Café despenca até 4,01% com realização de lucros e pressão do câmbio
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Os preços do café encerraram esta quarta-feira (29) em queda expressiva nas bolsas internacionais, devolvendo parte dos ganhos registrados no pregão anterior. A realização de lucros por fundos e especuladores, somada ao enfraquecimento do real frente ao dólar, pressionou as cotações. Apesar do movimento técnico, o mercado continua monitorando o desenvolvimento da safra brasileira, especialmente o ritmo da colheita, as condições de qualidade dos grãos e a disponibilidade de oferta no mercado físico.
Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato setembro/26 do café arábica fechou cotado a 325,80 cents de dólar por libra-peso, com queda de 1.360 pontos, recuo de 4,01%. Os demais vencimentos também encerraram o dia em baixa. O contrato dezembro/26 caiu 875 pontos, para 308,55 cents/lbp, enquanto o março/27 perdeu 895 pontos, encerrando a 300,45 cents/lbp.
Na ICE Europe, o mercado do robusta também registrou perdas. O contrato setembro/26 terminou negociado a US$ 3.773 por tonelada, com queda de US$ 104, baixa de 2,68%. O novembro/26 recuou US$ 110, para US$ 3.749 por tonelada; o janeiro/27 perdeu US$ 108, fechando a US$ 3.716 por tonelada; e o março/27 caiu US$ 108, encerrando o dia cotado a US$ 3.686 por tonelada.
Segundo análises do mercado internacional, a queda foi impulsionada principalmente pela liquidação de posições compradas após a forte valorização registrada na terça-feira. O fortalecimento do dólar frente ao real também colaborou para o movimento.
Ainda assim, os fundamentos seguem dando sustentação ao mercado. A colheita brasileira continua avançando, mas permanece marcada pelos reflexos das chuvas registradas durante boa parte da temporada. Além de retardarem os trabalhos em diversas regiões produtoras, as precipitações levantam preocupações quanto ao padrão de qualidade de parte dos cafés, especialmente do arábica.
Outro fator que continua limitando movimentos mais intensos de baixa é a postura dos produtores brasileiros. No mercado físico, as negociações seguem lentas. Com a volatilidade das bolsas e a expectativa de preços mais elevados nos próximos meses, muitos cafeicultores continuam comercializando apenas o necessário para cumprir compromissos imediatos, reduzindo a oferta disponível.
O comportamento dos fundos de investimento também permanece no radar dos operadores. O elevado volume de recursos financeiros movimentados por esses participantes tem ampliado as oscilações das cotações, muitas vezes provocando variações mais relacionadas ao posicionamento especulativo do que propriamente a mudanças nos fundamentos de oferta e demanda.
Nos próximos dias, o mercado deverá continuar acompanhando a evolução da colheita brasileira, as condições climáticas nas principais regiões produtoras e o comportamento do câmbio, fatores que seguem sendo determinantes para a formação dos preços internacionais do café.
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