Café acaba arrastado pelo movimento generalizado de queda, mas seus fundamentos continuam sólidos e positivos

Publicado em 06/05/2011 17:48 395 exibições

A divulgação nas últimas semanas de vários indicadores que lançam dúvidas sobre o processo de
recuperação da economia dos países desenvolvidos levou o mercado financeiro internacional a ensaiar
uma correção de rumo esta semana. A decisão do Banco Central Europeu de manter os juros, sinalizando que a recuperação européia não está próxima, reforçou a percepção dos operadores, provocando fortes quedas nas bolsas de valores internacionais, nas cotações do petróleo (o barril ontem fechou abaixo dos cem dólares, a US$ 99,80, perdendo quase 9%, maior queda diária desde abril de 2009), dos metais e das commodities agrícolas. Entre outras, baixaram níquel, cobre, platina, trigo, soja, algodão, milho e café.

O café acabou arrastado pelo movimento generalizado de queda, mas seus fundamentos continuam sólidos e positivos.
O mercado físico brasileiro praticamente parou e os poucos negócios realizados foram em bases
que não levaram em consideração a queda no mercado futuro. Em final de ano-safra e com pouco café para comercializar, os produtores não aceitaram ofertas mais baixas. Hoje houve tentativas de compra a R$ 540/550 para arábicas de boa qualidade, sem interesse vendedor.
O sentimento de estoques acabando se reforça a cada divulgação de resultado mensal das
exportações brasileiras de café. Ontem o CECAFÉ divulgou os números de abril. Embarcamos 2 702 858 sacas. É o menor volume mensal em 2011, mas 18% maior que no mesmo mês de 2010, totalizando 29 582 433 sacas nos dez primeiros meses do ano-safra 2010/2011. Estamos literalmente esvaziando os armazéns e provavelmente caminhando para um recorde. Esse resultado mostra a maturidade da cadeia do café, que aproveita o movimento de preços para vender, mas também deixa claro que o Brasil, no próximo ano-safra, que começa em primeiro de julho, só contará com os cafés que agora começam a ser colhidos para cumprir seus compromissos de exportação e consumo interno. Esses números confirmam a solidez dos fundamentos e dão sustentação aos preços.
O CECAFÉ – Conselho dos Exportadores de Café do Brasil, informou que no último mês de abril
foram embarcadas 2.702.858 de sacas de 60 kg de café, 18% (405.474 sacas) a mais que no mesmo mês de 2010 e 1% (23.845 sacas) a menos que no último mês de março. Foram 2.117.293 sacas de café arábica e 318.598 sacas de café conillon, totalizando 2.435.891 sacas de café verde, que somadas a 262.786 sacas de solúvel e 4.181 sacas de torrado, totalizaram 2.702.858 sacas de café embarcadas.
A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 29, sexta-feira, até o fechamento de hoje,
sexta-feira, dia 6, caiu nos contratos para entrega em julho próximo, 1230 pontos ou US$ 16.27 (R$
26,30) por saca. Em reais por saca, as cotações para entrega em julho próximo na ICE fecharam no dia 29 a R$ 622,73/saca e hoje, dia 6, a R$ 614,68/saca. Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega em julho, a bolsa de Nova Iorque fechou com baixa de 70 pontos. No mercado paralisado de hoje, são as seguintes as cotações nominais por saca, para os cafés verdes, do tipo 6 para melhor, safra 2010/2011, condição porta de armazém:
R$560/580,00 - FINOS A EXTRAFINOS – MOGIANA E MINAS.
R$520/540,00 - BOA QUALIDADE – DUROS, BEM PREPARADOS.
R$460/500,00 - DUROS COM XÍCARAS MAIS FRACAS.
R$370/450,00 - RIADOS.
R$300/320,00 - RIO.
R$300/310,00 - P.BATIDA P/O CONSUMO INT.: DURA.
R$280/290,00 - P.BATIDA P/O CONSUMO INT.: RIADAS.
Os cafés cereja descascado (CD) valem R$580,00/600,00 por saca.
DÓLAR COMERCIAL DE SEXTA-FEIRA: R$ 1,6170 PARA COMPRA.

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Fonte:
Escritório Carvalhaes

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