Primavera começa nesta terça: MetSul alerta para chuva irregular e abaixo da média, temperatura alta e granizo no RS

Publicado em 22/09/2020 09:47 e atualizado em 22/09/2020 15:49 4709 exibições
Mapa também divulga previsão para o próximo trimestre em todo o Brasil

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Nesta terça-feira (22), às 10h31, começou oficialmente a estação da primavera no Brasil, marcando o período de transição para o verão. Os meteorologistas da MetSul alerta que pela primeira vez em anos, a primavera acontecerá sob efeitos do La Niña.

"A expectativa é que o fenômeno de resfriamento das águas do Pacífico Equatorial siga ganhando força, atingindo o seu pico entre o fim do ano e o começo de 2021, devendo ser um episódio de intensidade no mínimo moderada", afirma a Metsul. 

As previsões indicam que a primavera terá chuva irregular e espera-se ainda uma grande variabilidade de região para região na distribuição da chuva em todo o país. Segundo a MetSul, episódios de chuva intensa regionalizados são esperados com acumulados expressivos em curto período. A tendência é que o Rio Grande do Sul tenha chuvas bastante volumosas no início da Primavera. "Historicamente, os efeitos do fenômeno La Niña na chuva são sentidos mais no final da primavera e no começo do verão". comenta. 

O produtor deve estar atento às condições climáticas que podem ter mudanças significativas entre novembro e dezembro, período em que a irregularidade da chuva tende a se acentuar em áreas do Rio Grande do Sul e pode enfrentar um novo período de défict hídrico, levando ameaças de prejuízos em lavouras de ciclo precoce como as de milho. Vale lembrar que o estado, na safra passada, também enfrentou uma estiagem severa e com perdas significativas para a produção de grãos. 

Além da estiagem, a MetSul destaca que a estação de transição é o período com maior frequência de tempestades, incluindo intensos vendavais e granizo. Para 2020, a consultoria avalia que a frequência de tempestade pode não ser tão alta, mas que os temporais podem ser mais intensos pelo maior contraste térmico entre massas de ar frio e quente.

"Por isso, episódios de vendavais intensos e destrutivos localizados não necessariamente serão freqüentes, mas quando ocorrerem podem ser severos", afirma. Segundo a MetSul, os tornados mais graves dos últimos 20 anos na primavera no Rio Grande do Sul se deram na maioria sob La Niña ou Pacífico mais frio que a média.

Falando em granizo, a Metsul destaca que as regiões Central do Estado, sobretudo os vales, o Noroeste, a Serra, o Planalto e os Campos de Cima da Serra são as regiões com maior propensão para granizo. Como estação de transição para o verão, na primavera aumenta a frequência de dias de calor e diminui os de frio.

O começo da estação ainda tem características mais amenas e até com frio em alguns dias, ao passo que o final já tem padrão típico de verão. Os dias de calor aumentam, especialmente entre novembro e dezembro, quando algumas jornadas são muito quentes com possibilidade de ondas de calor e marcas perto ou acima de 40ºC.

A previsão afirma ainda que a tendência é de uma primavera com temperatura ligeiramente acima da média na maioria das áreas, com picos de calor intenso esperados entre novembro e dezembro. "O Pacífico mais frio tende a favorecer uma maior probabilidade de que se registrem incursões pontuais de ar frio tardias, porém de curta duração, com um risco agravado de geada em baixadas de localidades do Sul gaúcho e de maior altitude da Metade Norte. No passado, sob La Niña, houve dias de frio e geada até em novembro", afirma. 

Previsões do Inmet para a Primera 

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), durante a estação, os volumes acumulados de precipitação no norte da Região Nordeste costumam ser inferiores a 100 mm, principalmente no norte do Piauí e noroeste do Ceará. As temperaturas são mais elevadas em grande parte da Região Norte, interior da Região Nordeste e em alguns pontos da parte central do Brasil.

Os primeiros episódios da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) podem ocorrer durante a primavera, com chuvas no Sudeste, Centro-Oeste, Acre e Rondônia. Já na Região Sul, podem ocorrer episódios de Complexos Convectivos de Mesoescala (CCM), que estão associados a chuvas fortes, rajadas de vento, descargas atmosféricas e eventual granizo. Com o gradativo aumento das chuvas em grande parte do país nesta época do ano, tem-se o início do plantio das principais culturas de verão. 

Para os próximos meses, os modelos de previsão de ENOS do IRI (Research Institute for Climate and Society) indicam uma probabilidade acima de 70% de que estas condições de La Niña se iniciem durante a primavera de 2020 e permaneçam até o verão 2020/2021. Neste sentido, é fundamental esperar por atualizações futuras através do monitoramento da temperatura da superfície do mar no Pacífico, pois existem outros fatores, como a temperatura na superfície do oceano Atlântico Tropical e na área oceânica próxima à costa do Uruguai e da Região Sul, que poderão influenciar o regime de chuvas no Brasil, dependendo da combinação destes fatores durante esta estação.

Prognóstico por região na primavera - Inmet

Confira o prognóstico por região para o período entre outubro e dezembro de 2020:

Região Norte

A previsão climática para o trimestre indica um predomínio de áreas com probabilidade de chuvas acima da faixa normal, exceto sobre a parte norte da região, sudeste do Pará e noroeste do Tocantins, onde existe uma tendência das chuvas ocorrerem abaixo da média. Para o próximo trimestre, a previsão para a temperatura do ar próximo a superfície indica que deverá prevalecer acima da média. Entretanto, na divisa entre os estados do Pará e Amazonas, as temperaturas devem ser mais amenas, devido à persistência das chuvas nesta área.

Região Nordeste

Na Região Nordeste, a previsão para a primavera indica chuvas próximas à média ou acima em grande parte da região, com exceção de algumas localidades sobre o norte da Bahia e leste do Nordeste Brasileiro, onde as chuvas permanecerão ligeiramente abaixo da climatologia. As temperaturas serão predominantemente elevadas nos estados do Maranhão e Piauí, porém, nas localidades onde há a probabilidade de chuvas acima da média, os termômetros devem registrar temperaturas próximas à climatologia ou levemente inferiores à média.

Região Centro-Oeste

A previsão do INMET para a Região Centro-Oeste aponta para uma irregularidade das chuvas para o próximo trimestre, onde devem permanecer acima da média sobre a parte central e norte de Mato Grosso, norte de Goiás e centro do Mato Grosso do Sul, principalmente no mês de novembro. Nas demais áreas, as chuvas devem permanecer próximas a média ou ligeiramente abaixo. Já para as temperaturas, as previsões indicam que as mesmas devem ultrapassar a média ao longo da estação, com exceção do Mato Grosso do Sul e sudoeste do Mato Grosso, onde as temperaturas poderão ser ligeiramente abaixo de seus valores climatológicos.

Região Sudeste

Para a Região Sudeste, a previsão do modelo do INMET para os próximos três meses é de chuvas acima da média em grande parte da região. No leste de São Paulo e centro de Minas Gerais, as probabilidades indicam o risco de chuvas abaixo da média. Com o retorno das chuvas mais regulares no mês de novembro, a previsão indica o predomínio de temperaturas próximas ou ligeiramente abaixo da média.

Região Sul

A previsão indica maior probabilidade de chuvas abaixo da climatologia em praticamente toda a região, exceto no norte do Paraná, onde as chuvas previstas devem ser acima da média. As temperaturas serão próximas à climatologia e ligeiramente acima da média em grande parte da Região Sul, entretanto as entradas de sistemas frontais ainda poderão provocar declínio nas temperaturas, principalmente sobre o nordeste do Rio Grande do Sul e leste de Santa Catarina.

Com informações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento* 

Por:
Virgínia Alves
Fonte:
Notícias Agrícolas

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