Café: Cinturão produtivo tem altas temperaturas e previsão de chuvas apenas para o fim da semana

Publicado em 27/09/2016 16:38 e atualizado em 28/09/2016 00:43
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Após um início de semana com chuvas fortes, mas isoladas, inclusive com registro de granizo em algumas localidades do Sul de Minas Gerais no último final de semana, o clima volta a ficar mais seco nas principais áreas produtoras de café do Brasil, segundo apontam mapas climáticos dos principais institutos meteorológicos. Também há a previsão de temperaturas mais altas no cinturão do grão nos próximos dias.

Essa condição, segundo o engenheiro agrônomo da Fundação Procafé, em Franca (SP), Marcelo Jordão Filho, pode piorar ainda mais a condição das lavouras da safra 2017/18 do país, que devem florescer nos próximos dias. "As lavouras têm apresentado bastante desfolha por conta das altas temperaturas nas principais regiões produtoras. Em Franca (SP), por exemplo, o déficit hídrico está em cerca de 90 milímetros e se isso continuar pode dificultar o pegamento da florada nas lavouras que ela ja apareceu", afirma.

Em entrevista recente ao Notícias Agrícolas, o superintendente de comercialização da Cooxupé, Lúcio Dias, também demonstrou preocupação com a safra 2017/18. "Em visitas pelas principais regiões produtoras já se percebe que a safra do próximo ano será entre 15% e 20% menor no arábica e no robusta por conta do clima. Isso se as condições se normalizarem. Do contrário, as perdas podem ser ainda maiores", explica Dias.  A próxima temporada já é de bienalidade baixa para a maioria das regiões.

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Segundo mapas da Climatempo, o clima deve ficar mais quente e seco nas áreas produtoras de café do Brasil até pelo menos quinta-feira, quando uma frente fria deve avançar pelas áreas produtoras de café e provocar pancadas de chuva no Sul do Espírito Santo e na Zona da Mata de Minas. Na sexta-feira, há previsão de precipitações no Espírito Santo e no leste de Minas Gerais. No Sul de Minas, maior região produtora de café do Brasil, há previsão de chuvas apenas no sábado à tarde. Em Guaxupé (MG), a previsão é de que as chuvas não ultrapassem os 10 milímetros. Já as temperaturas no meio da semana podem atingir 32°C.

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Previsão do tempo para o Sudeste do Brasil - quintaPrevisão do tempo para o Sudeste do Brasil - quinta

Previsão do tempo para o Sudeste do Brasil - quarta e quinta-feira | Fonte: Climatempo

Previsão do tempo para o Sudeste do Brasil - sextaPrevisão do tempo para o Sudeste do Brasil - sábado

Previsão do tempo para o Sudeste do Brasil - sexta-feira e sábado | Fonte: Climatempo

As principais regiões produtoras de café do Brasil têm apresentado condições climáticas adversas nos últimos dias, o que tem impactado diretamente os preços externos do grão. "Ainda está muito seco em importantes regiões produtoras do Brasil, onde a florada deve aparecer nos próximos dias. Nas regiões robusta, ela está muito atrasada", disse Michaela Kuhl, analista do Commerzbank à agência internacional de notícias Reuters. "Levando em conta as quebras de produção nas duas últimas safras isso não é um bom presságio", reportou o site internacional Agrimoney ontem (26).

Com o fim do El Niño, o clima tem sido uma incógnita até mesmo para os especialistas. "Estamos passando por um período de neutralidade, após o encerramento do El Niño e com grande possibilidade de La Niña. Enquanto não há a confirmação desse fenômeno climático, os próximos meses devem ser de muita instabilidade, característica típica da estação da primavera, que é uma estação de transição entre o período mais frio e o mais quente do ano", explica o meteorologista e pesquisador em Agrometeorologia e Climatologia da Embrapa Café (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e da Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais), Williams Pinto Marques Ferreira.

A estação chuvosa já está atrasada no Sudeste do Brasil em relação à climatologia padrão da região e só deve começar efetivamente entre o final de outubro ou no mês de novembro. Para Ferreira, esse é o maior problema para a próxima temporada de café do Brasil, que já deve ser de bienalidade baixa. "As plantas saem da última safra já esgotadas porque tiveram uma boa produção. Com o atraso no início da estação chuvosa, elas serão expostas a condições mais estressantes ainda, o que pode prejudica-las ainda mais", pondera Ferreira.

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Por: Jhonatas Simião
Fonte: Notícias Agrícolas

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