Aumento de consumo de café é insuficiente para equilibrar os preços, diz Carlos Brando
No II Fórum Mundial dos produtores de café, realizado em Campinas, Carlos Brando, especialista em Marketing, alertou que o consumo de café está crescendo em ritmo mais acelerado do que no passado, mas esse crescimento ainda não é suficiente para garantir boas condições de renda aos produtores. Ainda que não seja uma medida de resultados imediatos, aumentar o consumo é uma das soluções para enfrentar a crise de preços que afeta o setor.
No painel moderado por Brando foi apresentado o cenário do consumo de café ao redor do mundo. É na Ásia que está o maior crescimento de volume de sacas por ano. Já os europeus estão na área do mundo em que mais se consome café, mas o consumo tem crescido pouco. “A África tem um grande potencial de crescimento, mas ainda há muito o que fazer para tornar esse potencial em realidade”, afirma o moderador.
O Brasil é historicamente o país que mais aumentou seu consumo interno. Nathan Herszkowicz, Presidente executivo do Sindicafé-SP, apresentou um panorama da evolução do consumo de café no país. Aprimorar a qualidade e agregar valor aos produtos, de acordo com ele, é uma via de sucesso também para as pequenas e médias empresas, pois o é necessário que o consumidor perceba o valor do que está consumindo.
Moenardji Soedargo, Diretor de Operações e Vice-Presidente da Indústria de Café Solúvel PT Aneka Coffee Industry, explicou como a mudança de hábitos de consumo na Indonésia foi responsável pelo crescimento do setor no país. As chaves para essa mudança foram o crescimento da economia, o aumento do uso das mídias sociais, a facilidade da entrada no mercado de café e a transformação social e cultural do país, que fizeram do café uma bebida social da Indonésia.
“Pagamos caro por nosso café, então por que os produtores não estão sendo devidamente remunerados?”, questionou a americana Phyllis Johnson, cofundadora e presidente da BD Imports, em sua apresentação no painel. Ela afirmou que, durante os últimos oitos anos, o consumo de café nos Estados Unidos se manteve regular, mas as pessoas estão começando a escolher melhor o tipo de café elas querem beber. Ou seja: embora o café no país não esteja crescendo no volume, está crescendo em valor.
Fred Kawuma, Secretário Geral da Organização Interafricana do Café – OIAC, foi o último painelista a se apresentar no primeiro dia. Representante do continente africano na discussão, ele comentou que a Etiópia é o país com maior consumo no continente, respondendo por 25% do que é produzido. Já o Quênia teve o crescimento do consumo do grão de mais de 100% em cinco anos, até 2018. Kawuma usou como um bom exemplo Camarões, país que tem um festival anual de café para promover o café e criar oportunidades no setor.
2 comentários
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Lucas Costa Moterani Machado - MG
Quero saber se alguém respondeu a pergunta da Phyllis Johnson?
Mauricio Ribeiro poços de caldas - MG
Incrível como sabem tudo sobre a cadeia produtiva do café e não sabem porque os produtores são inadequadamente remunerados. Sejam dos produtores do Brasil,da Colômbia, da Africa, do Vietnã e etc.