Boletim semanal do café- Escritório Carvalhaes

Publicado em 30/09/2011 17:46 694 exibições
As commodities agrícolas tiveram neste setembro seu pior mês desde a crise financeira mundial de 2008 (veja matéria no clipping de nosso site). As cotações do café nas bolsas de futuro acompanharam a queda generalizada e em setembro recuaram 21% na ICE Futures US em Nova Iorque. O agravamento da crise financeira na zona do euro e o temor de um calote soberano por parte da Grécia levaram fundos a vender ativos de risco, liquidando contratos nas bolsas ao redor do mundo.

No café, onde o Brasil comanda com folga as exportações de arábica, a desvalorização do real frente ao dólar atenuou a queda dos preços em reais no mercado físico brasileiro, mas também ajudou a pressionar para baixo as cotações em Nova Iorque.

O clima e o preocupante atraso no início do período de chuvas sobre as regiões produtoras de café do Brasil foi outro assunto bastante discutido e especulado neste mês de setembro. As chuvas ainda não chegaram, em muitas regiões do cerrado não chove há mais de cem dias, mas segundo os meteorologistas, devem começar a se regularizar a partir de meados da próxima semana. Chegam atrasadas, em algumas regiões já se constatam prejuízos, principalmente nos cafeeiros mais novos, mas, se o regime de chuvas realmente se normalizar na próxima semana, teremos uma boa safra de ciclo alto.

Como todos os anos, interesses de curto prazo tentam jogar para baixo ou para cima o tamanho da safra brasileira de café do ano seguinte. O consumo mundial já deixou claro no último ano safra brasileiro (julho de 2010 a junho de 2011) que precisa de no mínimo 54 milhões de sacas de café do Brasil (em 2010/2011 exportamos 35 milhões e consumimos mais de 19 milhões). Nossa safra atual 2011/2012 ficou bem abaixo deste número (a estimativa da CONAB é de pouco mais de 43
milhões de sacas) e a do ano que vem (2012/2013), se o clima daqui para frente vier a ser ideal para a produção de café, não tem condições de ficar muito acima do necessário para atender nossas necessidades anuais de exportação e consumo.

Sem estoques dignos deste nome e com uma safra de pouco mais de 43 milhões de sacas teremos de atender nossas exportações e consumo interno até o início da próxima colheita em abril/maio de 2012. Em 2013 teremos novamente uma safra de ciclo baixo.

As condições climáticas terão de ser ideais para que no biênio de produção 2011/2012 e 2012/2013 o quadro de exportação e consumo de café no Brasil feche no limite. Em seguida, em 2013/2014 colheremos uma safra de ciclo baixo. Os fundamentos do mercado de café nunca foram tão sólidos. Apenas para manter a apertada situação estatística atual, sem olhar para o aumento do consumo anual mundial, que está acima de dois milhões de sacas, o Brasil precisa de safras médias de 54 a 55 milhões de sacas.

Robério Silva, diretor do Departamento do Café do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, foi eleito ontem diretor executivo da Organização Internacional do Café – OIC, a principal entidade mundial do setor. Robério Silva é um técnico com experiência internacional e deverá contribuir bastante para o desenvolvimento dos negócios mundiais do café.

Ontem, quinta-feira, a presidente Dilma Roussef assinou a medida provisória nº 545 que altera a tributação do PIS COFINS nos negócios de café. É uma medida importante e justa, que traz transparência e isonomia aos participantes dos diversos segmentos do agronegócio café.

Até o dia 29, os embarques de setembro estavam em 1.847.453 sacas de café arábica, 197.593 sacas de café conillon, somando 2.045.046 sacas de café verde, mais 212.092 sacas de solúvel, contra 2.038.163 sacas no mesmo dia de agosto. Até o dia 29, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em setembro totalizavam 2.753.154 sacas, contra 2.397.827 sacas no mesmo dia do mês anterior.

A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 23, sexta-feira, até o fechamento de hoje, sexta-feira, dia 29, caiu nos contratos para entrega em dezembro próximo, 255 pontos ou US$ 3,37 (R$ 6,34) por saca. Em reais por saca, as cotações para entrega em dezembro próximo na ICE fecharam no dia 23 a R$ 566,09/saca e hoje, dia 30, a R$ 572,57/saca.

Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega em dezembro, a bolsa de Nova Iorque fechou com baixa de 225 pontos. No mercado semi-paralisado de hoje, são as seguintes as cotações nominais por saca, para os cafés verdes, do tipo 6 para melhor, safra 2011/2012, condição porta de armazém:

R$530/550,00 - FINOS A EXTRAFINOS – MOGIANA E MINAS.
R$500/520,00 - BOA QUALIDADE – DUROS, BEM PREPARADOS.
R$480/500,00 - DUROS COM XÍCARAS MAIS FRACAS.
R$400/450,00 - RIADOS.
R$300/350,00 - RIO.
R$320/340,00 - P.BATIDA P/O CONSUMO INT.: DURA.
R$300/320,00 - P.BATIDA P/O CONSUMO INT.: RIADAS.
Os cafés cereja descascado (CD) bem preparados, valem R$ 550,00/560,00 por saca.
DÓLAR COMERCIAL DE SEXTA-FEIRA: R$ 1.8800 PARA COMPRA.

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Fonte:
Escritório Carvalhaes

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