Brasil diante da cota chinesa: “Uma tarifa de 55% tornaria o comércio da maioria dos produtos para o mercado chinês inviável”, diz Carlos Cogo

Publicado em 19/06/2026 16:37 e atualizado em 19/06/2026 17:35
A sobretaxa aplicada pela China à carne bovina australiana reduz a competitividade do país e reorganiza o comércio global do setor, enquanto o Brasil se aproxima do limite de exportação e pode enfrentar cenário semelhante nos próximos meses.

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“Uma tarifa de 55% tornaria o comércio da maioria dos produtos para o mercado chinês inviável”. A afirmação é de Carlos Cogo, sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, ao analisar os impactos da medida chinesa sobre a carne australiana. Segundo ele, a decisão altera a dinâmica global e praticamente bloqueia novos embarques da Austrália para o mercado chinês.

Com a Austrália atingindo sua cota de exportação, o país passa a enfrentar uma sobretaxa de 55%, o que reduz fortemente sua competitividade e abre disputa entre exportadores globais. Nesse cenário, o Brasil aparece como um dos principais fornecedores aptos a ocupar parte desse espaço.

Incerteza na China pressiona mercado e já afeta preços no Brasil

O cenário de cotas chinesas também gera forte incerteza sobre o ritmo de exportações brasileiras.  Raul Bertho, Head de pecuária da Agrifatto,  destaca que o mercado vive um momento delicado, com frigoríficos reduzindo compras diante da possibilidade de a China já ter avançado rapidamente no preenchimento da cota.

Segundo o especialista, estimativas indicam que cerca de 80% da cota pode já ter sido utilizada, embora ainda faltem confirmações oficiais do governo chinês. "Parte dos embarques segue em trânsito, o que mantém o cenário indefinido".

Raul afirma que essa incerteza já se reflete no mercado físico e na B3, com frigoríficos pressionando preços e reduzindo o ritmo de compras. Ao mesmo tempo, a menor disponibilidade de fêmeas e a oferta mais restrita de animais ajudam a conter quedas mais fortes.

Oferta menor e ciclo pecuário indicam transição no mercado

O representante da Agrifatto também aponta que o setor vive um momento de transição de ciclo pecuário. "Os dados de abate sob inspeção federal indicam redução na participação de fêmeas, o que pode sinalizar retenção de matrizes", reforça.

Por outro lado, dados do IBGE mostram comportamento diferente nos abates totais, reforçando a leitura de que ainda não há confirmação clara de virada de ciclo. "O confinamento está abaixo do nível do ano anterior, o que pode reduzir a oferta de animais no segundo semestre e sustentar preços mais à frente, mesmo após a pressão atual", disse.

China segue central, mas mercado global começa a se reorganizar

O analista de mercado Rodrigo Costa avalia que, apesar da expansão de novos mercados, a China continua sendo o principal destino da carne bovina brasileira, respondendo por quase metade das exportações do setor.

"A demanda chinesa segue estruturalmente forte, sustentada pelo consumo elevado e pela limitação da oferta global, mas alerta que a concentração aumenta riscos para o exportador brasileiro", explica. Ao mesmo tempo, mercados como Indonésia, Oriente Médio e Norte da África vêm ganhando participação, contribuindo para uma diversificação gradual da pauta exportadora.

Novos mercados e mudança estrutural no comércio

Costa destaca que o reconhecimento sanitário do Brasil amplia o acesso a mercados estratégicos. Japão, Coreia do Sul e Vietnã aparecem como destinos prioritários, com foco em rastreabilidade e qualidade. Já a Indonésia surge como nova fronteira, impulsionada pelo crescimento populacional e pela demanda por proteína animal.

No Oriente Médio, países como Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita reforçam a demanda por carne importada, com exigências sanitárias e certificações como o halal, área em que o Brasil já tem experiência consolidada.

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Por:
Michelle Jardim
Fonte:
Notícias Agrícolas

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