Açúcar opera em direções opostas entre NY e Londres com mercado atento a superávit global
As cotações do açúcar operaram em direções opostas nesta quarta-feira (20) nas principais bolsas internacionais. Em Nova Iorque, os contratos recuaram pressionados pelas perspectivas de superávit global e pelo consumo mais fraco da commodity. Já em Londres, os preços registraram leve recuperação ao longo do dia.
Na bolsa de Nova Iorque, o contrato julho era negociado a 14,77 cents por libra-peso, com queda de 24 pontos. O contrato outubro recuava 20 pontos, cotado a 15,26 cents por libra-peso.
Em Londres, o movimento foi contrário. O contrato agosto avançava 10 pontos, negociado a US$ 441,10 por tonelada. Já o contrato outubro
subia 70 pontos, vendido a US$ 441,70 por tonelada.
Czarnikow projeta superávit para 2026/27
O mercado repercute nesta quarta-feira as novas projeções divulgadas pela Czarnikow, corretora global de açúcar e empresa de serviços de cadeia de suprimentos.
Segundo a companhia, o mercado mundial de açúcar deverá registrar um superávit modesto de 1,4 milhão de toneladas na safra 2026/27, impulsionado principalmente pelo aumento da produção na China.
A corretora, no entanto, alertou que esse excedente pode desaparecer caso o fenômeno climático El Niño provoque perdas de produção em importantes origens globais ou se o Brasil direcionar uma parcela maior da cana-de-açúcar para a fabricação de etanol.
“Agora é bem sabido em todo o mercado de açúcar que o crescimento do consumo tem sido realmente fraco nos últimos dois anos, mas faz tempo que não temos um risco de produção na escala que temos para 2026/27”, afirmou Stephen Geldart, chefe de análise da Czarnikow.
Segundo o analista, embora os riscos climáticos ainda não estejam sendo totalmente precificados pelo mercado, o cenário exige cautela diante das incertezas envolvendo a próxima safra global.
Consumo fraco limita recuperação dos preços
A Czarnikow também revisou para cima sua projeção de superávit para a safra 2025/26, elevando a estimativa em 1 milhão de toneladas, para 6,8 milhões de toneladas.
A revisão foi sustentada pelas perspectivas de produção mais forte na China e na União Europeia, enquanto o consumo global deve permanecer praticamente estável.
O crescimento da demanda por açúcar vem desacelerando nos últimos anos, refletindo preocupações relacionadas à saúde e os impactos da inflação sobre o consumo de alimentos.
Os preços internacionais do açúcar chegaram a atingir mínimas de cinco anos no mês passado, pressionados pelo cenário de ampla oferta global. Ainda assim, o mercado continua monitorando possíveis riscos climáticos associados ao El Niño e o comportamento do setor de etanol no Brasil, fatores que podem alterar o equilíbrio global da commodity nos próximos meses.
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