Mudança de meta de inflação teria pouco ganho sobre credibilidade, diz presidente do BC
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O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta quinta-feira que uma mudança na meta de inflação para acomodar pressões geradas pelos choques recentes na economia teria "pouco a ganhar" em termos de credibilidade, e indicou que o mais provável é que o ciclo de alta dos juros se encerre em maio.
Em coletiva de imprensa para comentar o Relatório Trimestral de Inflação, Campos Neto disse que a autoridade monetária entendeu como adequado sinalizar novo ajuste de um ponto percentual na Selic em maio, com a possibilidade de repensar o cenário em junho caso haja novo choque, embora considere que esse eventual ajuste adicional nos juros não é o cenário mais provável.
O presidente do BC ressaltou que “se tem uma coisa que o Banco Central tem feito é não ficar atrás da curva” de juros, justificando que a autarquia se moveu mais rapidamente que outros bancos centrais do mundo.
De acordo com Campos Neto, falar de mudança na meta de inflação de 2022 faria pouco sentido, ressaltando que as projeções para 2023 indicam que o índice de preços está próximo da meta.
Segundo ele, a autoridade monetária tem instrumentos para cumprir a meta e não cabe ao BC fazer projeção sobre mudança de meta, algo que poderia ser discutido no âmbito do Conselho Monetário Nacional.
Na entrevista, a diretora de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos, Fernanda Guardado, ressaltou que diante da defasagem do efeito da política monetária sobre a inflação, na próxima reunião do Copom, em maio, o horizonte relevante da decisão será integralmente 2023.
(Por Bernardo Caram)
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