Arábia Saudita afirma que suspensão de frigoríficos de aves no BR foi motivada por questões sanitárias

Publicado em 11/05/2021 08:17 e atualizado em 11/05/2021 10:16 3096 exibições
A justificativa do governo saudita ao Itamaraty foi feita de maneira verbal e aponta que produtos das empresas suspensas ultrapassaram limites e padrões biológicos

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Na noite desta segunda-feira (10) o Ministério das Relações Exteriores informou ao Notícias Agrícolas que recebeu um comunicado verbal oficial do governo da Arábia Saudita a respeito da suspensão do país árabe à 11 frigoríficos processadores de aves do Brasil que eram habilitados a exportar para a nação. Segundo o Itamaraty, a alegação é de que "produtos exportados pelas empresas envolvidas teriam ultrapassado limites e padrões microbiológicos estabelecidos no Regulamento Técnico nº GSO 1016/2015". 

Apesar de citar a norma, o Itamaraty não especificou qual ou quais microorganismos foram identificados nas cargas das empresas com as habilitações suspensas. Segundo uma fonte ligada ao comércio entre Brasil e Arábia Saudita ouvida pelo Notícias Agrícolas e que não quis se identificar, a justificativa apontada pela autoridade sanitária do país árabe é de presença de salmonella nas cargas. 

"É algo estranho e difícil de dar este tipo de problema. A carga pode sair aqui do Brasil com níveis dentro do padrão, mas durante o transporte pode haver problemas na refrigeração do contêiner, por exemplo, e a bactéria se proliferar. Quando isso acontece, a carga é incinerada quando chega ao destino e o seguro de importação é acionado para cobrir o prejuízo. Mas é estranho que 11 plantas que representam 65% da carne de frango importada pela Arábia Saudita tenham a habilitação suspensa de uma só vez por essa razão", disse a fonte. 

Na última quinta-feira (5) o setor de avicultura brasileiro sou pego de surpresa pela suspensão de 11 plantas frigoríficas habilitadas para exportar carne de aves para a Arábia Saudita. A medida passa a valer a partir do dia 23 de maio. De acordo com informações de uma conjunta do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), "não houve contato prévio das autoridades sauditas, tampouco apresentação de motivações ou justificativas que embasem as suspensões".

Questionado sobre uma justificativa oficial do governo saudita para a medida, o MAPA repondeu que a pasta "não recebeu comunicado oficial das autoridades sanitárias da Arábia Saudita sobre o assunto".

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O Regulamento Técnico nº GSO 1016/2015 é uma norma publicada pela Organização de Padronização do GCC (GSO), uma organização regional na qual uma das principais funções é emitir normas e regulamentos técnicos do Golfo por meio de comitês técnicos especializados (TCs). 

(Confira no final do texto o arquivo do Regulamento Técnico nº GSO 1016/2015 e a página com especificações sobre canrnes)

O Ministério informou, por meio de nota, que recebeu o comunicado ainda no domingo (9), por meio de Nota Verbal à Embaixada do Brasil em Riade. "No entanto, deve-se salientar que a comunicação oficial da medida saudita ao governo brasileiro ocorreu depois de os frigoríficos terem sido suspensos, sem que houvesse a possibilidade de apresentação de defesa técnica pelo Brasil. Além disso, não foram apresentados dados a respeito dos limites suspostamente ultrapassados, nem dados científicos acerca da metodologia utilizada nas análises que teriam sido realizadas", apontou o comunicado do Itamaraty.

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Por:
Letícia Guimarães
Fonte:
Notícias Agrícolas

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1 comentário

  • Carlos William Nascimento Campo Mourão - PR

    Os brimos (árabes) querem renegociar os preços. Esta tática é mais velha que andar pra trás. Tem nada não... Vamos vender pra outros.

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    • Carlos William Nascimento Campo Mourão - PR

      Posso não entender de trâmites aduaneiros, mas sei que existem muitos outros países interessados em nossas carnes. No passado recente, este tipo de chantagem por parte de compradores não resultou em prejuízo para os frigoríficos brasileiros, pois num curto espaço de tempo encontraram outros compradores. Esta estratégia de descredenciar frigoríficos é até amadora. A Rússia fez muito disto. Pode até funcionar numa realidade de oferta abundante, mas não é o que vemos hoje em dia. Com a quebra consolidada de 50% pelo menos da safra de milho inverno, vai faltar muita carne no mundo. Estes containers no porto valerão muito mais semana que vem do que valem hoje. Fique tranquilo, logo logo vão embarcar. E os brimos podem engordar uma cabras para o abate.

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