Mercado monitora possível redução das tarifas dos EUA sobre carne bovina; BR pode ser beneficiado

Publicado em 11/05/2026 16:36 e atualizado em 11/05/2026 17:49
Analistas avaliam que aumento das compras americanas pode alterar fluxo comercial da proteína bovina em meio às incertezas envolvendo China e oferta global.

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O setor pecuário brasileiro acompanha os desdobramentos da possível redução temporária das tarifas extras aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos importados, incluindo a carne bovina. A sinalização ocorreu em meio à inflação dos alimentos no país norte-americano e à redução histórica do rebanho bovino local. Para analistas do segmento, a medida poderá influenciar o comportamento das vendas externas brasileiras nos próximos meses, embora os efeitos ainda dependam de definições oficiais e da dinâmica internacional do comércio de proteína animal.

Dados apresentados pelo analista de Inteligência de Mercado Rodrigo de Assis Dutra Costa mostram que os Estados Unidos importaram, em abril de 2026, volume 5,82% superior ao registrado no mês anterior. Conforme o especialista, o avanço das compras ocorre em um ambiente de menor disponibilidade de animais para abate e valorização da carne no varejo americano.

“O rebanho americano atingiu o seu menor patamar em décadas, fazendo com que o preço da carne vermelha aumentasse consideravelmente impactando a inflação”, afirmou Rodrigo de Assis Dutra Costa. Segundo ele, as tarifas adicionais adotadas anteriormente também contribuíram para elevar os custos internos de alguns alimentos. “As tarifas impostas por ele também pressionaram o mercado doméstico para produtos como café e carne bovina”, explicou.

Necessidade de abastecimento amplia atenção sobre o Brasil

Na avaliação de Fernando Iglesias, coordenador de Mercados da consultoria Safras & Mercado, os Estados Unidos seguem dependentes das importações para atender parte da demanda interna. De acordo com o consultor, a redução gradual do rebanho bovino norte-americano ao longo dos últimos anos aumentou a necessidade de compras no exterior.

“Os Estados Unidos têm uma necessidade de compra muito ampla. Eles precisam muito da carne brasileira e de outros países para preencher lacunas formadas pela redução do rebanho norte-americano”, afirmou Iglesias.

O especialista destaca que o Brasil possui capacidade produtiva relevante para atender parte dessa demanda adicional. “O Brasil tem capacidade de fornecer muita carne para os Estados Unidos”, declarou. Ainda assim, Iglesias pondera que a China continua exercendo papel decisivo para o equilíbrio das exportações brasileiras de proteína bovina.

Outro ponto observado pelos analistas envolve a procura americana por carne magra utilizada na fabricação de hambúrgueres. Rodrigo de Assis Dutra Costa afirmou que os cortes do dianteiro bovino tendem a concentrar parcela importante dos embarques destinados aos EUA caso a redução tarifária seja confirmada. “O preço da carne moída 100% bovina nos EUA está cotado a US$ 14,77/kg, valor recorde”, destacou.

Formação dos preços segue ligada ao mercado internacional

Apesar da expectativa de maior demanda americana, os analistas avaliam que ainda é cedo para medir impactos diretos sobre as cotações do boi gordo no Brasil. O comportamento dos preços continuará condicionado ao ambiente internacional, especialmente às movimentações da China e à evolução da oferta global de carne.

Rodrigo de Assis Dutra Costa considera que um eventual aumento das vendas aos Estados Unidos poderia amenizar parte das preocupações da indústria brasileira relacionadas ao excedente de produtos no mercado interno. “A redução das tarifas americanas impulsionará nossas exportações trazendo certo alívio ao nosso mercado”, afirmou.

Fernando Iglesias, por outro lado, pondera que o mercado americano ainda não possui capacidade para substituir integralmente a participação chinesa nas compras da proteína bovina brasileira. “Os Estados Unidos ainda não têm condições de substituir plenamente a China”, observou.

Além do comércio exterior, outros fatores seguem influenciando a formação dos preços pecuários no país. Entre eles estão a disponibilidade interna de animais terminados, a abertura de novos destinos compradores e o comportamento do consumo mundial ao longo do ano.

Frigoríficos e produtores acompanham ambiente de cautela

Entre as companhias brasileiras que podem ser favorecidas em um eventual avanço das vendas aos Estados Unidos, Rodrigo de Assis Dutra Costa citou a Minerva Foods e a JBS. As empresas possuem forte atuação internacional e unidades habilitadas para atender o mercado norte-americano.

O analista também recomenda que os pecuaristas acompanhem atentamente as oportunidades de comercialização e proteção de preços diante do ambiente de volatilidade. “O produtor deve aproveitar a circunstância para usar os instrumentos financeiros a seu favor, seja para proteção do rebanho, seja para garantir a sua reposição”, afirmou.

Mesmo diante da possibilidade de ampliação dos embarques brasileiros, o setor mantém postura cautelosa. As análises apresentadas consideram cenários projetados e dependem da confirmação das medidas comerciais americanas, além da continuidade da demanda global pela proteína bovina brasileira.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes informou que aguarda um posicionamento oficial envolvendo as medidas tarifárias dos Estados Unidos antes de comentar possíveis impactos para o segmento exportador brasileiro.

 

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Por:
Michelle Jardim
Fonte:
Noticias Agricolas

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