Índia sinaliza novo mercado para feijão guandu e amplia oportunidades ao Brasil

Publicado em 23/02/2026 12:07
Negociações avançam, país asiático oferece genética da cultura e pode importar até 300 mil toneladas.

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A Índia voltou ao centro das atenções do setor de feijão brasileiro após reuniões realizadas em Nova Deli com a presença da comitiva oficial do Brasil. Segundo Marcelo Eduardo Luders, presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), o país asiático reafirmou seu peso como destino estratégico para as exportações nacionais. O movimento reacende o interesse do produtor rural que busca diversificação e novas fontes de renda.

De acordo com Luders, a Índia é um grande importador de pulses, incluindo lentilha, ervilha, grão-de-bico e feijão. Ele destacou que, ao longo dos últimos 15 anos, o mercado indiano teve papel central nas vendas externas do Brasil. “Em alguns momentos, 40%, 50%, 60%, como no ano passado, do total exportado veio aqui pra Índia”, afirmou.

 
Esse histórico consolidou uma relação comercial relevante. O dirigente ressaltou que o país asiático já absorveu 330 mil toneladas de feijão brasileiro no último ano, dentro de um total de 500 mil toneladas exportadas globalmente. Para o campo, trata-se de um comprador de grande porte, com capacidade de ampliar aquisições conforme a necessidade interna.

Mungo preto impulsiona embarques

Nos últimos três anos, uma nova variedade ampliou o espaço do Brasil naquele mercado. “Nós passamos a produzir um feijão que só eles consomem, que é o feijão mungo preto, conhecido aqui fora como Black Matpen”, explicou Luders. A adaptação produtiva abriu uma frente comercial inédita.

Segundo ele, o mungo preto possibilitou exportações superiores a 200 mil toneladas. “É um volume muito interessante, levando em conta que nós começamos lá com 10 mil toneladas em 2010/11”, relatou. O crescimento foi gradual até atingir o patamar atual.

O avanço demonstra a capacidade do produtor brasileiro de responder às demandas internacionais. Para Luders, o desempenho reforça que, quando há mercado definido, o setor consegue ajustar oferta, investir e ampliar escala. Esse histórico agora serve de base para novas oportunidades envolvendo outra cultura.

Guandu ganha protagonismo nas tratativas

Além do mungo, o feijão guandu entrou na pauta das negociações. Luders explicou que a Índia manifestou interesse na produção brasileira dessa leguminosa. “Existe o feijão guandu e a Índia vem manifestando interesse que o Brasil produza o feijão guandu”, disse.

Ele lembrou que o consumo interno é pequeno, mas a planta tem múltiplas funções. “Ele é bastante utilizado para ração animal ou como pastagem e para recuperação do solo”, destacou. Esse ponto chama atenção especialmente para regiões com áreas degradadas.

O presidente do Ibrafe ressaltou que o Brasil possui grande necessidade de revitalizar pastagens. “Fala-se em até 40 milhões de hectares de pastagens a serem recuperadas, onde esse feijão entraria muito bem”, afirmou. Assim, além da exportação, o guandu pode contribuir para ganhos agronômicos dentro da propriedade.

Oferta de genética e possível acordo fitossanitário

Um dos aspectos mais relevantes envolve a tecnologia. “Ao demonstrar grande interesse na importação desse feijão, a Índia está inclusive disponibilizando para as instituições de pesquisa a genética desse feijão”, revelou Luders. O intercâmbio pode acelerar ganhos de produtividade.

Atualmente, as variedades cultivadas no Brasil apresentam ciclo considerado longo. “No Brasil hoje elas têm um ciclo bastante longo, mais de 100 dias, 120 dias, algumas 150 dias”, explicou. Mesmo assim, ele acredita na viabilidade comercial.

As negociações avançaram na parte técnica, especialmente no campo fitossanitário. “A parte técnica é aquela chamada de fitossanitário, onde eles verificam tudo aquilo que eventualmente pode vir junto com o feijão”, detalhou. Segundo Luders, o acordo está  próximo de ser concluído.

Troca envolvendo romã entrou na reta final

Na etapa final das conversas, surgiu uma proposta adicional. “Nessa reta final, a Índia colocou que gostaria de fazer uma troca com o Brasil”, contou. A sugestão envolvia abertura para o guandu brasileiro e, em contrapartida, acesso para a romã indiana.

“Eles abririam esse mercado de guandu e nós abriríamos o mercado de romã para eles”, afirmou Luders. Contudo, a inclusão do tema ocorreu tardiamente. Não houve tempo suficiente para que o Brasil finalizasse todos os protocolos internos exigidos para importação.

Mesmo sem anúncio oficial, o dirigente considera que o desfecho está próximo. “Logo que isso seja terminado, está aberta a possibilidade de finalmente ser anunciado esse acordo”, declarou. A expectativa é de conclusão após a parte brasileira dos trâmites.

Mercado volumoso e momento de preparação

Enquanto a formalização não ocorre, o diálogo com importadores segue ativo. Luders informou que a Índia importou cerca de 1,2 milhão de toneladas em 2024 e 900 mil toneladas no ano anterior, volumes que variam conforme a safra local. Trata-se de um mercado robusto.

“Para eles importarem 200, 300 mil toneladas do Brasil não vai ser algo fora de propósito”, avaliou. Isso sinaliza espaço concreto para participação brasileira. O potencial anima produtores atentos às tendências internacionais.

Diante desse cenário, Luders faz um alerta estratégico. “É hora de testar no Brasil as variedades, ver onde você pode produzir esse feijão, analisar as cultivares disponíveis, entender como é feito o manejo e se preparar”, orientou. Para ele, o mercado vai abrir em breve e quem estiver pronto poderá sair na frente.

 

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Por:
Michelle Jardim
Fonte:
Notícias Agrícolas

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