Café: Após se aproximar de US$ 1,30/lb, Bolsa de NY reage nesta 5ª feira com suporte do câmbio

Publicado em 29/12/2016 16:51
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Após recuarem forte nos últimos dias, chegando a testar o patamar de US$ 1,30 por libra-peso, os contratos futuros do café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) voltaram a subir nesta quinta-feira (29) em ajustes técnicos e com suporte do câmbio. Os principais vencimentos tiveram ganhos próximos de 200 pontos. Apesar da alta regitrada, o mercado externo segue bastante atento às informações de ampla oferta do grão em 2017. Já o setor produtivo brasileiro não acredita nisso. Na semana, o mercado acumula alta de 0,93%.

Com esse avanço, após quatro sessões seguidas de queda, os principais vencimentos do arábica voltaram a ficar mais próximos do patamar de US$ 1,40/lb. O contrato março/17 fechou o pregão de hoje a 135,45 cents/lb com 195 pontos de alta, o maio/17 anotou 137,75 cents/lb com 160 pontos de valorização. Já o vencimento julho/17 encerrou o dia negociado a 140,05 cents/lb com 190 pontos de valorização e o setembro/17, mais distante, subiu 190 pontos, cotado a 142,10 cents/lb.

O mercado registrou nesta semana mínimas de seis meses por corta do otimismo com a próxima temporada e a atuação dos fundos. Diante disso, ajustes técnicos foram vistos nesta quinta. Ainda assim, segundo o analista e vice-presidente da Price Futures Group, Jack Scoville, as tendências do café em Nova York continuam baixistas. "Os objetivos estão em 131,00 cents/lb para o contrato março/17. O suporte para o mesmo vencimento está em 132,00 cents/lb, 129,00 cents/lb e 126,00 cents/lb e a resistência está em 139,00 cents/lb, 142,00 cents/lb e 145,00 cents/lb", explica.

Já para o analista João Santaella, a tendência ainda pode ser de correção dos preços no curto prazo. "Na mínima de ontem, que não era testada há seis meses, e os preços podem ter repique em até 140,00 cents/lb, 146,00 cents/lb e 150,00 cents/lb. Os indicadores fecharam sobrevendidos, sinalizando uma correção de alta para os próximos dias", explica.

Segundo informações de agências internacionais, até terça-feira (20), os especuladores já tinham cortado suas posições compradas para 14.817 lotes, abaixo dos 51.090 lotes registrados em 25 de outubro. Essa tendência sinaliza que as vendas podem estar perdendo força. "Nós ainda estamos sofrendo com uma significativa liquidação dos fundos de investimento. A indústria continua a comprar, mas está em uma posição líquida muito confortável no momento", disse um negociante londrino à agência de notícias Reuters na quarta-feira.

Apesar da alta, os fundamentos seguem baixistas para o mercado. Com os operadores otimistas com a próxima safra do Brasil, maior produtor e exportador da commodity no mundo, e outras origens produtoras. Algumas corretores, inclusive, já apontam superávit global do grão no próximo ano. O setor produtivo do Brasil não acredita nisso por conta da bienalidade negativa das plantações na maior parte do cinturão produtivo. A última safra do país, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) foi de 51,37 milhões de sacas de 60 kg entre arábica e robusta. O volume representa um acréscimo de 18,8%, quando comparado com a produção de 43,24 milhões de sacas obtidas no ciclo anterior e representa recorde.

O câmbio também contribuiu para o avanço nas cotações do café arábica nesta quinta. O dólar comercial fechou a sessão com queda de 0,94%, cotado a R$ 3,250 na venda. No ano, a divisa acumulou queda de mais de 17%. As oscilações do câmbio impactam diretamente nas exportações da commodity e fazem com que os preços internos e externos oscilem.

Mercado interno

Seguiram isolados os negócios com café nas praças de comercialização do Brasil. A semana já é marcada pelas comemorações de final de ano e os preços ofertados no momento também não agradam o cafeicultor. "Os produtores brasileiros estão oferecendo menos no mercado, e os da América Central não estão oferecendo muito devido à fraqueza dos preços", afirma Jack Scoville. Analistas acreditam que o mercado deve voltar a ter liquidez apenas no início do próximo ano.

O café tipo cereja descascado registrou maior valor de negociação no dia em Varginha (MG) com R$ 530,00 a saca – estável. Nenhuma praça teve variação no dia.

O tipo 4/5 anotou maior valor em Guaxupé (MG) com 520,00 a saca – estável. A maior dentre as praças ocorreu em Poços de Caldas (MG) com alta de 1,04%.

O tipo 6 duro teve maior valor de negociação no dia em Patrocínio (MG) com R$ 500,00 a saca – estável. A maior oscilação no dia para o tipo ocorreu em Poços de Caldas (MG) com recuo de 0,42% e saca a R$ 472,00.

Na quarta-feira (28), o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, teve a saca de 60 kg cotada a R$ 482,62 com alta de 0,66%.

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Por: Jhonatas Simião
Fonte: Notícias Agrícolas

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