Monitor Agroclimático: Apesar de menos intensa, seca no Sul ainda existe

Publicado em 14/02/2012 06:17 534 exibições
Período: 12 a 18 de fevereiro. Por Marco Antonio dos Santos, Eng° Agrônomo e Agrometeorologista.
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Apesar de a semana começar com tempo bom e poucas nuvens sobre boa parte do território brasileiro, a semana passada foi marcada mais uma vez pelas chuvas no Sul do Brasil e pelo término do bloqueio atmosférico que vinha impedindo que a frente fria avançasse sobre as regiões Sudeste e Centro-Oeste, mantendo o tempo seco e muito quente. 

Mesmo com as chuvas ocorridas sobre boa parte do estado do Rio Grande do Sul, ainda não se pode dizer que a seca não mais existe, pois na região noroeste os volumes acumulados de chuvas foram insuficientes para reverter o terrível quadro de perdas que vinham ocorrendo desde meados de dezembro. Já no Centro-Oeste e Sudeste o bloqueio atmosférico possibilitou a retomada das atividades de campo, que estavam sendo prejudicadas pelo excesso de dias chuvosos e nublados do mês de janeiro. 

Na soja, as chuvas ocorridas principalmente na região centro-sul do Rio Grande do Sul possibilitaram que as perdas fossem estancadas e os produtores pudessem retomar as atividades de campo, como adubações e demais tratos culturais. Contudo, as perdas ainda continuam altas, com valores próximos aos 25%. E esses valores tendem a se elevar ainda mais, já que na região noroeste do estado os volumes acumulados de chuva durante esses primeiros 12 dias não ultrapassaram os 50 mm. No Centro-Oeste, o fim do período de ‘invernada’ garantiu a retomada da colheita, assim, o Mato Grosso já apresenta 25% das áreas colhidas, Goiás com 22% e Mato Grosso do Sul com 20%. Em São Paulo e Minas Gerais, os percentuais são um pouco mais baixos, uma vez que a quantidade de plantas na fase de maturação e aptas a colher é menor, mas mesmo assim estão com 18% das áreas colhidas. E todos esses números são superiores aos observados no mesmo período do ano passado. Mas quando comparada à média dos últimos 5 anos, os valores em algumas regiões são inferiores. 

Entretanto, as quebras na produtividade são pequenas, não ultrapassando os 2%. Somente em Mato Grosso do Sul é que as quebras chegam aos 15%, devido à estiagem, em especial na região sul do estado. Mas o que vem chamando a atenção na produtividade é que devido à forte incidência de ferrugem asiática, muitas lavouras apresentam quebras de 3 a 5 sacos/ha. Além disso, alguns produtores, para acelerar o plantio do milho safrinha, e, portanto, não perder o momento(janela) ideal de plantio, estão dessecando a soja precocemente e isso também está reduzindo as taxas de produtividade. Lavouras que poderiam muito bem atingir valores superiores aos 60 sacos/ha estão com produtividades entre 50 a 55 sacos/ha, quando não apresentam valores entre 45 e 50 sacos/ha. Mas mesmo assim os estados do MT, GO, SP e MG deverão apresentar recordes de produção nessa safra.

Na Bahia, apenas as regiões mais ao centro e oeste do estado apresentam condições satisfatórias, enquanto nas regiões noroeste e norte a falta de chuvas regulares e com bons volumes acumulados está prejudicando o desenvolvimento da soja e já há quebras nos potenciais produtivos. Já no Maranhão, Piauí e Tocantins a situação é um pouco melhor e as lavouras de soja estão se desenvolvendo satisfatoriamente, com bons índices de produtividade. 

Agora, as condições do milho brasileiro ainda continuam bastante graves, haja vista que as quebras na região Sul ultrapassam os 30%, sendo que no Rio Grande do Sul, mesmo com a ocorrência de chuvas, as perdas estão em 55%, enquanto no Paraná e Santa Catarina as perdas chegam aos 25%. Além disso, em São Paulo e Minas Gerais o forte calor e a falta de chuva nos últimos dias também ocasionaram reduções nos potenciais produtivos. Em boa parte da Bahia e no sertão nordestino, a falta de chuva regular e em bom volume está provocando redução nos potencial produtivo e muitas lavouras já apresentam perdas superiores aos 10%. Somente nas regiões produtoras do Maranhão, Piauí, Tocantins e leste do Pará, as chuvas mais freqüentes estão possibilitando um desenvolvimento satisfatório dos milharais e com boas perspecti vas de produtividade. 

Com relação ao milho safrinha, devido ao tempo mais seco e a ocorrência de chuvas na forma de pancadas, principalmente no período da tarde, os produtores avançaram no plantio. No Mato Grosso, o plantio está em 25% e as sementes até agora germinadas não apresentam anomalias que necessitassem o replantio. O mesmo está sendo observado na região oeste do Paraná, onde 12% das áreas destinadas a essa cultura já foram plantadas. Em São Paulo, o plantio ainda não chega aos 2%, mas esse valor deverá se elevar bem nos próximos dias, uma vez que há uma boa porcentagem de soja apta a ser colhida. 

Para essa semana ainda são esperadas condições bastante favoráveis à colheita da soja em todo o Centro-oeste, Sul e Sudeste, uma vez que apesar das previsões de chuvas, essas ainda continuarão na forma de pancadas e, portanto, não há previsões de ‘invernadas’, pelo menos até o próximo final de semana. No Rio Grande do Sul, apesar da semana começar com tempo bastante aberto e com as temperaturas em elevação, uma nova frente fria deverá atingir o sul do estado na quarta-feira (15). Contudo, as chuvas serão de baixa intensidade e bem localizadas, não favorecendo a elevação nos níveis de água no solo, e, assim, podendo agravar ainda mais as perdas. Chuvas mesmo somente no final do mês. E nesse mesmo período estão previstos períodos de ‘invernadas’ em todo o Centro-Oest e e Sudeste, o que irá atrapalhar muito as atividades de campo, como colheita, plantio e aplicações de defensivos agrícolas.

Pastagens

A passagem de uma frente fria e o retorno das chuvas ao Rio Grande do Sul possibilitaram a elevação dos níveis de água no solo e as condições para o crescimento das pastagens voltaram a ficar favoráveis. Porém, ainda é extremamente cedo para que ocorra uma elevação na produção de leite e carne no estado. Pelo menos, para os próximos 30 dias, a situação continuará bastante grave no território gaúcho com diminuição bem acentuada nos índices de produtividade. No Paraná e Santa Catarina a situação aos poucos vai se normalizando, uma vez que estão ocorrendo chuvas mais freqüentes desde a segunda quinzena de janeiro. Apesar dos pastos ainda não estarem com toda a vivacidade e taxas elevadas de conversão alimentar, os animais já conseguem se alimentar de forma satisfatória e não estão perdendo tanto peso. 

Em São Paulo e Minas Gerais, os níveis de umidade do solo estão na sua máxima capacidade, dando plenas condições ao crescimento e desenvolvimento das pastagens. Entretanto, devido às fortes chuvas de janeiro, algumas regiões e também algumas áreas de pastagem ficaram alagadas e intransitáveis e os frigoríficos e laticínios ficaram sem receber suas matérias primas, limitando a produção dos produtos finais ao consumidor. 

O mesmo está acontecendo no Centro-Oeste – Mato Grosso e Goiás. Mas com o tempo mais aberto e a volta de dias mais ensolarados houve a retomada das atividades de campo e com isso os tratos culturais. 

No Nordeste, a falta de chuvas regulares e em grandes volumes mantém os pastos muito aquém do ideal para suprir toda a demanda nutricional dos animais. Apesar de ter sido registradas chuvas nesses últimos 7 dias sobre algumas áreas do sertão de Alagoas e Sergipe, essas apenas aliviaram, em parte, o déficit hídrico que atingia essas regiões, mas ainda os níveis de umidade do solo não são suficientes para que os pastos cresçam e se desenvolvam satisfatoriamente, e, com isso, elevar os índices de produtividade do leite e dos animais aptos ao abate. 

Para essa semana, os maiores volumes de chuvas ficarão concentrados no sul do Brasil, em especial sobre o Rio Grande do Sul, o que elevará os níveis de água no solo e possibilitará a retomada do crescimento das pastagens. Já nas demais regiões do Brasil, incluindo o Nordeste, o tempo será de sol, calor e pancadas de chuvas. Somente no próximo final de semana é que o tempo fecha e volta a chover bastante sobre os estados do Sudeste e Centro-Oeste.
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Agritendências

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