Conflito no Oriente Médio deve pressionar custos e alterar fluxos globais da suinocultura, aponta Rabobank
Os impactos diretos do atual conflito no Oriente Médio sobre a suinocultura global tendem a ser limitados no curto prazo, mas efeitos indiretos já começam a se desenhar ao longo da cadeia produtiva. A avaliação é do Rabobank, em seu relatório trimestral sobre o setor.
Segundo a divisão RaboResearch, os chamados efeitos de segunda e terceira ordem devem se intensificar, com repercussões em logística, custos de produção e comportamento do consumidor. O fechamento do Estreito de Ormuz é apontado como um dos principais fatores de pressão, ao impactar diretamente o transporte global de energia e, consequentemente, os custos operacionais.
No campo logístico, o aumento nos preços do diesel e do gás natural tem elevado as taxas de frete, encarecendo o transporte de insumos e produtos ao longo da cadeia. Já na produção, a alta dos custos de ração e energia tende a reduzir as margens de produtores e frigoríficos. No consumo, a expectativa é de maior cautela por parte das famílias, influenciadas por inflação e incertezas econômicas.
O relatório também destaca mudanças relevantes no comércio internacional. O Japão ampliou suas importações de carne suína dos Estados Unidos, com crescimento de 21% na comparação anual, em meio à suspensão das compras da Espanha devido a casos de Peste Suína Africana em javalis.
Embora a queda nas importações japonesas de carne suína espanhola ainda tenha sido moderada no início de 2026 — reflexo do uso de estoques previamente processados —, a expectativa é de retração mais acentuada no curto prazo, à medida que esses volumes se esgotem.
Nesse contexto, o Brasil tem ampliado sua presença no mercado internacional. De acordo com o Rabobank, os embarques brasileiros no primeiro trimestre atingiram 381 mil toneladas, o maior volume já registrado para o período. As exportações para o Japão cresceram 60% na comparação anual, somando 43 mil toneladas, enquanto as Filipinas permaneceram como principal destino, com 121 mil toneladas.
O cenário reforça a interdependência entre fatores geopolíticos, sanitários e econômicos na dinâmica da suinocultura global, com impactos que vão além das regiões diretamente envolvidas no conflito.
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