 132 milhões.

Segundo a Organização, a produção de café caiu 18% entre 2012 e 2013 nessa região. Já para o intervalo de 2013 a 2014, a queda teve continuidade, mas em proporção menor, resultando em uma quebra de 2% na produção. Na América Latina, a ferrugem já afetou 658,17 mil hectares, ou 51% de todo o parque cafeeiro dos países envolvidos.

Por fim, a OIC comunicou que tem realizado esforços para encontrar soluções técnicas e contribuir para a criação de linhas emergenciais de crédito para os produtores da região, que sofrem com o problema há anos. Por outro lado, a entidade explicou que a ferrugem ainda não foi completamente controlada.

Atualização da Situação da Ferrugem Cafeeira – Safra 2014/15
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MERCADO — O persistente déficit hídrico sobre as principais regiões cafeeiras do Brasil aumenta as preocupações quanto à redução do volume a ser colhido em 2015 frente ao potencial produtivo do País. Em consequência, houve forte reação nos preços futuros do café arábica nesta semana.

Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), apenas a primeira florada da safra 2015/16 havia sido verificada até o final de setembro nas principais regiões produtoras de café arábica. Porém, o “pegamento” de boa parte dessas flores ainda é incerto devido ao déficit hídrico nas lavouras, que no Sul de Minas atingia 160 mm em meados do mês passado. O quadro abaixo resume as informações disponibilizadas pela instituição para cada praça.

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A Fundação Procafé divulgou que, embora venham ocorrendo chuvas nas principais cidades produtoras de café em Minas Gerais, o déficit hídrico é crescente. Em Varginha e Boa Esperança, por exemplo, o volume de precipitações ficou aquém do esperado em setembro, de forma que o déficit hídrico aumentou de 180 mm e 226 mm para 211 mm e 256 mm, respectivamente. Essa situação é crítica porque o caféentra em estado de murcha a partir de 150 mm de déficit, o que pode prejudicar significativamente a próxima safra.

De acordo com a Somar Meteorologia, entre os dias 7 e 20 de outubro deverá predominar clima seco na maior parte das regiões cafeicultoras do Brasil. Essa situação desfavorece a abertura de novas floradas e prejudica o pegamento daquelas que já ocorreram.

Diante desse cenário adverso, começaram a ser divulgadas algumas previsões de empresas internacionais para a perda no potencial produtivo da próxima safra brasileira. A F.O. Licht estimou, no final de setembro, que essa perda seria de aproximadamente 3 milhões de sacas sobre o já menor volume produzido pelo Brasil na atual temporada. Para a J. Ganes Consulting, a produção brasileira em 2015 deve ficar abaixo de 40 milhões de sacas.

As especulações sobre o tamanho da próxima safra nacional de café resultaram em alta de 2.255 pontos no vencimento dezembro do contrato C da ICE Futures US até o fechamento de ontem, que se deu a US$ 2,0860 por libra-peso.

O contrato futuro do café robusta negociado em Londres e agora incorporado à ICE Futures Europe, também acumulou valorização nesta semana. O vencimento novembro do Contrato 409 foi cotado, na quinta-feira, a US$ 2.053 por tonelada, registrando alta de US$ 98 em relação ao fechamento da última sexta-feira.

O mercado cambial tem sido muito favorável aos produtores de café, já que, mesmo com a expressiva desvalorização do real, os preços internacionais da commodity mantém a tendência de alta. Nesta semana, a cotação do dólar chegou a atingir o maior valor desde o ano de 2008 e encerrou o pregão de ontem a R$ 2,4918, acumulando valorização de 3,1% nos últimos dias.

Com isso, os preços do café no mercado físico brasileiro apresentaram significativa valorização, aquecendo o ritmo dos negócios. O indicador do Cepea para a variedade arábica atingiu o maior patamar desde janeiro de 2012, sendo cotado, ontem, a R$ 496,99/saca. A alta acumulada na semana foi de 11,5%. Já indicador para o café conilon encerrou a quinta-feira a R$ 262/saca, com variação positiva de 4,4% em relação à última sexta-feira.

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CNC

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