Valor do café desperta atenção para roubo de carga; estratégia de transporte reduz riscos

Publicado em 12/01/2026 16:08
Transportadora monta posto avançado em unidade fabril de grande marca do país, para definir estratégia de entrega da indústria ao varejo

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), o valor médio do quilo do produto, no varejo, está acima dos R$ 60, quase o dobro em relação aos R$ 35 do ano passado. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por 18 meses consecutivos, entre o início de 2024 e meados de 2025, o preço sofreu elevação.

Diante dessa valorização, transportar café se tornou atividade de risco. Verdadeiras gangues se especializaram no roubo do produto, entre a fábrica e o comércio. No primeiro semestre deste ano, por exemplo, uma operação do Ministério Público do Estado de Minas Gerais e da Polícia Militar prendeu mais de 20 pessoas de uma organização criminosa que atuava não só em Minas, como Pernambuco e Ceará.

Para mitigar impactos, transportadoras estão desenvolvendo estratégias de gestão de entrega peculiares. “Alteramos horários para fugir do período matinal, que é o mais visado; determinamos limite de tempo para descarga na porta de estabelecimentos comerciais; e até instalamos posto avançado no ponto de carregamento, isto é, na fábrica”, explica Diogo de Oliveira, fundador e CEO do DL4 Group, empresa focada em transporte rodoviário de carga com sede em Curitiba e atuação principalmente no Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro.

A transportadora atende uma das maiores marcas de café do país, que possui unidades fabris no Nordeste e no Sudeste. “Transportar alguns produtos, como café — e também cigarros, medicamentos — é como um carro-forte carregando dinheiro vivo”, compara. “Para se ter uma ideia, um mini furgão, como uma Fiorino, com o bagageiro completo de café industrializado, tem uma carga de pelo menos R$ 30 mil.”

Além da valorização do produto, o que torna o carregamento de café atraente é a facilidade de revenda, pelas quadrilhas, em mercado paralelo. Além disso, a carga não é volumosa, o que torna ágil a transferência de um veículo para outro, explica. “É diferente, por exemplo, de uma carga de colchão”, ilustra, citando outro produto também valorizado.

Oliveira conta que a DL4 implantou dentro da indústria de café atendida no Rio de Janeiro (estado com alto índice de roubos de carga) um posto avançado, com um funcionário que mapeia e roteiriza as entregas diárias. Com essa programação, as entregas matinais em áreas de risco, “quando ocorrem 90% dos roubos”, são evitadas. “Além disso, o volume de cargas em rotas problemáticas é reduzido e, durante a descarga, a orientação é para uma parada de no máximo 15 minutos”, explica.

Com tudo isso, as ocorrências de roubo foram praticamente zeradas na DL4. Com matriz em Curitiba, a empresa expandiu sua atuação para o mercado fluminense justamente por encontrar saídas para driblar riscos. “Atendíamos Paraná e São Paulo e identificávamos demanda por cargas para o Rio de Janeiro, mas havia um gargalo: a incidência de roubo de cargas, que, com organização e planejamento, pode sim ser evitada”, comenta Oliveira. Em 2025, o Instituto de Segurança Pública (ISP) aponta alta de 10% nas ocorrências no estado, no acumulado de janeiro a agosto.

O CEO da empresa informa que esse conjunto de estratégias não se restringe ao transporte de café. Essas ações são aplicadas a outros carregamentos, principalmente quando o destino são regiões alvo de criminosos, como o Rio de Janeiro.

“Investimos na implementação de um sistema de rastreamento, o SSW, para acompanhamento detalhado de todas as etapas do processo. Outra medida foi priorizar a contratação de motoristas locais, que conhecem de perto os caminhos para escapar dos trajetos mais visados”, conta.

Atualmente, a empresa tem uma frota de 50 a 60 veículos entregando cargas, por dia, entre Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. O índice de ocorrências de furtos é de 0,03%. “De um acumulado de 20 mil entregas, houve apenas seis ocorrências”, informa o executivo.

O DL4 Group foi fundado em 2014. Além de Diogo de Oliveira, tem como sócia a empresária Dayane Mendes da Cruz. Em 2025, o grupo alcançou uma marca histórica: ultrapassou o patamar de R$ 1 milhão de faturamento mensal.

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Fonte:
DL4 Group

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