Câmbio agora favorece competitividade da carne brasileira

Publicado em 27/09/2011 14:21 458 exibições
A recente desvalorização do real ajudou a melhorar a competitividade da carne brasileira no mercado internacional, baixando os preços em dólar da arroba do boi, apontaram consultorias que promovem o Rally da Pecuária.

O valor médio da arroba do boi do Brasil caiu para US$ 53 até a terceira semana de setembro, ante US$ 60 da média de agosto, segundo acompanhamento conjunto da Bigma Consultoria e da Agroconsult. Na maior parte de 2011, a valorização do real frente ao dólar elevou os preços da carne brasileira exportada, colaborando para o País perder participação e ceder espaço para seus principais concorrentes, como Estados Unidos e Austrália.

Em setembro, entretanto, a tendência foi alterada, e o dólar acumula no mês uma alta de cerca de 13% em relação ao real. E com os recentes ganhos a moeda americana já registra valorização de mais de 8% no acumulado do ano contra o real. "Quando se considera também a queda do preço interno da arroba, a competitividade melhora ainda mais", disse à Reuters Mauricio Nogueira, diretor e consultor da Bigma.

Pelo indicador Cepea/Esalq, a arroba do boi está sendo negociada a R$ 97,95, abaixo dos mais de R$ 100 registrados no final do mês passado. Segundo o consultor, os preços recuaram no mercado interno diante da cautela do consumidor e pela entrada de animais que estavam em confinamentos para o abate.

Outubro indefinido
Para os consultores, o comportamento dos preços no mês de outubro ainda não está muito definido e dependerá em grande parte do volume de oferta dos animais que foram confinados para garantir o peso no período de estiagem e que devem começar a entrar no mercado.

Na região oeste de Goiás, por onde a equipe 1 do Rally da Pecuária passa nesta terça-feira, o confinamento é o responsável pela maior parte da oferta de boi para abate, uma vez que as pastagens na região ainda estão bem enfraquecidas por conta da estiagem típica desta época do ano.

Sondagem feita no mercado local por participantes da equipe do Rally da Pecuária indica que os preços do boi gordo na região segue praticamente estável, em torno de R$ 88, com 30 dias de prazo para pagamento, contra R$ 89 registrados no inicio do mês.

"O pecuarista esperava mais, porque no ano passado estava melhor, mas o preço do insumo estava mais barato no ano passado. Hoje, o milho e a soja estão com preços mais altos", apontou um dos integrantes da equipe técnica que acompanha o Rally, que preferiu não se identificar.

Um foco de febre aftosa no Paraguai, no entanto, é visto como fator que pode impulsionar os preços, pelo menos no curto prazo, segundo especialistas. Isso porque, segundo Nogueira, o Brasil pode se beneficiar porque ganha espaço em mercados que antes compravam no País vizinho, cujas exportações foram suspensas pela aftosa. O Paraguai exporta anualmente cerca de 300 mil t (equivalente carcaça) por ano.

A equipe 1 do Rally da Pecuária, integrada também pela Reuters, percorreu na segunda-feira uma região com foco em pecuária leiteira e segue nesta terça-feira para áreas onde a pecuária de corte tem maior participação, observou o supervisor comercial da Serrana Nutrição Animal, Julcemir Ferreira, que integra a equipe do Rally.

A Equipe 1 do Rally da Pecuária fará vistorias técnicas em Cocalinho (MT) e depois retoma caminho rumo ao noroeste de Goiás.

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Fonte:
Reuters

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