Iapar apresenta pesquisa inédita no combate a verme que ataca o café

Publicado em 25/08/2011 08:10 362 exibições
Uma pesquisa inédita do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) conseguiu resultados expressivos em laboratório no combate ao nematoide, verme que produz doença do solo de difícil controle e de rápido crescimento e que afeta a cultura do café. Para isso foram utilizados fungos micorrízicos e nematófogos, que impediram o seu crescimento e reprodução.
 
No trabalho realizado pelo pesquisador Élcio Balota, do Iapar, e pela bolsista do Centro Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café, Alexandra Scherer, com a colaboração de outros servidores da instituição, conseguiu-se com o tratamento uma redução de até 88% no fator de reprodução do nematoide (Meloidogyne paranaensis). “Isso representa muito em laboratório. Falta agora testar a eficácia dessa técnica no campo”, explica Scherer.
 
Essa será a segunda etapa da pesquisa, que prevê ainda uma terceira fase de treinamento dos agricultores para produzir os fungos na propriedade com bom padrão de qualidade. “Todo esse trabalho vai exigir mais três a quatro anos”, reforça Balota.
 
O pesquisador destaca a importância de não “pular” nenhuma parte da pesquisa para que ela traga os benefícios esperados aos agricultores. “Se essa técnica não for usada corretamente nas propriedades rurais corre-se o risco de propagar ainda mais a praga, em vez de combatê-la”.
 
Segundo Balota, os fungos micorrízicos e os nematófogos impossibilitaram a entrada dos nematoides assim que se instalaram nas raízes. “A barreira é química e física. Além de fechar a porta, os fungos produzem substâncias que impedem o verme de entrar. Como a raiz é local onde a larva se reproduz, ela não se espalha”.
 
SEM AGROTÓXICOS – Conforme o pesquisador, o uso desses dois tipos de fungos para combater o nematoide é inédito no Brasil. “É uma tecnologia barata que estamos desenvolvendo. Esperamos contribuir para que áreas atualmente inutilizadas por causa da infestação do nematoide voltem a ser produtivas”, diz Balota.
 
Alexandra Scherer lembra o estrago que o nematoide provoca no campo e a dificuldade de combatê-lo para justificar a importância do trabalho de pesquisa. “A perda na produção pode chegar a 25% em casos mais graves, já que a larva atrapalha a absorção de água e a nutrição da planta. É bom lembrar que o controle desse verme em plantas perenes como a do café é bastante complexa, porque não é possível simplesmente erradicar o pé quando houver uma ocorrência do nematoide, como se faz com a soja, por exemplo”.
 
Balota ainda aponta as graves consequências do uso de agrotóxicos para impedir o crescimento da larva. “Como se trata de um organismo que vive em raízes, é preciso aplicar quantidade razoável de agroquímico, o que pode contaminar o solo e até o lençol freático”.
 
Este é um dos resultados de pesquisa que o Iapar está apresentando no VII Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil, que acontece até esta quinta-feira (25) em Araxá, Minas Gerais. Participam do evento 47 pessoas, entre pesquisadores, funcionários e bolsistas do Iapar, que levou 31 trabalhos sobre os mais variados temas envolvendo a cultura cafeeira.
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Iapar

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