Leite: Queda de 8% no preço

Publicado em 10/09/2010 08:50
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Estudo mostra que os preços voltaram a cair, mesmo em plena entressafra.
Os preços do leite voltaram a recuar no mês de julho, seguindo tendência de queda registrada em junho, o que contraria as perspectivas dos produtores de recuperação das cotações durante o período de entressafra, quando os preços pagos pelo produto historicamente sobem. A avaliação consta do boletim Custos e Preços, elaborado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). "A redução é reflexo do aumento da produção na média dos Estados do Sul e da manutenção do saldo negativo da balança comercial de lácteos, situação que preocupa os produtores", afirmou a presidente da CNA, senadora Kátia Abreu.

Em Goiás, Minas Gerais e Paraná, o preço pago ao produtor pelo leite caiu, em média, 7% em julho na comparação com o mês anterior. No Rio Grande do Sul, a queda foi ainda maior: 8% em julho. Levantamento divulgado pela CNA no começo de agosto mostrou que a pressão do leite UHT ("leite de caixinha") importado é mais forte no Rio Grande do Sul, Estado que tem a segunda maior produção leiteira do País.

Custos

Os dados do boletim mostram que os custos de produção de leite no mês de julho apresentaram pouca alteração em relação ao mês anterior. "Em julho, o custo foi influenciado principalmente pelo aumento do preço do farelo de soja, variação registrada nos três últimos meses.", avaliou a presidente da CNA.

Dados mais recentes, referentes ao mês de agosto, indicam continuidade da valorização dos preços da soja. Na terceira semana de agosto, os preços subiram, em média, 0,74% nas regiões pesquisadas em relação à semana anterior. A maior alta foi registrada em Unaí (MG): variação positiva de 0,95% em relação à semana passada. Em Sorriso (MT), os preços apresentaram um pequeno recuo de 0,08% em relação à segunda semana desse mês.

Ainda em relação à soja, a Superintendência Técnica da CNA avalia que a provável confirmação de safra recorde nos Estados Unidos em virtude da boa produtividade das lavouras - acima do estimado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) - e o clima favorável na maioria dos Estados pressionam para baixo as cotações na bolsa de Chicago. Outro fator que deve pressionar para baixo os preços na bolsa de Chicago é a valorização do dólar frente ao euro.

O clima também é motivo de preocupação para os produtores de leite do Brasil. A perspectiva de um período de estiagem na época da safra, resultado do fenômeno climático La Niña, preocupa os pecuaristas de leite. "Um período de estiagem na época da safra prejudicaria a produção das pastagens, influenciando negativamente a produção leiteira", explicou a senadora Kátia Abreu. O custo de produção aumentaria, pois o produtor irá suplementar o gado para evitar que este perca peso na safra. "Além disso, esse efeito climático pode vir a reduzir a produção de soja e milho, elevando o preço da ração", disse.

Valor mais baixo

O preço do leite pode cair ainda mais nos próximos meses, apesar da previsão que diminuição da produção por causa da seca. Ainda assim, os analistas dizem que o preço pago ao produtor este ano é melhor do que no ano passado.

O cálculo começa na ordena, que em volume já rendeu bem nos primeiros meses deste ano. O último levantamento feito pelo Cepea mostra que de janeiro a julho de 2010, oslaticínios receberam 5,2% a mais de leite do que no mesmo período de 2009. Por isso, o preço caiu para o produtor, que já perdeu, em média, 13% no litro de maio pra cá. O valor foi de R$ 0,79 para 0,69 agora.

O produtor Rodrigo Imediato até conseguiu um pouco mais. Há três meses ele vendia o litro a R$ 0,95 centavos. Esta semana, entregou a R$ 0,89. Segundo ele, ainda é pouco para o custo que tem. Em junho, teve que vender seis vacas para pagar as contas.

O clima é um dos fatores da queda do leite em todo o País. A chuva do ano passado favoreceu a produção e fez aumentar a quantidade de volumoso, que é a alimentação que o produtor prepara para o gado no cocho. Enquanto não faltar comida para os animais, o preço não vai subir.

O problema é que sem comida, cai também a produção. Imediato se preparou este ano com 200 toneladas de volumoso de cana pra alimentar o gado durante os cinco meses de seca. Já usou quase tudo. A esperança dele é que volte a chover até o fim deste mês para que possa colocar o gado no pasto de novo. Especialistas dizem que agora não há mais o que o produtor possa fazer. Mesmo em ritmo lento, o preço deve cair um pouco mais nos próximos meses.

A produção brasileira de leite deve crescer em 2010 apesar de os preços pagos ao produtor apresentarem queda desde maio, em pleno período de entressafra.

O setor mantém a previsão de crescimento de 5% para 2010, mesmo apesar do preço mais baixo.

A produção nacional acumulou aumento de 5,2% de janeiro a julho no País. Apenas em julho a oferta aumentou 5,44% na comparação com junho.
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Fonte: Jornal de Brasília

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