Projeção: Em 10 anos Brasil terá que produzir mínimo 72 milhões de sacas de café para atender mercados interno e externo

Em maio de 2020 o Cecafé divulgou que a cafeicultura brasileira passava por um período histórico com os estoques praticamente zerados nas principais regiões produtoras do país. Em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (13), as novas projeções indicaram que o país terá que aumentar significativamente a produção de café para conseguir atender demandas interna e externa em 2030.
Apesar da safra 2020/21 ainda estar sendo colhida e a produção ser considerada de ciclo alto, a exportação do café brasileiro segue em um ritmo positivo e o Cecafé acredita que o próximo período de entressafra também seja de aperto para os estoques brasileiros.
"Como nós estamos trabalhando com estoques baixos e exportando bastante, não duvido que ano que vem a situação será de aperto para o entressafra", afirmou o presidente do Cecafé, Nelson Carvalhaes, durante apresentação dos números de exportação de junho 2020 nesta segunda.
Ano Safra 2019/2020
No ano-safra 2019/20 (julho de 2019 a junho de 2020), o Brasil exportou um total de 40 milhões de sacas de café, considerando a soma das exportações de café verde, solúvel e torrado & moído, segundo balanço do Cecafé - Conselho dos Exportadores de Café do Brasil. O volume representa o segundo recorde histórico de exportações brasileiras de café para o mundo e foi i no período e teve como destaque o crescimento de 22,7% nas exportações de café robusta, na comparação com o ano-safra 2018/19. A receita cambial na safra 2019/20 foi de US$ 5,1 bilhões, equivalente a R$ 22,8 bilhões, o que representa um aumento de 8,8% em reais em relação ao período anterior. Já o preço médio foi de US$ 128,04.
Entre as variedades embarcadas de julho de 2019 a junho de 2020, o café arábica representou 78,8% das exportações, com a exportação de 31,5 milhões de sacas; o robusta (conilon), 11,1% (4,4 milhões de sacas); e o solúvel, 10% (4 milhões de sacas).
“O desempenho das exportações do ano-safra 2019/2020 foi muito positivo e refletiu os grandes esforços de toda a cadeia do agronegócio para exportar o café brasileiro com eficiência, apesar dos desafios da pandemia nos últimos quatro meses e do ciclo baixo apresentado na safra 2018/2019. Todo o empenho da cadeia em adotar os cuidados necessários de prevenção, garantindo a saúde e proteção de todos os profissionais envolvidos, tem sido bem-sucedido e o Brasil exportou para 125 destinos e ainda registrou aumentou as vendas para países produtores. Estamos otimistas com as perspectivas de uma boa safra em curso, tanto para os cafés arábica quanto para os conilon que até o momento vem se apresentando de muito boa qualidade, e confiantes de que o mundo poderá saborear ainda mais o café brasileiro no próximo ano cafeeiro com qualidade, eficiência e sustentabilidade”, declara Nelson Carvalhaes, presidente do Cecafé.
Projeções
Os números do Cecafé indicam ainda que para atender a demanda interna e as exportações, o Brasil precisa daqui pra frente produzir um mínimo de 60 milhões de sacas de 60 quilos por safra. A projeção indica que além de garantir o Brasil em destaque no mercado, a produção em grande escala também pode dar suporte para garantir que o Brasil conquiste ainda mais espaço no mercado internacional. É estimado pelo mercado que o consumo de café tenha aumento mínimo de 1% ao ano.
"Se nós mantermos as exportações a nível de 40 milhões, se o consumo interno foi acima de 20 milhões, só aí precisamos de mais de 60 milhões. Hoje o Brasil tem uma necessidade básica de 60 e 63 milhões de sacas/ano, somando exportação e consumo interno, segundo dados da Abic e do Cecafé", destaca Nelson Carvalhaes.
Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou uma alta na estimativa de produção da safra sendo colhida no Brasil. Segundo os últimos dados, é esperado que o Brasil produza 59 milhões de sacas de 60 kg, aumento de 3,1% em relação à previsão do mês anterior. O volume projetado para safra que está sendo colhida, se confirmado, deverá representar um crescimento de 18,2% na comparação com a temporada passada.
As projeções a longo prazo, para daqui 10 anos, sinalizam que se o país manter o ritmo de exportação, o Brasil precisará produzir ainda mais para atender as duas demandas. Os números indicam safras com, pelo menos, 72 milhões de sacas. "Veja o desafio que o maior produtor de café do mundo tem pela frente, terá que incrementar sua produção para que possa atender esse mercado prontamente", afirma Nelson Carvalhaes.
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