Seca e ondas de calor custam bilhões de dólares em seguros de safra para governo dos EUA

Publicado em 28/08/2013 15:27
522 exibições

Relatório divulgado na terça-feira pelo Conselho de Defesa dos Recursos Naturais (NRDC) dos Estados Unidos mostra que o Programa Federal de Seguro de Safra (FCIP) pagou um valor recorde de 17,3 bilhões de dólares em pedidos de seguros para produtores em 2012, apenas um ano depois do programa ter atingido o recorde de 10,8 bilhões de dólares em 2011. As mudanças do clima tiveram um papel importante nesses pagamentos históricos – em 2012, 80% de todos os pagamentos feitos pelo FCIP foram para produtores que perderam suas safras para o calor, para a seca ou ventos fortes, de acordo com o NRDC. 

Muitos estados do meio-oeste americano foram atingidos com mais força por esses impactos – em Illinois, 98% dos pagamentos do FCIP em 2012 foram para produtores com perdas ocasionadas pelo calor, seca e ventos quentes, além de 97% em Iowa e Indiana. 

Práticas agrícolas

Esses custos extremos são a razão pela qual o NRDC diz que o FCIP deve dar incentivos para os produtores americanos que adotam táticas contra as mudanças climáticas em suas propriedades. Em seu relatório, o NRDC defende que o plantio direto, a cultura de cobertura e o uso de práticas de conservação de água quando irrigar devem ser incentivadas pelo FCIP.

Ainda segundo o relatório, em 2010, os produtores que usavam as técnicas de plantio direto tinham 30% menos chances de precisar de compensações para perdas do FCIP. 
        
Em 2012, os produtores de milho em regiões afetadas por seca severa que usaram a cultura de cobertura conseguiram produtividade de 79% do que seria uma safra regular, enquanto aqueles que não usaram essa prática conseguiram só 68%. 

A cultura de cobertura aumenta a quantidade de cobertura orgânica e a umidade no solo, e ajuda a prevenir a erosão, por isso é uma boa prática tanto para a seca quanto para chuvas pesadas. O plantio direto tem benefícios similares. Mas as práticas não só ajudam os produtores a proteger suas safras do clima extremo. Gabe Brown, produtor da região de Great Plains e defensor da cultura de cobertura e de outras práticas em prol da saúde do solo, informou que a cultura de cobertura aumentou a produtividade em seus plantios de milho e diminuiu seus custos. Ele afirma que essas práticas permitiram que ele evitasse o uso de pesticidas sintéticos e de fertilizantes e ainda conseguiu colher mais que a média para o milho em sua região. 

“O milho pode cair para 2 dólares o bushel e ainda assim eu terei lucro. Não há muitos produtores no país que podem dizer isso”, ele afirmou. “Mas eu só posso fazer isso porque estou focado em regenerar o solo”. 

Neste momento, o FCIP não incentiva as práticas de defesa do clima para os produtores, ao contrário das empresas de seguro de carro que incentivam a direção responsável e seguros de casas que oferecem descontos para proprietários que instalam aparelhos de segurança interna. De acordo com o relatório, o FCIP “tende a encorajar os produtores a fazerem escolhas de maior risco, como plantar em áreas que não são adequadas para a produção agrícola, já que os produtores que fazem isso pagam taxas desproporcionalmente baixas”. O NRDC recomenda em seu relatório que o FCIP inicie um programa piloto que reduza as taxas para produtores que adotem medidas como o plantio direto. Eles pretendem levar essa proposta para o USDA.  

Embora a seca de 2012 tenha diminuído em muitas partes do país, algumas áreas ainda estão lutando com o clima extremo e seu efeito negativo sobre as culturas. Grande parte do Oeste ainda está passando por secas. Em partes do Sul, uma área que tem tido chuvas recordes neste verão, as fortes tempestades estão destruindo culturas como a melancia, pêssegos e trigo. E com as previsões de que as mudanças climáticas agravem a seca em algumas regiões e cause chuvas fortes em outras, os efeitos do clima extremo na agricultura não deverão diminuir em breve.

Com informações do site thinkprogress.org

Tradução: Fernanda Bellei

Tags:
Por: Notícias Agrícolas
Fonte: Think Progress

0 comentário