Internacional: Seca no Brasil dá sustentação às commodities agrícolas

Publicado em 24/09/2010 11:35 e atualizado em 24/09/2010 15:13
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A estiagem no Brasil, o maior produtor mundial de café, açúcar e laranja, está prejudicando as safras e resultando na seca do Rio Amazonas, que já está em seu menor nível em 47 anos.

No último dia 20 de setembro, o nível de 18 metros foi o mais baixo registrado desde 1963. Isso tem causado a interrupção do transporte de alimentos, combustíveis e medicamentos no norte do Brasil. Produtores rurais do sudeste já acreditam que a seca possa impactar nos preços das principais commodities agrícolas.

O plantio da soja no Brasil, o maior produtor mundial da soja nos Estados Unidos, para a próxima safra está atrasado, pois os produtores aguardam as chuvas na região centro-oeste para dar início ao processo. O plantio no estado do Mato Grosso, que produz cerca de 30% da soja do país, geralmente tem início no meio de setembro.

Neste mês a soja já subiu 8,5% na Bolsa de Chicago sob preocupação de que a seca no Brasil e na Argentina podem atrasar ainda mais o plantio e reduzir a semeadura da oleaginosa.

Hoje, os preços já trabalham com altas de mais de 20 pontos em alguns vencimentos na sessão diurna. Às 12h48 (horário de Brasília), o novembro trabalha com alta de 21,50 cents cotado a US$ 11,15 e o maio, referência para a safra brasileira, a US$11,32 subindo 19,25 cents.

Açúcar - Os futuros do açúcar em Nova York avançaram 25% este mês, enquanto o suco de laranja subiu 14% e o café 34% este ano, em partes por conta da preocupação diante de uma possível redução nos estoques globais por conta dessa estiagem na América do Sul. O clima seco deve persistir até, pelo menos, o meio de outubro, segundo a Somar Meteorologia.

Os produtores terão que ser bem pacientes pois as chuvas já estão atrasadas em um mês, disse Willians Bini, meteorologista da Somar.

As lavouras de café no estado de Minas Gerais podem ser prejudicadas pelo clima mais seco em quatro anos, bem como se inicia a primavera no hemisfério sul e as árvores começam a florescer para a próxima colheita, afirmou o diretor da Cooxupé, Joaquim Goulart de Andrade. A cooperativa produz 13% do café arábica brasileiro.

Desastre

Segundo dados da cooperativa, a média da precipitação na região da Cooxupé é de 85,2 mm nos últimos cinco meses até agosto, o índice é o menor desde 2006 e não corresponde nem à metade da média de 49 anos de 212,3 mm para o período.

Se não chover, não há outra palavra para descrever o que vai acontecer: desastre, disse Aldir Alves Teixeira, gerente de compras de café no Brasil da Illycaffe SpA.

 As plantações de cana-de-açúcar no centro-sul brasileiro, a maior região produtora do mundo, também estão sendo danificadas pela estiagem que pode reduzir os rendimentos da colheita atual e da próxima.

 Os rendimentos já estão sendo seriamente prejudicados. As perdas já estão sendo vistas, disse Jacyr Costa Filho, da Açúcar Guarani.

Segundo o analista de mercado Gustavo Correa, da FG/Agro, em Ribeirão Preto, afirma que a produção de cana-de-açúcar em 2011 pode cair pela primeira vez em 11 anos. O clima está prejudicando as mudas e, com isso, comprometendo o potencial das próximas lavouras, disse Correa.

A região centro-sul irá colher algo entre 530 e 560 milhões de toneladas de cana de açúcar na próxima safra, volume menor do que as 570 milhões de toneladas colhidas neste ano. Além disso, o clima também tem atrasado o carregamento dos navios, uma vez que a umidade das frentes frias danificam o produto.

Com informações da Bloomberg
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Fonte: Redação NA

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