Cafés Especiais: Com pandemia venda nas cafeterias reduz em mais de 70% e preocupa setor

O mercado futuro do café arábica, mesmo com a pandemia do Coronavírus ainda não sentiu de maneira mais agressivas as baixas nos preços na Bolsa de Nova York (ICE Future US), diferente de outras commodities agrícolas. O cenário no entanto não é positivo para toda a cadeia do setor cafeeiro. Dados divulgados pela Associação Brasileira de Cafés Especiais logo no começo da quarentena, indicam uma baixa de mais de 70% nas vendas de cafés especiais, consequência da cafeterias fechadas em todo o país.
O levantamento realizado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) com seus membros dessas categorias aponta que os associados tiveram queda média de 76,25% na venda do produto, com os mais impactados sofrendo redução de até 100% em seus negócios. Segundo a BSCA, os números foram levantados em abril, mas a realidade ainda é a mesma diante da extensão da quarentena.
Marco Suplicy, da Suplicy Cafés Especiais que tem sede em São Paulo e lojas espalhadas pelo Brasil, afirma que o faturamento caiu 95% na pandemia, tendo em vista que o foco de vendas da marca está direcionado aos escritórios e cafeterias. Segundo Marco, a Suplicy Cafés contava com 200 contratos com escritórios, que foram suspensos e sem previsão de retorno para normalização da comercialização do café, mesmo com as medidas de flexibilização já anunciada para o estado de São Paulo.
No próximo domingo, dia 7, a tradicional cafeteria Lucca Cafés, localizada em Curitiba, completa 18 anos de funcionamento e também passa pela mesma situação. Os estoques estão cheios e o faturamento com a quarentena fica em torno de 30%. Segundo Gerogia Franco, apesar de fazer as vendas por e-commerce e delivery dentro da cidade, a loja especializada em cafés de alta qualidade está fazendo a torrefação de apenas 30% do estoque.
Georgia destaca que mesmo com a flexibilização para atender 30% da capacidade da loja, a preocupação é com os estoques comprados para revenda para outros estabelecimentos, principalmente em promoções especiais como para o Dia das Mães ou Dia dos Namorados, que foram canceladas. "São lotes muito especiais, com custo entre R$ 3,000 e R$ 4,000 e se não tem saída, nós também não estamos fazendo mais compras de reposição", destaca.
A nova safra entrando no mercado promete além de boa produção, cafés de boa qualidade na produção brasileira neste ano. Segundo Juliana Paulino da Costa Mello - Presidente Associação dos Cafeicultores do Sul de Minas, a baixa no consumo da bebida preocupa o setor. Segundo a presidente, com a quarentena e cafeterias fechadas em todo o país, produtores encontram dificuldades para vender o café que seria entregue no segundo semestre. Veja a entrevista completa aqui.
Localizada na maior região produtora de cafés do Brasil, no sul de Minas Gerais, a Academia do Café, também sentiu os impactos da pandemia, tendo inclusive que fechar umas das franquias da marca. De acordo com o porta-voz da marca, Bruno Souza, o estabelecimento foi fechado logo no começo da quarentena, no dia 19 de março, já como medida de prevenção pelo que estava por vir.
De acordo com Bruno, para tentar driblar a crise, a marca tem investido mais pesado nas vendas via internet e também passou a oferecer os cursos da Academia em uma plataforma online. Apesar da possibilidade de flexibilização, Bruno afirma que ainda não sabe quando abrirá a loja para atendimento ao público. "Não adianta a gente ter uma estrutura e abrir a loja, se não temos clientes. A situação é crítica e precisamos esperar tudo normalizar", finaliza.
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