El Niño pode prejudicar produtividade dos grãos, mas beneficiar a soja

Publicado em 23/05/2014 10:13 e atualizado em 27/05/2014 10:10 2540 exibições

A produtividade mundial do milho, arroz e trigo parece estar sofrendo com a possibilidade de um El Niño este ano, enquanto a soja poderia ser beneficiada. As informações partem de um estudo feito pelo pesquisador de clima na agricultura Toshichika Iizumi, segundo o site internacional de notícias AgWeb. A pesquisa mostrou os impactos desse fenômento, comparando-os com os resultados causados também pelo La Niña. 

O El Niño acontece a cada dois a sete anos e é causado pelo aquecimento das águas da superfície do oceano Pacífico, enquanto o La Niña já é associado a anos mais frios. De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (WMO), o fenômeno climático deverá ter início mais tarde esse ano. As temperaturas nas águas do Pacífico tropical subiram a níveis semelhantes às observadas no início do El Niño. Assim, cerca de dois terços dos modelos climáticos indicam que o fenômeno possa ser alcançado entre junho e agosto, segundo a WMO. 

O estudo de Toshichika Iizumi mostrou ainda que as quatro culturas estudadas também foram negativamente afetadas pelo La Niña, a fase mais fria do fenômeno conhecido como a Oscilação Sul do El Niño (ENSO). "Os impactos desse fenômeno para a produtividade ainda são incertos, mas os resultados dessa pesquisa destacam a importância para a produção agrícola mundial", disse Iizumi. 

O El Niño tem como uma das principais características levar condições de seca para partes da Austrália, sudeste da Ásia e para a metade norte da América do Sul.  As imagens abaixo mostram as previsões para a anomalia nas temperaturas das águas do Pacífico divididas por mês. O crédito é da Administração Nacional Atmosférica e Oceânica dos Estados Unidos (NOAA). 

Perspectivas de El Niño - Imagens: NOAA

Queda de 1,4% na produtividade do trigo

Uma análise dos rendimentos do trigo mostrou que eles são 1,4% menores nas principais regiões produtoras do mundo em anos de El Niño. Uma ocorrência desse quadro climático em 2006 prejudicou severamente a produção do grão na Austrália, que caiu de 25,2 milhões para 10,8 milhões de toneladas, segundo números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Isso contribuiu para uma forte elevação dos custos com alimentação a um recorde em 2008.

Com base na área colhida em todo o mundo em 2000, cerca de 22% dos campos de trigo sofreram com impactos negativos do El Niño, incluindo regiões no sul e leste da Austrália, México, partes da China e noroeste dos Estados Unidos. Já 6% da produção foi beneficiada em partes da Rússia, Argentina e norte da China. Ao final, observou-se que a safra global de trigo era 4% menor em anos de La Niña. 

Menor rendimento de milho

Nos anos em que ocorre esse fenômeno, a produtividade mundial do milho também apresenta uma baixa, nesse caso de 2,3% em relação aos números normais. Já na fase mais fria do La Niña, por exemplo, essa baixa é de apenas 0,3%. Cerca de 24% do milho plantado ao redor do mundo sofreu, no período do estudo, impactos negativos do El Niño, com resultados mais expressivos em partes dos Estados Unidos, China, México e Espanha. Por outro lado, 8% da safra foi beneficiada, particularmente no Brasil e na região do Mar Negro. 

Perdas também no arroz

No arroz, em anos em que o El Niño foi normal a média de produtividade foi  0,4% menor, com um impacto negativo em 7% da área mundial plantada com o grão, particularmente no sul da China. Enquanto em anos de La Niña, 1,3% mais baixa. 

Produtividade da soja aumenta na fase mais quente do El Niño

Ao contrário dos grãos, a soja parece ser beneficiada pela incidência do El Niño. O estudo mostrou que, na média global, a produtividade fica 3,5% maior na fase mais quente do fenômeno, enquanto em anos mais frios de La Niña, os rendimentos apresentam uma baixa de 1%. 

Assim, um El Niño significaria um impacto positivo para 36% da área global plantada com a oleaginosa, principalmente no Brasil e nos Estados Unidos. Por outro lado, há um impacto negativo em 9% da área estudada, mais expressivamente em regiões da China e da Índia. 

Com informações do site AGWeb

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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