Estudo do Rabobank aponta que disputas entre EUA e China aumentam a instabilidade no mercado global de carne suína
![]()
O mercado global de carne suína atravessa um período de intensas mudanças, impulsionado por negociações comerciais estratégicas, riscos sanitários persistentes e oscilações nos custos de produção.
O relatório trimestral de carne suína do Rabobank, elaborado pela equipe global de proteína animal e liderado por Chenjun Pan, aponta que as negociações comerciais em andamento seguem alimentando a instabilidade nos mercados globais de carne suína, com destaque para as disputas entre Estados Unidos e China.
Embora a China tenha reduzido as importações diretas de carne suína norte-americana nos últimos anos — resultado do fortalecimento da produção doméstica — o país asiático mantém papel relevante na compra de miúdos suínos dos EUA. O desfecho dessas negociações pode redefinir o fluxo global de comércio.
Ao mesmo tempo, as exportações brasileiras de carne suína avançam rapidamente, aproveitando brechas abertas pela disputa entre grandes players e pela demanda em novos mercados. A União Europeia também deve registrar crescimento moderado nos embarques em 2025, acirrando ainda mais a competição internacional.
De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 848,8 mil toneladas entre janeiro e julho de 2025.
Ainda de acordo com a ABPA, o exportador de carne suína do Brasil foi o estado de Santa Catarina embarcou 64,5 mil toneladas em julho, saldo 14,5% menor em relação ao ano anterior. Em seguida estão o Rio Grande do Sul, com 29,3 mil toneladas (-3%), Paraná, com 18,8 mil toneladas (+1,9%), Minas Gerais, com 3,4 mil toneladas (+4,1%) e Mato Grosso, com 2,8 mil toneladas (-27,3%).
No campo da sanidade animal, a preocupação é crescente. A peste suína africana (PSA) continua avançando em partes da Ásia e da Europa, enquanto o vírus da síndrome reprodutiva e respiratória dos suínos (PRRSv) afeta a produtividade na América do Norte e na Espanha. A febre aftosa adiciona mais incertezas, pressionando governos e empresas a investirem em biossegurança avançada, automação e até operações não tripuladas para reduzir riscos.
Já no cenário de custos, os preços do milho na Bolsa de Chicago (CBOT) seguem em queda, beneficiados por clima favorável nos EUA e por uma safra recorde no Brasil. O mercado de soja e farelo de soja apresenta sinais divergentes: propostas da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) para mandatos de biocombustíveis em 2026 e 2027 sustentam as cotações da oleaginosa, mas pressionam para baixo o farelo.
Para o Rabobank, a combinação entre maior concorrência, custos de insumos em queda e volatilidade nas negociações internacionais desenha um ano decisivo para o setor suinícola, com oportunidades para quem estiver preparado para reagir rápido às mudanças.
0 comentário
Suinocultura no Reino Unido enfrenta entraves regulatórios e pressão social
Peste Suína Africana leva Filipinas a suspender importações de carne suína de Taiwan
Quaresma mantém preços do suíno pressionados e mercado segue cauteloso em abril
Guerra eleva custos e pressiona preços na avicultura do Paraná
36ª Reunião Anual do CBNA vai debater como avanços da inteligência artificial na avicultura permite prever problemas antes de sinais clínicos
Feira AgroExperts em Boituva reúne cadeia de aves e suínos para discutir sanidade e produtividade