Guerra eleva custos e pressiona preços na avicultura do Paraná

Publicado em 02/04/2026 10:32
Setor projeta alta de até 20% nos custos e vê necessidade de repasses diante de incertezas globais.

A escalada dos conflitos no Oriente Médio tem ampliado a pressão sobre os custos de produção da avicultura brasileira, com impacto direto no Paraná, principal produtor e exportador de carne de frango do país. Segundo o Sindicato das Indústrias Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), o cenário já acende alerta no setor e torna inevitável o repasse de preços para equilibrar as margens.

De acordo com a entidade, os custos de produção subiram entre 15% e 20% nos últimos meses, pressionando a rentabilidade das agroindústrias e exigindo ajustes mais precisos na oferta para evitar desequilíbrios no mercado.

O Paraná concentra cerca de 34% da produção nacional e até 41% das exportações brasileiras de frango, o que amplia a exposição do estado às oscilações do cenário internacional e aos custos atrelados a commodities e energia.

Custos de produção seguem em alta

A elevação dos custos está diretamente ligada ao aumento dos preços de insumos estratégicos, como milho e farelo de soja, que podem representar até 70% da ração utilizada na produção.

Além disso, fatores como energia elétrica, logística e embalagens também contribuem para a pressão sobre o custo final. O diesel mais caro e gargalos estruturais no transporte elevam os fretes, enquanto produtos derivados do petróleo impactam diretamente as embalagens.

Conflitos ampliam incertezas

O cenário geopolítico adiciona um componente extra de incerteza, afetando não apenas os custos, mas também a previsibilidade do mercado. A instabilidade influencia cadeias globais de energia e transporte, refletindo diretamente na operação da indústria avícola. Esse ambiente dificulta o planejamento e aumenta o risco de desequilíbrios entre oferta e demanda.

Risco de sobreoferta preocupa setor

Segundo o Sindiavipar, o setor entra em um momento de inflexão, em que a lógica baseada apenas no aumento de produção deixa de ser suficiente. O risco de sobreoferta ganha relevância em um cenário de consumo mais instável e mercados internacionais ainda em recomposição.

Produzir acima da demanda pode pressionar preços e comprometer margens, tornando a gestão mais estratégica.

Produção exige mais precisão

Diante desse cenário, a orientação é clara: produzir com maior precisão, ajustando volumes à demanda real. O foco deixa de ser exclusivamente escala e passa a incorporar eficiência e equilíbrio de mercado.

A necessidade de repasses de preços surge como alternativa para recompor as perdas acumuladas e garantir a sustentabilidade da atividade.

Impacto na cadeia e no mercado global

A cadeia avícola do Paraná movimenta cerca de R$ 45 bilhões em Valor Bruto da Produção e gera mais de 100 mil empregos diretos. O desempenho do estado tem impacto direto na oferta nacional e na posição do Brasil como fornecedor global de proteína animal.

Com o aumento dos custos e a instabilidade internacional, o setor enfrenta um novo ciclo de ajustes, em que decisões estratégicas serão determinantes para manter a competitividade.

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Por:
Sindiavipar, adaptado pela equipe Feed&Food
Fonte:
Sindiavipar, adaptado pela equipe

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