Café recua nas bolsas, mas colheita lenta no Brasil muda o jogo e segura pressão

Publicado em 29/04/2026 09:53 e atualizado em 29/04/2026 11:06
Queda externa pressiona preços, mas atraso na colheita e oferta ainda restrita no Brasil limitam perdas e mantêm produtor cauteloso

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O mercado de café encerra a quarta-feira, 29 de abril de 2026, com queda nas bolsas internacionais, refletindo um movimento técnico de ajuste e pressão vinda do cenário global. Apesar disso, o ritmo lento da colheita no Brasil ajuda a limitar perdas mais intensas e mantém o mercado físico relativamente sustentado.

Na Bolsa de Nova York, o contrato julho/26 do arábica recuou e fechou em 293,85 cents/lb, com baixa de 105 pontos. O setembro/26 encerrou em 284,05 cents/lb, com baixa de 105 pontos, enquanto o dezembro/26 fechou em 276,05 cents/lb, com baixa de 95 pontos.

Já em Londres, o robusta também acompanhou o movimento negativo. O contrato julho/26 fechou em 3.446 dólares por tonelada, com baixa de 35 pontos. O setembro/26 encerrou em 3.359 dólares por tonelada, com baixa de 33 pontos, enquanto o novembro/26 fechou em 3.288 dólares por tonelada, com baixa de 31 pontos.

O recuo nas cotações ocorre em um momento em que o mercado internacional começa a ajustar posições diante da expectativa de aumento de oferta com a entrada da safra brasileira. Esse fator segue sendo o principal vetor de pressão sobre os preços, especialmente no curto prazo.

No entanto, olhando para dentro do Brasil, o cenário traz nuances importantes para a comercialização. Segundo o Cepea, a colheita de café arábica ainda apresenta ritmo lento na maior parte das regiões produtoras. Os trabalhos avançam de forma mais efetiva apenas na Zona da Mata de Minas Gerais, enquanto regiões importantes como Sul de Minas e Cerrado mineiro ainda não iniciaram de forma consistente.

Esse atraso na entrada da safra reduz a pressão imediata de oferta no mercado físico, o que ajuda a sustentar os preços internos, mesmo diante da queda nas bolsas. Em São Paulo e no Paraná, os trabalhos também seguem incipientes, com volumes ainda bastante reduzidos.

Apesar do início mais lento, o desenvolvimento das lavouras é considerado positivo, e a expectativa segue sendo de uma safra volumosa. A projeção de produção elevada, inclusive com possibilidade de recorde segundo estimativas oficiais, continua no radar do mercado e atua como fator de pressão estrutural.

No mercado físico, o comportamento segue dividido. O arábica apresenta negócios mais pontuais, com produtores mais cautelosos diante da volatilidade e aguardando melhores oportunidades. Já o conilon segue com maior fluidez, com demanda ativa e maior volume de negociações.

Outro ponto de atenção continua sendo o câmbio. A valorização do real frente ao dólar pode reduzir a competitividade das exportações brasileiras e pressionar os preços internos em reais, impactando diretamente a estratégia de venda do produtor. Por outro lado, movimentos de alta do dólar tendem a melhorar a paridade de exportação e favorecer a comercialização.

Na prática, o mercado vive um momento de transição. A queda nas bolsas reflete o peso das expectativas de oferta, mas o atraso na colheita brasileira impede uma pressão mais intensa no curto prazo.

O cenário exige atenção e estratégia. A volatilidade permanece elevada e o equilíbrio entre oferta, câmbio e ritmo da colheita seguirá sendo determinante para a formação dos preços nas próximas semanas.
 

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Por:
Priscila Alves I Instagram: @priscilaalvestv
Fonte:
Notícias Agrícolas

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