Sustentabilidade da cafeicultura brasileira é destaque em seminário internacional

Publicado em 16/05/2022 16:55
Cecafé apresenta ações realizadas em prol da promoção da responsabilidade ambiental, social e econômica da atividade a importantes players globais do setor

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) marcou presença no XXIII Seminário Internacional do Café de Santos (ACS), realizado pela Associação Comercial de Santos (ACS), nos dias 11 e 12 de maio, em Guarujá (SP). No evento, a entidade contou com estande em parceira com o Museu do Café e integrou dois painéis de debate.

Com a presença de importantes players globais do setor, o evento permitiu a ampliação e a troca de conhecimentos a respeito de tendências e inovações no setor. O diretor geral do Cecafé, Marcos Matos, integrou o painel das associações que debateu a visão conjunta de Europa, Estados Unidos e Brasil sobre temas como LMRs, Due Diligence no Reino Unido, From Farm to Fork Strategy da União Europeia, Sustentabilidade, Comércio e Logística.

“O Brasil tem sido exemplar nas práticas ambientais do agronegócio e isso é o que sempre evidenciamos em todos os fóruns, defendo a sustentabilidade dentro dos critérios de ESG, que envolvem boas práticas ambientais e agrícolas, preocupação social e governança. Essa aprimoração dos nossos compromissos com todos os elos da cadeia produtiva foi um dos pontos que evidenciamos nesse relevante Seminário”, destaca Matos.

O diretor geral do Cecafé recorda, também, que o Código Florestal Brasileiro completa uma década este ano e que os produtores são exemplos de preservação, honrando o que entende como uma das mais – senão a mais – evoluídas legislações ambientais.

“Algumas vezes, nossos produtores possuem índices de preservação acima do que o próprio Código Florestal determina, que já é um nível ímpar mundialmente. No caso do café, por exemplo, somente nas áreas preservadas no cinturão cafeeiro de Minas Gerais possuímos um território maior que toda a extensão da Suíça, além de termos comprovado que a atividade é carbono negativo, mais retirando gases de efeito estufa da atmosfera do que emitindo gás carbônico”, evidencia.

Além de Matos, o painel teve moderação do atual presidente do Cecafé, Nicolas Rueda, e contou com contribuições de Bill Murray, CEO da National Coffee Association (NCA); Michael Von Luehrte, diretor executivo da Swiss Coffee Trade Association (SCTA); e Eileen Gordon Laity, diretora executiva da European Coffee Federation (ECF).

“Todos discutimos os desafios das novas regulamentações de importações de commodities, que visam zerar o desmatamento no mundo. Como Cecafé, participamos de todos os eventos mostrando que o café não está ligado ao desmatamento no Brasil e, nesse sentido, o país, por meio da cadeia produtiva cafeeira, fará uma manifestação formal à Comissão Europeia, com o objetivo de esclarecer se as regulamentações são vinculadas ao risco-Brasil como um todo ou se envolvem um risco mais regional por commodity”, completa Marcos.

O Conselho também teve papel de destaque no painel “Balanço de Carbono na Cafeicultura com Boas Práticas Agrícolas”, que foi moderado por Flávia Barbosa Paulino da Costa, diretora da associada Exportadora de Café Guaxupé, e contou com a participação de Silvia Pizzol, gestora de Responsabilidade Social e Sustentabilidade do Cecafé; Renata Potenza, coordenadora de Projetos de Clima e emissões do Imaflora; professor Carlos Eduardo Cerri, pesquisador da Esalq/USP; e Ariadne Caballero, sócia sênior da SP Ventures.

Silvia explicou que os resultados do Projeto Carbono do Cecafé — uma iniciativa do Comitê de RSS da entidade — vêm ao encontro das tendências da economia global mais verde, onde o ESG, a governança socioambiental, emerge como um fator direcionador de fluxos de comércio, investimentos e, principalmente, do comportamento dos consumidores dos principais mercados de destino dos cafés do Brasil.

Segundo ela, dentro da questão ambiental nos critérios ESG, são crescentes as preocupações e cobranças sobre mais transparência a respeito da pegada de carbono dos produtos industrializados e em relação ao que é feito ao longo das cadeias de fornecimento globais para a mitigação das mudanças climáticas.

“Nesse contexto, expusemos que os principais objetivos com o Projeto Carbono são contribuir para a literatura científica sobre balanço de emissões de GEE na cafeicultura, tomando cuidado para que os resultados reflitam as características intrínsecas nos sistemas produtivos brasileiros; usar esses resultados científicos para ter mais transparência na comunicação com os clientes internacionais; e mostrar a relevância e incentivar a adoção de práticas ‘descarbonizantes’ na cafeicultura, que são importantes por gerarem resiliência e adaptação às mudanças climáticas”, revela Silvia.

A gestora de RSS do Cecafé lembra que a ideia é utilizar todos esses dados científicos do Projeto Carbono, desenvolvido sob orientação técnico-científica do Imaflora e da Esalq/USP, portanto, com fundamentos científicos, para aprimorar as atividades de promoção dos cafés do Brasil pelo Cecafé, mostrando aos consumidores que a cafeicultura brasileira já adota práticas avançadas de sustentabilidade e é um importante ativo para a mitigação das mudanças climáticas.

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“O resultado alcançado coloca os cafés do Brasil no radar dos consumidores que estão preocupados com os impactos que seus hábitos de consumo causam ao planeta. Essas pessoas estão dispostas a ampliar o consumo de produtos identificados como carbono neutro, assim, aplicar os resultados do Projeto Carbono na promoção internacional dos cafés do Brasil, que é o nosso principal foco, abre possibilidades de demanda e agregação de valor nesses mercados mais exigentes quanto à governança socioambiental”, aponta.

Silvia completa que o projeto confirmou, ainda, que as boas práticas adotadas na cafeicultura brasileira geram redução da emissão de GEE além do que ocorreria sem a sua utilização. “Isso implica que é alcançada uma cafeicultura ainda mais ‘carbono negativa’ na transição do cultivo tradicional para aquele que adota práticas ‘descarbonizantes’, que é o conceito de adicionalidade, o qual foi bastante reforçado na COP26 e é fundamental para que a atividade seja elegível para investimentos verdes e para gerar conexões com o mercado de carbono, que tem grande potencial de crescimento”, explica.

Ainda no evento, uma parceria entre o Cecafé e o Museu do Café estruturou um estande moderno, que contou com peças que evidenciaram todo o respeito da cafeicultura brasileira aos critérios ESG, expostos e defendidos nos painéis. “Foi um ambiente desenvolvido em conjunto com o Museu, parceria que se estende há anos, onde expusemos investimentos em pesquisa e tecnologia e a sustentabilidade socioeconômica ambiental em todas as etapas da cadeia produtiva, atividade focada em qualidade e desenvolvimento humano de seus atores”, conclui Matos.

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Cecafé

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