Produtores de São Paulo não receberam recursos do Funcafé 2011

Publicado em 20/05/2011 08:28 384 exibições
Especialistas recomendam que agricultores não vendam todo o café de imediato.
A colheita de café está adiantada em algumas regiões do país. Apesar disso, no Estado de São Paulo, produtores não puderam contar com os recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) para o custeio e colheita. A recomendação dos especialistas é que os produtores não vendam todo o café de imediato, porque a cotação do produto tende a melhorar até o fim do ano.

No leste do Estado de São Paulo, os produtores já estão colhendo café. Em uma lavoura em Espírito Santo do Pinhal, no território paulista, a produtividade do café arábica chega em média a 33 sacas por hectare. Com escassez de mão de obra, boa parte da colheita será mecanizada nesta safra. Em uma hora, a máquina faz o serviço de 10 homens. Como nenhum produtor da região pode contar com recursos do fundo de defesa, fica com poucos recursos financeiros para repassar aos apanhadores.

– O produtor que começa a colheita não tem como pagar o apanhador, daí para não ficar devendo para o apanhador, vende logo em seguida o produto que está colhendo, muitas vezes por um preço inferior – conta o produtor de café Paulo Pascuini.

O produtor fala com experiência de quase 30 anos na atividade. Em 15 hectares ele produz 400 sacas limpas a cada safra, mas tem um custo alto para isso. Este ano ele calcula gastos de pelo menos R$ 100 mil apenas em uma colheita. Diz que consegue manter a safra porque possui outras fontes de renda. Atualmente, se mantém porque possui imóveis alugados na cidade. Afirma que se dependesse de financiamentos para tocar a lavoura estaria quebrado.

– Não é só colher o café. O agricultor tem que sobreviver, tem que sustentar a família, tem que ter os direitos de um cidadão, mas não consegue ter – desabafa.

Parte do café do agricultor é negociada pela Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Pinhal (Coopinhal), que atende produtores de Espírito Santo do Pinhal e Santo Antonio do Jardim, em São Paulo. O presidente da cooperativa, Alexandre Hüsemann da Silva, conta que nenhum dos 560 cooperados está usando os recursos do Funcafé nesta colheita. Quem precisou de dinheiro para pagar a mão de obra, e pra fazer o custeio da safra, teve que fazer financiamento direto no banco.

– Eu entendo que é mais uma questão de administração do Funcafé, ou seja, onde ele está administrando o produto pronto, em vez de arriscar financiar o custeio ou a colheita, que já causou problema no passado – explica.

Na agência do Banco do Brasil de Santo Antonio do Pinhal o gerente informou que, todo o produtor que quiser, tem crédito na agência com taxas iguais ao do Funcafé. O banco emprestou para a safra deste ano R$ 15 milhões para despesas de custeio, investimento com taxa de 6,75% ao ano. Foram cerca de 120 contratos para a chamada agricultura empresarial e para pequenos agricultores através do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Segundo o gerente da carteira rural do banco, só não foram feitos empréstimos pelo Funcafé, porque o governo não fez o repasse do dinheiro.

O analista de mercado Fernando Barros, diz que a estratégia do banco, de fazer financiamento próprio, pode ser um perigo para o produtor. Este ano, por exemplo, os que estão comprometidos com dívida vão perder a oportunidade de ganhar mais com a melhora na cotação do café. O preço da saca está sendo comercializada atualmente na casa dos R$ 500.

– Quanto mais ele dever, mais ele vai confundir crédito com renda e mais o pessoal vai querer emprestar dinheiro por achar que agora ele está capitalizado. Tem que ir com muita cautela, porque primeiro ele tem que vender por opinião e não por precisão – esclarece.

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Canal Rural

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